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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Meu Olhar sobre o Tom Azul

Todas as vezes que refletia sobre o tema das crianças índigo, eu ouvia: -"mas Divaldo falou isso, mas Divaldo falou aquilo", como se pelo fato do Divaldo ter falado, o assunto deveria ser aceito e encerrado.

Venho através deste texto, fazer uma reflexão crítica do livro A Nova Geração: A Visão Espírita sobre Crianças Índigo e Cristal, de autoria de Divaldo Pereira Franco com Vanessa Anseloni.

A primeira vez que ousei pensar em voz alta sobre o assunto, escutei a voz firme e agressiva de um amigo inquirindo-me: -"Quem você pensa que é para criticar Divaldo?" Isto me tocou a alma, principalmente por aqueles que ainda não compreendem o espiritismo.

Reproduzo o conselho de São Luís que está no O Evangelho segundo o Espiritismo:

"Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião".

Em primeiro lugar deve-se perceber o objetivo do livro, ilustrado pelo título, que é analisar os conceitos de crianças índigo e cristal sob a ótica espírita, pois estes não são conceitos espíritas e sim espiritualistas.

No capítulo 2, Divaldo propõe uma análise sobre a cooperação interplanetária e evolução humana. Neste, ele afirma:

"Aquele planeta da Constelação do Cocheiro havia, portanto, atingido um nível de grande elevação intelecto-moral, mas ainda permaneciam Espíritos belicosos, perversos, que se negavam à obediência e ao amor, comprazendo-se na prática do mal.

Para que não prejudicassem o programa de evolução geral, foram expulsos para um outro planeta, onde tivessem ocasião de aplicar os conhecimentos e sofrer as conseqüências da sua rebeldia – um verdadeiro inferno - reencarnando-se na Terra, exatamente quando os terrícolas se encontravam na fase antropóide.

É curioso notar que os descendentes físicos desses antropóides irão ser animados por Espíritos intelectualizados, que desenvolverão equipamentos orgânicos próprios capazes de expressar com clareza os conhecimentos de que são portadores.

Surgem, então, os descendentes dos primatas, permanecendo, concomitantemente, os antropóides, nos quais continuarão reencarnando-se, nessa organização em desenvolvimento, aqueles Espíritos ainda primários, em face da sua evolução terrícola."

Eu li e reli várias vezes este trecho, tentando compreender melhor. Divaldo afirma que os primeiros espíritos que reencarnaram na Terra vieram todos de Capela. Baseado em que, se faz tal afirmação? Eu particularmente não compreendo este tipo de informação, pois os espíritos que encarnam, ou encarnaram, ou que irão encarnar na Terra vem do mundo espiritual e não de um planeta. Não existe espírito terráqueo, capelino ou marciano, existem apenas espíritos passando por provas na Terra, em Capela ou em Marte. Assim, todos os espíritos que encarnaram até este instante, na Terra, vieram de um único lugar, do mundo espiritual.

Mas há neste trecho, citado anteriormente, outra informação que espero ter sido oriunda da minha má compreensão do texto. Porque este trecho nos diz que estes espíritos encarnaram em macacos e a partir daí desenvolveram os corpos humanos. Para tirar possíveis dúvidas, fui buscar no dicionário o significado da palavra antropóide:

"1. Semelhante ao homem. 2. Pertencente ou relativo aos antropóides. 3. Espécie dos antropóides, grupo de símios catarríneos que compreende os chipanzés, os gorilas e os orangotangos, bem como algumas espécies fósseis. São desprovidos de cauda e ocasionalmente bípedes."

Idéia, equivocadamente, reforçada por Vanessa Anseloni no trecho seguinte:

"A cada reencarnação, o ser espiritual conectado ao seu corpo espiritual (o perispírito) vai se ligando, molécula a molécula, ao novo organismo físico desde a sua primeira célula, a célula ovo, ou zigoto, na concepção. Deste modo, a mente do Espírito a formação do novo corpo via o seu molde fundamental, o perispírito.

A reencarnação tem por finalidade o melhoramento progressivo da humanidade. (Questão 167 de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec). O ser espiritual vai progredindo a cada reencarnação, jamais, regredindo. Por conseqüência, o conceito de metempsicose (reencarnação em corpos de animais) não se sustenta em bases lógicas uma vez que o ser espiritual, em alcançando o patamar do reino hominal, não poderá retrogradar em uma estrutura incompatível com o amadurecimento espiritual-perispiritual do espírito."

Neste trecho Vanessa contradiz o que Divaldo disse, pois se os espíritos já eram evoluídos eles não iriam retrogradar e reencarnar em corpos de animais, seria ir contra a Lei Natural.

No capítulo XI, item 20 da A Gênese, Allan Kardec afirma:

"20. Um fenômeno particular, igualmente assinalado pela observação, acompanha sempre a encarnação do espírito. Desde que este é apanhado pelo laço fluídico que o liga ao germe entra em estado de perturbação; essa perturbação cresce, à medida que o laço se firma e, nos últimos momentos, o Espírito perde toda a consciência de si mesmo de modo que ele nunca é testemunha consciente de seu nascimento. No momento que a criança respira, o Espírito começa a recuperar suas faculdades, as quais se desenvolvem à medida que se formam e consolidam os órgãos que devem servir para sua manifestação."

Como é possível a mente de um espírito em perturbação comandar a formação de um novo corpo?

A questão 167, citada no texto, é a seguinte:

"167. Qual é a finalidade da reencarnação?

- Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?"

Deve-se compreender que o melhoramento progressivo ao qual os espíritos se referem é o progresso intelectual e moral, e não orgânico, e a humanidade não é restrita aos homens encarnados no planeta Terra.

Mais adiante, quase ao final do capítulo Divaldo afirma:

"Por volta de 1972, e mais particularmente por ocasião de 1987, repetimos, o sistema solar está penetrando no cinturão de fótons de Alcione, e uma nova revolução vem-se operando na estrutura psíquica da Terra, quando uma onda de Espíritos dessa dimensão vem promover mudanças sutis na forma orgânica, facilitando o processo de evolução intelecto-moral para que alcance níveis muito mais elevados.

Da vez anterior, a que nos referimos, os exilados em nosso planeta ofereceram ao nosso corpo os equipamentos para a manifestação da inteligência, do raciocínio, da consciência, mantendo, no entanto, os nossos instintos ancestrais. Agora, quando ainda somos instintos, sensações, emoções, desenvolvendo a razão, novos visitantes espirituais, transitoriamente entre nós, para também evoluir, vêm criar uma nova sociedade, porém assinalada pelas conquistas da intuição, da percepção paranormal, dos sentimentos elevados. Eles vêm mudar a estrutura do nosso organismo, facultando-nos instrumentos que nos façam mais perfeitos, mais sábios, menos guerreiros, menos perversos..."

Eu me questiono como o nosso corpo pode nos fazer mais perfeitos, mais sábios, menos guerreiros ou menos perversos?

Na questão 368 e 370, do O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

"368. As faculdades dos Espíritos se exercem com toda a liberdade, após a sua união com o corpo?

- O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumentos; elas são enfraquecidas pela grosseria da matéria."

"370. Pode-se induzir da influência dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o das faculdades morais e intelectuais?

- Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as faculdades que lhe são próprias. Assim, não são os órgãos que lhe dão as faculdades, mas as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos. "

Kardec afirma ainda na nota a seguir:

"O Espírito, ao encarnar-se, traz certas predisposições, e se admitirmos, para cada uma delas, um órgão correspondente no cérebro, o desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as faculdades tivessem os seus princípios nos órgãos, o homem seria uma máquina, sem livre arbítrio e sem a responsabilidade dos seus atos. Teríamos de admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais. De onde se segue que, sem esses órgãos, eles não seriam gênios, e que o último dos imbecis poderia ter sido um Newton, um Virgílio ou um Rafael, se houvesse sido provido de certos órgãos. Suposição que se torna ainda mais absurda quando aplicada às qualidades morais. Assim, segundo esse sistema, São Vicente de Paulo, dotado pela natureza de tal ou tal órgão, poderia ter sido um celerado, e não faltaria ao maior celerado mais do que um órgão para ser um São Vicente de Paulo. Admiti, ao contrário, que os órgãos especiais, se é que existem, são conseqüentes e se desenvolvem pelo exercício das faculdades, como os músculos pelo movimento e nada tereis de irracional. Tomemos uma comparação trivial, por bem se aplicar ao caso. Por certos sinais fisionômicos reconhecereis o homem dado à bebida; são esses sinais que o fazer bêbado, ou é o vício da embriaguez que produz os sinais? Pode-se dizer que os órgãos recebem a marca das faculdades."

Assim, a doutrina espírita nos mostra que ao modificar-se o organismo pode-se até facilitar a manifestação de uma faculdade já existente, mas jamais irá promover qualquer transformação no espírito, principalmente quanto ao aspecto moral. Nada nem ninguém pode melhorar um espírito a não ser ele mesmo.

No capítulo 3, Divaldo fala a respeito das crianças índigo. Diz ele:

"Portanto, asseveram os Espíritos nobres que a nova geração é que vai desenvolver o lado direito do nosso cérebro, o lado intuitivo, mediúnico, a área das percepções psíquicas. Essa geração que se está formando vem sendo chamada de geração de crianças índigo, em razão de serem seres especiais que emitem, em suas auras, uma irradiação com uma tonalidade azul-violeta específica, igual à índigo, que é encontrada em uma planta na Índia."

Vanessa ainda complementa a idéia com o trecho seguinte:

"A aura das crianças índigo projeta tonalidade azul-violácea, o que denota o nível de sua evolução. Quanto mais o Espírito é evoluído, mais o seu corpo espiritual (perispírito) também o é. Sendo assim, as vibrações das moléculas quintenssenciadas que o compõem vibram em maior freqüência, trazendo a coloração índigo."

O conceito de aura e suas cores é um conceito espiritualista, que devem ser compreendidos, para eles a aura pode refletir o estado emocional e energético da pessoa, tendo inclusive exercícios e práticas específicas para alterar a cor da aura. A ciência não aceita este sentido espiritualista, devido ao fato de se poder fotografar a "aura" de folhas e pedras, através das fotos Kirlian.

Não há como relacionar uma possível aura colorida com o nível evolutivo do indivíduo, pois se há a possibilidade de se alterar a cor da aura através de exercícios, este fato em nada modificará a posição da pessoa na escala evolutiva.

Muito se fala da nova geração, capítulo da obra A Gênese de Allan Kardec, mas é necessário compreender quem são esta "nova geração". Diz Kardec:

"27. Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela seja povoada apenas por bons espíritos encarnados e desencarnados, que apenas queiram o bem. Tendo chegado tal tempo, uma grande emigração se realiza neste momento entre os que a habitam; aqueles que praticam o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não atinge, não sendo mais dignos da terra transformada, dela serão excluídos, porque eles lhe trariam novamente perturbações e confusão, e seriam um obstáculo ao progresso. Iaô expiar seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, outros, em raças terrestres atrasadas, que serão o equivalente a mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos, e onde irão com a missão de as fazer progredir. Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar entre si a justiça, a paz, a fraternidade. No dizer dos Espíritos, a Terra não deve ser transformada por um cataclismo que anulará subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Portanto, tudo se passará exteriormente como de costume, com esta única diferença, porém diferença capital, que uma parte dos Espíritos que aí se encarnam, não mais se encarnarão. Num menino que venha a nascer, em lugar de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, virá um Espírito mais adiantado e inclinado ao bem.

Trata-se pois, muito menos de uma nova geração corporal, que de uma nova geração de Espíritos; é neste sentido, sem dúvida, que o entendia Jesus, quando dizia: "Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que estas coisas aconteçam." Assim, aqueles que esperarem ver a transformação por efeitos sobrenaturais e maravilhosos ficarão decepcionados."

Kardec, na questão 184-a do O Livro dos Espíritos, pergunta:

"184-a. Se o Espírito nada pede, o que determina o mundo onde irá reencarnar-se?

- O seu grau de evolução. "

Então um espírito irá encarnar num mundo cuja evolução seja similar. Ninguém vai expulsar ninguém, com a evolução de alguns habitantes daqui, a vibração do mundo começa a se alterar, atraindo outros espíritos também mais evoluídos e aqueles que não evoluem vão se retirando, por não encontrar sintonia, vão encarnando em outros mundos. Ninguém vai mudar nada para nós, somos nós que ao nos modificarmos sutilmente, também vamos auxiliando na mudança do mundo.

Deixo vocês com este longo texto, para refletir e encontrarem uma conclusão satisfatória a cada um. O restante do livro, que não é muito, mas que não traz os conceitos básicos desta crença, eu farei uma analise em um outro texto, posteriormente, para este não ficar mais extenso que o necessário.

Claudia C.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Criança Índigo

Vira e mexe este assunto retorna, começam as discussões e os debates. Aqueles que são contra são firmes e em alguns casos intolerantes, os que são a favor são melindrosos, se enfurecem à menor crítica.

Não estou aqui pra dizer se é certo ou errado, porque cada um tem a sua verdade, todos nós temos o livre arbítrio para acreditarmos no que quisermos. Apenas tenho um pequeno desejo de esclarecer que a Criança Índigo não é um conceito espírita, pode ser um conceito espiritualista e esotérico, mas não é espírita.

A primeira questão é com relação a Dra. Nancy Ann Tappe. Qualquer texto sobre o assunto cita esta pessoa, como o próprio Divaldo o faz em seu livro sobre o assunto: “A Dra. Nancy Ann Tappe estabeleceu que as crianças índigo são seres especiais. Foi ela uma das pioneiras nos Estados Unidos a estudá-las.” No rodapé há uma nota explicando que ela foi a primeira a usar esta terminologia e descrever crianças índigo na publicação de seu livro Understanding Your Live Through Color em 1982. Eu acredito que Divaldo o tenha feito, mas a impressão que tenho é que ninguém aqui no Brasil tenha lido este livro, mesmo porque, eu não o encontrei aqui para vender.

Desta forma todo o conceito está baseado na opinião de os autores de “Crianças índigo” Lee Carrol e Jan Tober. Até aí, tudo bem, se não fossem eles os criadores do Grupo Kryon, “Este encontro representa a reunião anual de Kryon (em Dezembro de cada ano) na «Residência da Terra», na Califórnia do Sul, a casa base de Lee Carroll e Jan Tober.”. Não vim falar deste grupo, mas fica difícil falar de criança índigo sem citá-lo, pois estes conceitos se relacionam. Vejamos agora o que Kryon, do Serviço Magnético fala sobre estas crianças, os grifos são meus:

“As Crianças Índigo chegarão a tempo de realizarem, pelo menos, a maior parte da sua tarefa?

Lembrar-se-ão de que lhes ofereci informação relativa às cores áuricas da Nova Energia. Falei, especificamente, dos novos azuis escuro que chegariam neste tempo. Esses são, sem dúvida, aqueles a quem vocês chamam «crianças índigo». Nesta fase particular, porém, qualquer Ser Humano que se encontre nesse estado é uma criança. A vossa pergunta leva-me a crer que vocês consideram este grupo como tendo um propósito especial, mas não é assim. Estes indivíduos são, simplesmente, novas expressões com características que vocês não possuem:

1) Uma vibração mais elevada;

2) Uma programação que invalida certos atributos astrológicos que, habitualmente, afectam os Humanos;

3) Um dispositivo biológico específico, que lhes permite manejar melhor as impurezas fabricadas pelos próprios Humanos do planeta, as quais fazem parte do vosso actual estilo de vida.

Estes indivíduos chegam como uma nova raça de expressão, como herdeiros de tudo o que vocês ajudaram a criar (uma programação diferente). Aqueles Seres Humanos terrenos que venham a desencarnar durante este tempo (e haverá muitos, tal como se disse na resposta às perguntas anteriores), poderão regressar imediatamente neste novo estado (se for conveniente), ajudando assim o planeta na Nova Era do Poder.
Não é garantido que estes indivíduos sejam necessariamente mais iluminados do que os outros, ou que se juntem grupalmente para executarem tarefas planetárias específicas. No entanto, à medida que vão crescendo, alguns poderão passar mais facilmente através das difíceis transições humanas até à Iluminação. Em fases muito precoces da sua vida serão capazes de, juntamente convosco, ajudar nas tarefas de elevação da vibração do planeta.
No que acabo de vos transmitir, há dois aspectos que são muito evidentes, sendo que um deles responde diretamente à vossa pergunta:

1) A razão pela qual tanta gente deve abandonar o planeta neste momento é para poderem ter a possibilidade de regressar como Crianças Índigo. Compreendem agora o impacto disso na transição do planeta?

2) Se elas já estão a chegar com o novo dispositivo, então vocês já conhecem o fulcro do futuro. Naturalmente, todos sabem do que um Ser Humano ainda precisa para amadurecer. Portanto se me perguntarem se ainda precisarão de continuar a trabalhar plenamente (pela Terra) durante 20 anos ou mais, a resposta é afirmativa. Esta revelação, talvez diferente da que esperavam, proporciona um enquadramento temporal projectado para o futuro. É a nossa previsão, baseada no grau de consciência e de iluminação no momento desta canalização. Sim, as Crianças Índigo terão tempo.”

Que curioso, o próprio Kryon diz que as crianças índigos nada mais são do que nós mesmos reencarnados e que isto não quer dizer que elas sejam mais iluminadas do que nós. Mas como devido a nossa inferioridade, santo de casa não faz milagre, estas crianças que achamos serem especiais só podem ter vindo de outro planeta. Como se isto fizesse alguma diferença.
Outra coisa que parecem confundir é aura com perispírito. A aura humana pode ser descrita como uma radiação ou uma emanação fina, etéreo que cercam cada ser humano vivo. Ela pode ser vista através das fotos Kirlian, e refletem nosso estado energético. Mas ela não pode ser o perispírito, pelo que dizem os espíritos no O Livro dos Espíritos:

“93. O Espírito propriamente dito vive a descoberto, ou, como pretendem alguns, envolvidos por alguma substância?

- O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.

Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito.

95. O envoltório semi-material do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

- Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.”

Se a aura é o perispírito ou corpo astral, como alguns gostam de chamar, fantasma seria colorido. O espírito de uma criança índigo seria sempre azulado, e se o perispírito evolui junto com o espírito, poderíamos aferir seu grau evolutivo pela cor do espírito. Se você discorda disso, é porque concorda que aura não é perispírito, mas se ainda tem dúvidas, vamos refletir um pouco mais. Comumente se ensinam vários exercícios, principalmente de respiração para recarregar a aura. Isto significa que ela se descarrega, será que ela pode se romper? E se ela é recarregada através de exercícios físicos, um espírito desencarnado como fará para recarregar seu perispírito, nesta suposição de ser ambos a mesma coisa?

Na questão 65, Kardec pergunta: “O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos?
- Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.” Aqui, muitos podem compreender que o liame seja o perispírito, mas a questão 70 retira toda possibilidade de mal entendido:
“70. Em que se transformam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, após a morte?
- A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.” Ou seja, se o liame é o perispírito, o espírito desencarnado não o tem, porque ele voltou à massa.

Ainda neste capítulo, Kardec afirma:
“A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados de fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundante.
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contém.
O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.”

Esta descrição não é racionalmente mais coerente com o conceito de aura?
Agora Renato Costa fez uma boa análise do item Forma e Ubiqüidade dos Espíritos, do cap I do Livro Segundo e que fala sobre cor. Vou transcrevê-la abaixo:

Em O Livro dos Espíritos, tem-se o seguinte diálogo entre Allan Kardec e os Espíritos que ditaram a Codificação com respeito à forma do Espírito:
88. Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?
“Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
a) - Essa chama ou centelha tem cor?
“Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.
Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.
Analisemos primeiro, a frase inicial da resposta: “Para vós, não; para nós, sim”.
Trata-se aqui da diferença existente entre o que os Espíritos desencarnados podem perceber, usando seus sentidos sutis e aquilo que os Espíritos encarnados podem perceber, usando seus sentidos físicos.
De fato, a própria Ciência nos ensina o quão limitada é a percepção da realidade que nossos sentidos físicos nos propiciam. As faixas de freqüência que nossos sentidos da visão e da audição capturam são extremamente estreitas assim como impróprio é o nosso tato para a realidade mais sutil como, por exemplo, a das ondas mais diversas de comunicação que nos envolvem em todas as direções.
Nas dimensões espirituais, o Espírito está livre das restrições impostas pela matéria. Sua percepção da realidade, portanto, é infinitamente mais rica, logrando ele perceber cores e formas que, encarnado sequer poderia descrever.
Analisemos, agora, a segunda parte da resposta:
“O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
Uma chama, um clarão ou uma centelha etérea são elementos caracterizados, os três, basicamente, pela sua tonalidade de cor, sua intensidade de brilho e o calor que possuem. Os três são, por outro lado, desprovidos de forma precisa. Desse modo, os Espíritos confirmaram o que antes haviam dito, isto é, que os Espíritos não são percebidos com forma.
Chama a nossa atenção, nessa resposta, entretanto, que os Espíritos parecem estar falando do Princípio Inteligente, e não do Espírito, entidade formada por esse Princípio somado ao Perispírito. afinal, o Espírito tem forma, uma vez que o Princípio Inteligente imprime forma ao Perispírito. É, portanto, com forma que médiuns de todas as raças e culturas têm percebido Espíritos desde as mais remotas eras.
Desse modo, os Espíritos que ditaram a Codificação parece terem aproveitado essa questão para dizer que o Princípio Inteligente tem uma forma que foge aos nossos sentidos, sendo aceitável que a imaginemos como uma chama.
Nossa interpretação encontra confirmação no Item 55 do Capítulo I de O Livro dos Médiuns, onde Kardec afirma:
Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem....
A Cor dos Espíritos
Voltando a O Livro dos Espíritos, verificamos que, tendo os Espíritos respondido quanto à forma, Kardec fez um complemento à questão preliminar, querendo saber a cor dos Espíritos. A essa segunda pergunta, a resposta foi a seguinte:
“Têm uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.
Se prestarmos atenção, veremos que essa resposta tem uma característica estranha. Kardec perguntou, de forma inequívoca, pela cor da “chama ou centelha”. Os Espíritos, no entanto, nada disseram de cor. O que é uma cor “escura e opaca” ou uma cor “brilhante, qual a do rubi?” Note-se que a resposta nada fala da cor em si, destacando apenas o brilho. Nos ocorreu ter havido um equivoco de tradução, o que nos fez recorrer ao original em Francês:
"Pour vous, elle varie du sombre à l'éclat du rubis, selon que l'Esprit est plus ou moins pur”. (Para vós, ela varia do sombrio ao brilho intenso do rubi, conforme seja o Espírito mais ou menos puro).
Como vemos, no original, a palavra cor (“couleur”) sequer foi usada na resposta. De fato, tudo o que se obtém da resposta é que os Espíritos mais atrasados são vistos como uma sombra escura e os mais adiantados com uma chama intensamente brilhante deles emanando.
Essa resposta e sua interpretação coincidem com o que nos passam a diversas tradições religiosas, que reportam que os anjos e santos ofuscam nossos olhos com seu intenso brilho, ao passo que os chamados demônios são ditos “espíritos das trevas”, devido à sua aparência sombria.
É interessante notar que a resposta dos Espíritos tanto é válida se estivermos falando do Princípio Inteligente quanto se estivermos falando do Espírito, isto é do Princípio Inteligente acoplado ao perispírito.
Teriam os Espíritos se furtado a falar da cor por ser ela de somenos importância ou teria sido por serem as cores em questão além de nossa capacidade visual? Por alguma razão não o fizeram e por alguma razão Kardec não os redargüiu a respeito, dando-se por satisfeito em confirmar o brilho.
Uma Aventura pela Questão da Freqüência
Apesar de nada terem dito os Espíritos a Kardec sobre a cor em si, a sub-questão “a” nos oferece uma boa oportunidade para estudarmos um pouco a questão da freqüência emitida pelos Espíritos, como é percebida pelos médiuns videntes, como nos reporta a tradição e como é entendida pela Ciência humana.
Sabemos, das noções básicas da Física, que, no espectro da luz visível, a cor vermelha corresponde às mais baixas freqüências percebidas, correspondendo o violeta às freqüências mais elevadas que o olho humano consegue ver.
A tradição, que nada mais é que o acúmulo dos testemunhos dos médiuns videntes através dos milênios, parece confirmar que a noção que obtemos da Física pode ser utilizada. Todas as tradições religiosas sempre associaram a cor vermelha aos demônios e Espíritos perturbadores enquanto a cor branca sempre foi associada aos anjos e demais Espíritos elevados.
Alguém poderia levantar a questão: “É verdade que os demônios são representados tradicionalmente na cor vermelha, mas as representações dos anjos e demais Espíritos elevados utilizam, predominantemente, a cor branca ou, se muito, anil e não à cor violeta”.
A própria Física nos ajuda a entender o que ocorre. O branco visível nada mais é que a mistura equilibrada das cores básicas ou de todas as cores. Ora, os Espíritos mais adiantados necessitam adequar sua vibração à dos médiuns videntes que os enxergam com sua visão sutil. Por outro lado, o seu adiantamento moral deve produzir uma determinada vibração elevada mesmo quando em contato com Espíritos menos evoluídos que requerem deles uma vibração mais baixa.
Isso sugere, a nosso ver, que eles tenham capacidade de vibrar em mais de uma freqüência simultaneamente. Se supusermos que os Espíritos mais evoluídos podem vibrar em diversas freqüências simultaneamente, quando desejam entrar em contato com diversos Espíritos em estágios diferentes de evolução ao mesmo tempo, o resultado visual dessa simultaneidade de emissão de freqüência tenderá ao branco, como percebido pelos videntes.
Agora que já nos aventuramos pelos domínios da cor, vamos utilizar o relacionamento entre as freqüências de vibração e a temperatura e nosso conhecimento sobre o que nos diz a tradição para ver se chegamos a uma conclusão semelhante.
Ao longo dos séculos, a proximidade de Espíritos perturbados ou perversos sempre foi percebida como uma sensação de frio pelos médiuns. A temperatura fria corresponde à baixa freqüência de vibração (o mesmo que a cor vermelha). Os Espíritos evoluídos, por outro lado, sempre foram percebidos como tendo temperatura agradável e não como quentes, o que corresponderia a uma alta freqüência de vibração. Ora, a temperatura agradável significa exatamente o cuidado que o Espírito evoluído tem em tornar igualmente agradável a sua aproximação, guardado, pois, um paralelo com a cor branca.

Quanto à Criança Cristal...Qual a cor do cristal? Qual o brilho do cristal?

Sábio foi Kardec ao criar novos termos à novos conceitos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Pedagogia Espírita e as crianças índigo


“Devendo fundar a era do progresso moral, a nova geração distinguese por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que constitui o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior.”

Allan Kardec

Cabe à Associação Brasileira de Pedagogia Espírita se manifestar oficialmente a respeito do tema crianças índigo, já que se trata de um assunto eminentemente pedagógico. É lamentável que dentro da tradição pedagógica espírita que temos no Brasil, desde Eurípedes Barsanulfo, passando por Anália Franco, Ney Lobo, Herculano Pires e hoje, alcançando foros de movimento nacional, com cidadania acadêmica, apareça em nosso meio um modismo pedagogicamente perigoso como esse das crianças índigo.

Algumas questões são muito graves do ponto de vista pedagógico: em primeiro lugar, é a concepção elitista, eugenista, de classificar os seres humanos, que fere o princípio da
igualdade entre todos. Filhos geneticamente modificados seriam superiores (fisicamente)
aos pais e em toda a literatura índigo, a interferência educacional da família parece um
estorvo na vida das realezas índigo!

Segundo ponto que nos parece particularmente problemático é justamente a recomendação
de uma certa renúncia à função educativa dos pais e responsáveis, já que as crianças índigo já vêm prontas. Aliás, na teoria ,original, são anjos extra-terrestres! Ora, sabemos que todos os Espíritos que reencarnam na terra, mesmos o mais evoluídos (que não é o caso desse modelo apresentado por Lee Carrol e Jan Tober e, mais particularmente por Nancy Ann Tappe, de crianças que matam, que roubam e com tendências viciosas), precisam de um processo educativo.

É claro, que a educação deve ser amorosa, respeitosa da personalidade reencarnante – mas isso vale para toda e qualquer criança, aliás, para todo e qualquer ser humano. No livro Educando Crianças Índigo, entre outras heresias pedagógicas, que fariam Comenius e Pestalozzi perderem as estribeiras, o autor Egidio Vecchio diz que a criança índigo:

“Necessita da parceria de pais e professores que se adaptem à sua condição atípica, em lugar de, como acontece freqüentemente, pretender adaptá-la a uma educação voltada aos que não possuem os mesmos recursos de que os índigo dispõem.”
Ou seja, elas são tão diferentes, que todos precisam se adaptar a elas e só elas merecem ou devem ter uma educação nova e diferente. Desde o século de Comenius, os grandes educadores
vêm lutando para promover uma reforma completa no modo de educar, que atinja a todos os seres humanos indistintamente e não alguns privilegiados, que supostamente sejam melhores que os outros. Já se imaginou o tamanho da vaidade, da prepotência e do orgulho que esse absurdo educacional vai provocar nessas mentes que estão chegando? Dizer a uma criança que é
preciso aceitar “que é um ser diferente dos outros” cria de imediato um abismo nas relações
humanas e um soberano desprezo pelo resto da humanidade.

A proposta pode criar monstrinhos que se julguem acima do bem e do mal e que não tenham
a mínima noção de convivência igualitária com o próximo. E pensar que estamos desenvolvendo seriamente uma proposta baseada em Comenius, Rousseau, Pestalozzi, Kardec, com inspiração
nos grandes educadores espíritas brasileiros, e dentro do próprio movimento, ignorando
ostensivamente o esforço de se firmar uma Pedagogia Espírita consistente e atual, escapa-se
por esse delírio pedagógico que, se aplicado, tenderá a deformar as personalidades do futuro!

Dora Incontri
Alessandro Cesar Bigheto

Edição Especial do jornal Mensagem - Crianças Índigo

Um exército salvador?Seres azuis, privilegiados, escolhidos, poderão mudar o planeta? Onde estão eles?

O ser humano adora o mágico; no tempo e no espaço criou histórias, mitos e as qualidades
e defeitos do indivíduo da Terra aparecem em mensagens fabulosas. Jung explica que temos em nosso psiquismo vários arquétipos, entre os quais o sombra e o herói surgem até nas fábulas. Não
compreendemos que somos responsáveis pela extinção da sombra pelo herói, nossa luz interior, acesa por nossa capacidade de amar.

O endeusamento dos médiuns no tempo e no espaço e sobretudo nas casas espíritas,
é fruto desse desejo de milagre, da intervenção espetacular do mundo espiritual
para resolver nossos problemas. Uma varinha mágica transformaria nosso sofrido
planeta em um mundo de paz. A guerra e o sofrimento desapareceriam, não devido
ao nosso amadurecimento e trabalho, mas por processos misteriosos.

Livros que apresentam anjos, viagens libertadoras até caminhos especiais, super
heróis, vendem mais do que qualquer outro no mundo todo. Nessa linha surgiu um
livro: “Crianças índigo”, trazendo seres especiais, com o corpo energético azul, prontos
a acabar com os problemas do nosso planeta que, mesmo azul, não conseguiu resolvê-los. Alguns dizem que os fumantes ficam com o perispírito azul, o que mostra que a cor não é tão favorável quanto imagina o casal que criou a teoria absurda das crianças índigo.

O interessante é que os espíritas, os últimas convidados da parábola do Festim de Núpcias, ficaram apaixonados pelas crianças azuis. Ah! Finalmente seríamos salvos de nós mesmos; não pelo sangue de Jesus, nem pelos espíritos de luz que nos protegem, estimulando-nos ao desenvolvimento espiritual... Não, apenas um grupo de espíritos vestidos de azul (minha sorte
então mudou), que começariam auxiliando os pais na grande transformação do mundo
de provas e expiações para mundo feliz.

Políticos corruptos, profissionais incompetentes, egoísmo e orgulho, seriam varridos
da Terra simplesmente com o trabalho de um punhado de crianças e adolescentes especiais.
Onde está esse exército de seres luminosos e azulados? Entre os monges tibetanos,
alguns tão necessitados? Escondidos no Amazonas? Esperando com seus olhinhos espertos e suas flechas embebidas na essência do amor, o momento de atingir os habitantes ainda necessitados moralmente desse planeta da cor do céu? E o que aconteceria então? Todos se transformariam em anjos e toda a Terra seria um palco maravilhoso no qual permaneceríamos abraçados, mergulhados em nosso sonho cor do mar. Os pássaros começariam a cantar , os animais irracionais ficariam com os olhos marejados pela emoção e até as serpentes, antes venenosas, ficariam dóceis, amorosas.

Se foi pela ação de Eva que perdemos o paraíso, agora as crianças índigos o devolverão; sentemos e esperemos que o milagre em breve virá. Como diria Raul Seixas, “sentados, com a boca cheia de dentes esperando a mudança chegar...”

Mas os definitivamente rebeldes, aqueles que se negarem a tingirem o seu perispírito de azul, o que acontecerá com eles? Ah! Existe em outro livro, que alguns espíritas adoram, que apresenta o “Grande Planeta Chupão”, que, com um aspirador, os transportará para um mundo atrasado.
Perderão o paraíso que espera o azulado , não conseguindo a libertação trazida pelo exercito índigo. Enquanto isso nós, os bons, mas ainda não azuis, permanecemos sentados, não fazendo nada porque os meninos vieram para mudar; que eles façam tudo.

Mas onde estão? Saí a procurá-los. Não os encontrei nos lares economicamente fartos, nas mansões maravilhosas de Brasília ou de outro Estado. Também não estavam nos lares da classe média, menos ainda nas consideradas escolas boas de todo o Brasil.

Será que estariam na periferia? Nas favelas? Onde estariam escondidos os nossos jovens azuis, responsáveis pela transformação milagrosa da Terra? Não os encontrei.

Crianças mais desenvolvidas intelectualmente do que as gerações anteriores sim, mas necessitadas moralmente, deprimidas, angustiadas, rotuladas de hiperativas e outros nomes especiais, precisando urgente da verdadeira educação, que convencionamos chamar de espírita, que vem já desde os druidas, antes de Jesus. Necessitam do despertar de consciência do Mestre de Nazaré, do “amai o próximo como a si mesmo”.

Vi crianças e jovens desesperançados, olhos vermelhos, cambaleantes, dopados por drogas várias, morrendo como se fossem pássaros frágeis. Encontrei olhos vazios de amor, frios, cruéis, empunhando armas, tentando conseguir a ferro e fogo o amor que lhes falta e que julgam estar nas roupas caras ou nos tênis importados. Enxerguei um exército de meninas grávidas, incompetentes para lidar com as próprias emoções e incapazes de educar os filhos que carregam
no ventre. Ouvi filhos gritando com os pais e assustada percebi que os responsáveis pela educação desses reencarnantes não sabiam o que fazer. Encontrei nos noticiários filhos matando seus pais ou avós. Mas onde estavam os índigo? Teria o “Planeta Chupão” ficado confuso e onduzido o grupo especial para planetas primitivos? Será que o comandante índigo teria pensado que a Terra não teria mais jeito? Onde estão nossos índigos?

Continuei minha procura e encontrei crianças e jovens normais, muito inteligentes, porque vieram trabalhando as suas possibilidades de pensar através dos séculos, mas com necessidades morais, exigindo amor e trabalho dos pais. Senti a importância da apresentação adequada do trabalho de Jesus para o despertar da força interior; das explicações dos livros básicos de Kardec sobre o “Orai e Vigiai” do Cristo. Sorri feliz, lembrando que o futuro será de luzes, não por milagre, nem pela presença de grupos azuis ou amarelos ou vermelhos, mas pela educação exercida através do esclarecimento da Doutrina Espírita, na conscientização de que todos somos especiais, criados da mesma forma por Deus, necessitando do esforço próprio e da educação que dilata a capacidade de amar, a humildade e extingue o orgulho e o egoísmo...

Heloísa Pires

Edição Especial do jornal Mensagem - Criança Índigo

A visão científica sobre as crianças índigo II

Não existe nenhuma investigação científica a respeito de uma possível mudança de DNA nas novas gerações

O termo índigo provém de uma sensitiva chamada Nancy Ann Tappe que, sem nenhum critério
de cientificidade, baseou-se única e exclusivamente na sua “habilidade” em classificar as
personalidades das pessoas segundo a cor das suas auras. De acordo com ela, essas crianças
apresentariam uma aura azul com predominância da tonalidade índigo.

Essas crianças apresentariam algumas alterações, seja no seu DNA ou mesmo na sua estrutura
cerebral. Consultando o PubMed que é um serviço oferecido pela Biblioteca Nacional de
Medicina do Congresso dos EUA e que inclui mais de 16 milhões de citações do MEDLINE e
outros jornais de ciências da vida, não existe uma única referência, estudo ou pesquisa envolvendo essas crianças.

Segundo informações, descritas na literatura New Age, as crianças índigo nasceriam com
parte do seu DNA mais “ativado” que a maioria das pessoas. Essa ativação “extra” lhes permitiria acessar informações de uma dimensão espiritual superior, dando-lhes como conseqüência habilidades especiais. Essa informação necessita de demonstração científica e não existe qualquer teoria de como, onde e de que forma ocorreria essa ativação, nem de que maneira essa ativação de algo material poderia acessar algo espiritual. Embora alguns dos autores sobre a literatura índigo tenham formação e mesmo pós-graduação em psicologia, o termo criança índigo não é reconhecido no campo da psicologia, nem na biologia ou da pediatria.

Os poucos cientistas que fizeram uma análise superficial da questão advertem na verdade
que crianças educadas como índigo tenderão a adotar comportamentos sociopáticos, tais
como um senso de superioridade, alienação e uma identidade paranormal bizarra.
Outra alegada habilidade dessas crianças seria a de possuírem uma estrutura cerebral diferente
no que se refere ao uso dos hemisférios esquerdo e direito, com um predomínio do lado
direito. Em desacordo inclusive com as alegadas habilidades, sendo uma delas a capacidade
de abstração precoce, função esta coordenada pelo hemisfério esquerdo. Mais uma vez
não existe qualquer estudo evidenciando isso. Muitas dessas crianças classificadas como índigo
na verdade se enquadram dentro de uma condição, Desordem Hiperativa do Déficit de
Atenção, bastante estudada pela medicina, inclusive com vários estudos publicados em revistas
especializadas.

Muitas das habilidades atribuídas às crianças índigo resultam de uma melhor alimentação, o
que permite um desenvolvimento orgânico mais completo, além disso as crianças do mundo moderno estão sujeitas a uma grande, variada e precoce exposição a diversos estímulos intelectuais tais como computador, televisão, rádio, revistas etc.

Concluindo, entendemos que as afirmações no que se concerne às características biológicas
das crianças índigo carecem completamente de investigação científica e devem ser tomadas
como infundadas ou pseudo-científicas.


Franklin Santana Santos

Edição Especial do jornal Mensagem - Criança Índigo

A visão científica sobre as crianças índigo

A tendência eugenista


Além do caráter pseudo-científico das teorias de mutação genética das crianças índigo,
há ainda outra conotação ideológica perigosa: trata-se de uma teoria eugenista,
de mutantes com superioridade genética.

Se Nancy Ann Tappe se refere a “um novo conceito de sobrevivência” dessas crianças,
que matam quem se está em seu caminho, então temos aí uma filosofia nazista de sobrevivência
da lei do mais forte, com plena justificativa moral.

Vejam-se algumas pérolas pseudo-ceintíficas retiradas do livro Educando crianças
índigo, de Egidio Vecchio – Editora Butterfly: “Na década de 1970 vieram ao mundo
seres humanos muito especiais, portadores de uma mudança potencial em seu DNA.
(…) O DNA do índigo é diferenciado e é composto de substâncias químicas que estão
sendo identificadas e também de substâncias não-químicas que completam 12
hélices, além daquelas já conhecidas da ciência.

Se hoje pudéssemos penetrar o DNA de um índigo, descobriríamos uma energia
além daquela que é fisiológica, que informa o cérebro, gerando a possibilidade de
uma conscientização que não depende dos elementos químicos conhecidos por nós,
mas que realmente existem.”

“O índigo constitui, pois, um novo tipo de criança que vem ao mundo com um DNA diferente,
com predisposições cromossômicas para manifestar comportamento diferente
e superior a tudo o que conhecemos como próprio do ser humano.”

“O único fator que freqüentemente impede o desenvolvimento do índigo na sua plenitude – alem da desinformação generalizada – são os resíduos genéticos dos pais, que se misturam, ainda, com as características do novo código, próprio de uma nova evolução em andamento. Quanto maior for a influência genética, maiores serão os obstáculos que as crianças terão para desenvolver
seu “DNA capacitado”. Isto requer a intervenção de um profissional que oriente o índigo, sua família e seus professores.”

Dora Incontri

Edição Especial do jornal Mensagem - Criança Índigo

Crianças índigo seriam mais evoluídas espiritualmente?

A visão espírita e a teoria científica das inteligências múltiplas tem tudo a ver. Mas a idéia das
crianças índigo e cristal não fazem sentido.

Quando escrevi pela primeira vez sobre os “índigos”, em fevereiro de 2006 para o site da Fundação Espírita André Luiz *, meu objetivo era levantar alguns pontos de reflexão entre os
espíritas, porque observava um número crescente de questões relacionadas ao tema nos
grupos onde comparecia para dar palestras e seminários.

Muitos pais me procuravam para falar de suas crianças e solucionar dúvidas. Na tentativa de me informar melhor sobre o assunto, já que não é prudente falar de coisas sobre as quais pouco ou nada se sabe, busquei informações e notei, nos materiais pesquisados, diversas e graves incongruências em relação aos conceitos espíritas que me acompanham há mais de vinte anos, incongruências que tornavam a tese das crianças índigo, no mínimo, incompatível com os princípios do Espiritismo.

Apesar disso, temos visto o interesse entre os espíritas aumentar, havendo pouco ou nenhum
critério doutrinário nas afirmações que se ouvem em palestras promovidas por entidades espíritas e que se lêem nos artigos e publicações espíritas referentes aos índigos e, também, às
chamadas “crianças cristal”. Instituições idôneas que patrocinam tais eventos e publicações, e
que associam seus nomes à divulgação da tese dos índigos e cristais, talvez ignorem certos fatos
relevantes.

Até onde nos é dado saber, Nancy Ann Tappe foi a primeira pessoa a identificar e a escrever
sobre as “crianças índigo”, denominação que, segundo ela mesma, refere-se à cor de sua
aura, indicativa de qualidades espirituais bastante diferenciadas das outras crianças.
Tais qualidades seriam devidas à sua missão de colaborar com a presente fase da evolução
de nosso planeta e, por esta razão, estariam reencarnando na Terra a partir da década de
70.

As primeiras comunicações (ou “canalizações”) a respeito da missão dos índigos nos
chegaram a princípio por um único médium, Lee Carroll, nas comunicações de um único espírito,
Kryon. Não houve o que Herculano Pires chamou de uma “invasão organizada” dos Espíritos
elevados, mas o trabalho isolado de um indivíduo que ganhou adeptos e publicidade, o
que explica a multiplicidade de grupos compartilhando atualmente as mesmas idéias. Somente
isto já vai de encontro ao princípio da universalidade dos ensinos dos espíritos, critério que
Kardec recomendou para se avaliar a veracidade do conteúdo de uma mensagem.

Alguém, entretanto, poderia argumentar que não importa muito quem descobriu o fato das
crianças índigo e cristal, quem primeiro trouxe à baila tais idéias, se encontrarmos formas de
justificar tal crença dentro de critérios racionais e lógicos do Espiritismo.

Contudo tal justificação, com o rigor que ela exigiria, não existe. E as características e o
comportamento observados nessas crianças, descritos inclusive na obra dos próprios Carroll
e Tober, os co-autores de “Indigo Children”, estão muito longe de testemunhar algum progresso
espiritual excepcional.

O ponto de vista das inteligências múltiplas Diferente da tese dos índigos e cristais, a teoria
das inteligências múltiplas possui credibilidade científica e conta com mais de vinte anos de
pesquisas sérias.

Na década de 80, Howard Gardner, psicólogo de Harvard, começou a questionar as formas
de avaliar a inteligência como uma capacidade inata, geral e única, dirigida à manipulação de
conceitos lógico-matemáticos e lingüísticos. Ao acompanhar o desempenho profissional de diversas pessoas, o psicólogo se surpreendeu ao verificar que muitos daqueles que alcançaram
sucesso e viviam satisfatoriamente, haviam sido alunos fracos ou medíocres, enquanto aqueles
que haviam sido estudantes aplicados e tirado boas notas nem sempre obtinham semelhante
êxito. Questionando o tipo de avaliação feita nas escolas, ele verificou que elas não incluíam
capacidades que eram essenciais para a realização e a felicidade humanas.

Graças ao desenvolvimento das tecnologias de investigação do cérebro, Gardner provou
que as demais faculdades, desprezadas pela escola, também são produto de processos mentais
e passíveis de se desenvolverem. Concebeu a partir daí uma ampliação no espectro das inteligências para abarcar habilidades musicais, cinestésicas, interpessoais, intrapessoais, lógicomatemáticas, lingüístico-verbais, espaciais**, considerando cada uma delas uma capacidade
em si mesma de resolver problemas e desenvolver produtos significativos numa comunidade
ou ambiente cultural.

O que me chamou a atenção, no primeiro seminário sobre inteligências múltiplas de que
participei, foi a coerência destas idéias com os postulados da Filosofia Espírita.
Por exemplo, foi constatado que todos os seres humanos possuem todos estes tipos de inteligência, o que concorda perfeitamente com a concepção espírita da Lei de Igualdade. O
que cada ser possui, de fato, são diferentes graus de desenvolvimento para cada uma das
inteligências. (Quer dizer que alguns têm maior progresso nas habilidades musicais, enquanto
outros são proficientes em matemática, ou em desenho.) A Doutrina Espírita também nos diz que todos possuímos os germes de todas as faculdades, que apenas aguardam para desabrochar em nós, o que ocorre num processo que obedece à Lei de Evolução.

Voltando à análise do comportamento dos índigos, notamos que eles possuem desenvolvimentos
bastante desiguais dentro do quadro das inteligências múltiplas. Suas características agressivas, a dificuldade de convivência e de compreensão do outro, as suas reações violentas e gestos francamente cruéis, mostram que pouco evoluíram no aspecto interpessoal, embora possam apresentar desempenho surpreendente em outros setores. Os impulsos autodestrutivos com a drogadicão, revelam baixa auto-estima, relacionada a uma inteligência intrapessoal ainda pouco desenvolvida.

O argumento ganha força quando nos lembramos de que toda a doutrina do Cristo, modelo
máximo de evolução moral para o nosso planeta, era voltada ao cultivo de habilidades
intrapessoais e interpessoais: aprender a amar a si mesmo, amar o próximo, perdoar, ser humilde e compreensivo, oferecer ao ofensor a outra face.

O desequilíbrio emocional em muitas dessas crianças mostra o quanto elas ainda têm de caminhar para atingir um alto grau de evolução como Espíritos – aliás, tanto quanto cada um
de nós. Seria preciso desconhecer tais implicações da teoria das inteligências múltiplas, do Cristianismo e do próprio Espiritismo, para aceitar que crianças chamadas “índigo” são espiritualmente superiores a qualquer outra.

* Refere-se ao texto “Crianças índigo: uma simples opinião”, que pode ser acessado em http://www.feal.com.br/colunistas.php?col_id=20 .

** A classificação alterou-se daquela época até hoje,até mesmo pela contribuição de outros pesquisadores.
Mas a concepção original de Gardner ainda persiste.

Rita Foelker

Edição Especial do jornal Mensagem - Crianças Índigo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

As Crianças Índigo e Cristal - pela ciência

As Crianças Índigo e Cristal

Charlet C. Estes, excertos do original publicado em SkepticReport
tradução gentilmente autorizada


"Estes lindos seres são diretos e então podem ter parecido grossos a você. Suportar o tédio é seu maior desafio".
Uma citação direta do "grupo", como canalizado e citado em MetaGifted.org

De acordo com Lee Carroll, um homem formado em administração e economia e quem, antes de se tornar o escritor extremamente lucrativo e o "profeta" canalizador que é hoje, administrava um negócio de áudio na Califórnia, as Crianças Índigo são uma nova raça geneticamente única de crianças que possuem um conjunto muito específico de características de personalidade, e que são unidas psiquicamente a Kryon, um ser que dizem ser uma entidade sem corpo de uma ordem diferente que a humana, que "tem estado com a Terra desde o começo". Quando canalizado por Carroll, Kryon é conhecido por se apresentar da maneira seguinte: "Eu sou Kryon do serviço magnético".

Suas mensagens são supostamente dirigidas a humanos que desejam "ascender a um nível vibracional mais alto". Os humanos, de acordo com o profeta, foram feitos de espécies sub-humanas nativas da Terra que já existiam e que foram modificadas por uma raça avançada das Plêiades, daí as descobertas de antropólogos que nos levam a acreditar na evolução natural. Aparentemente, como um encobrimento, todas as espécies existentes na Terra na ocasião foram sujeitas ao mesmo estilo de modificação, de forma que não seria aparente que os humanos haviam sido re-esculpidos. Eles fazem esta declaração, enquanto sem perder o fôlego alegam que, "os Humanos são seres essencialmente eternos que assumem encarnações na Terra para tomar parte em uma experiência importante sobre os efeitos do livre-arbítrio". Assim, seríamos nós os produtos de seres geneticamente modificados que evoluíram durante os anos, ou seres que são sobrenaturalmente encarnados? E por que uma civilização tão avançada estaria interessada em vir aqui, investindo tudo isso no homem primitivo de um planeta distante? As Plêiades, a propósito, eram associadas pelos Celtas ao luto e na astrologia com a tristeza, raiva e teimosia, o que é bastante apropriado quando ligado às crianças Índigo como veremos depois em nossa discussão das características de comportamento comuns dos Índigos.

Kryon não é apenas "um ser angelical fortalecedor e cheio de amor" como citado no Sedona Journal of Emergence, mas também um ser muito lucrativo. Carroll escreveu 11 livros sobre Kryon e as Crianças Índigo e foi co-autor de The Indigo Children e An Indigo Celebration com sua parceira, Jan Tober. Parece haver um grande mercado para artigos relacionados aos Índigos. Não apenas livros, como sites e lojas oferecem cristais, DVDs, CDs, guias de currículo, seminários ao vivo e à distância e há agora as chamadas "Escolas Progressivas" que oferecem um currículo especializado projetado especialmente para a inteligência sem igual e propriedades mentais/físicas de Crianças Índigo. Em um site da Web, há mesmo uma lista on-line seleta de música apenas para o aperfeiçoamento e prazer de Crianças Índigo, que inclui artistas como Outkast, Eminem, Bullit Nuts e Leggo Beast. Escolas e pesquisas especializadas em Índigos são particularmente populares na Hungria e Rússia. James Twyman, que co-produziu um filme sobre os Índigos, também vende cursos on-line, livros e administra seminários e conferências, além de cobrar bastante para participar em um curso na internet sobre suas aparentes conversas com o próprio Cristo. Ele possui um retiro e seminário de 42 acres para as crianças. Infelizmente, devido a ocorrências prévias em tais instalações, este tipo de descrição deixa um pouco de mau gosto.

Ok, então o que exatamente é isso que engloba esta tendência lucrativa e recentemente popular? As Crianças Índigo são na verdade de outro sistema estelar, descendentes de genes que sofreram uma mutação, manipulados por extraterrestres há um bazilhão de anos atrás para alguma experiência estranha sobre o livre arbítrio? De acordo com um website, um grupo de investigadores, cientistas, programadores e outros peritos determinaram que o que é conhecido como "DNA lixo" ou "seqüências não-codificadoras" são de fato extraterrestres em origem. Segundo investigadores do Projeto Genoma Humano, toda a vida na Terra até o menor esporo de fungo contém tais seqüências que não codificam, assim eles estão dizendo que toda a vida na Terra é na verdade vida extraterrestre transplantada? O que eles não nos dizem é o que eles teriam disponível como uma comparação... onde está o controle? Como eles sabem quais as propriedades do DNA extraterrestre para compará-lo ao nosso DNA lixo? Eles vão tão longe a ponto de alegar que este DNA lixo humano "tem suas próprias veias, artérias e seu próprio sistema imunológico que resiste vigorosamente a todas nossas drogas de anti-câncer".

Os tumores também.

As Crianças Cristal

A introdução sobre as Crianças Índigo é um precursor para outro grupo que supostamente começou a preparar seu retorno no ano 2000, As Crianças da Vibração Cristalina ou Crianças Cristal. De acordo com "o Grupo", o grupo mãe do qual mensagens são canalizadas por humanos que estão dispostos a recebê-las para a humanidade, os Índigos têm pavimentado o caminho, para dizer assim, para nossa evolução para o próximo nível, que é de acordo com o Grupo, as Crianças Cristal.

Crianças índigo são descritas como diretas e grossas, enquanto as Crianças Cristal são em contraste recatadas, introvertidas, criaturas suaves que têm uma atração empática a campos eletromagnéticos e problemas com eletricidade em excesso que, se elas não podem assimilar, serão refletidas e destruirão todos os eletrodomésticos elétricos em seu caminho. Elas possuirão sentidos físicos jamais experimentados por humanos comuns. Estas mensagens canalizadas contêm muita descrição das características e poderes destas crianças, indo tão longe a ponto de chamá-los de habilidades mágicas, porém, eu ainda preciso encontrar uma mensagem que indique um propósito definido para elas ou o que elas esperam realizar em detalhe. Encontro apenas que as Crianças Cristal estão aqui para mudar nosso modo de pensar, nosso modo de interagir com crianças, e "salvar o mundo e anunciar um mundo novo de paz."

Houve alegações coincidentes em outras partes do mundo. As Crianças de Abril, um grupo supostamente nascido na Grécia em abril de 1983, época de um evento cósmico incomum, era supostamente de inteligência maior que a normal, tinham alguma marca incomum em sua pele e reformariam o mundo. Ioannis Fourakis, um autor grego, escreveu um livro e vários artigos sobre este fenômeno e motivou um estudo universitário.

Ok, falemos sobre aura

Uma aura é descrita como "um conjunto de linhas contínuas, emanando da superfície de um objeto". Todas as coisas têm uma aura, que quando fotografada usando um método que existe desde 1939, chamado de Fotografia Kirlian (devido ao seu inventor Semyon Kirlian), mostra sucessões de cor variadas como um halo ao redor do objeto. Um tema favorito de fotografias Kirlian são fotos frontais do rosto, da qual se supõe ser possível discernir o nível de energia, saúde e bem-estar da pessoa fotografada. Também se acredita que indique habilidades extra-sensoriais ou a falta delas, e na teoria Nova Era atual como um indicador sobre se você é ou não Índigo. Supostamente, Crianças Índigo têm uma energia azul escura ou índigo emanando de si. A cor índigo é associada por médicos metafísicos com intensas habilidades psíquicas. Na cromoterapia, que é um método de cura pelo uso da cor seja pelo uso de objetos físicos ou através de luz colorida, a cor índigo pode ser benéfica no tratamento dos olhos, orelhas e sistema nervoso e ajuda a promover e intensificar o processo de intuição e clarividência. Supõe-se que dê poder à glândula pituitária que estaria ligada a habilidades mentais e psíquicas. Também dizem que ajuda com constipação crônica.

O problema com as auras é que tudo tem uma aura. Plantas, pedras, seu dedão, tudo. Aparentemente o sistema Kirlian detecta a combinação de eletricidade com a umidade/gás no objeto e a exibe no filme. Experiências com este método usado em um vácuo controlado não produz nenhuma imagem "paranormal" enquanto que o mesmo objeto fotografado fora do vácuo produz a "aura" familiar.

Adicionalmente, trabalhadores metafísicos clamam freqüentemente a habilidade de ver auras a olho nu e/ou de poder vê-las usando um tipo especial de "óculos" vendido em lojas Nova Era. O detalhe é que pessoas com enxaquecas, desordens do sistema visual, fadiga da retina e sinestesia freqüentemente relatam o mesmo tipo de visualizações. O cérebro, quando sob tensão ou mau funcionamento físico como em dores de cabeça vasculares, pode fornecer suas próprias imagens fantasma desta natureza.

(Infelizmente o blogger não está colocando a imagem, tentarei mais tarde)
Crédito da fotografia: Instituto Nacional de Saúde Mental

Scans PET parecem indicar que as pessoas com uma "aura" de cor índigo como descrita pelas crianças índigo como sendo uma evidência de sua inclusão na "nacionalidade" (ie serem descendentes de outra raça extraterrestre) pode ser na verdade indicativa de seja de TDAHI (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), ou de ter atividade cereberal menor em áreas específicas - ou globais - do cérebro.

Veja a imagem acima: Tomografia de Emissão de Pósitrons (PET), note que a imagem no lado esquerdo é de um cérebro "normal" funcionando e mostra várias cores, principalmente rosa/amarelo, enquanto que a imagem à direita lado é o cérebro de uma pessoa com TDAHI e mostra principalmente a cor "índigo"-ie a aura índigo. Note também que em um scan PET as cores azul ou preto (ie índigo) indicam atividade menor ou ausente na região cerebral.

Agora que apresentamos as crianças Índigo/Cristal e seus criadores

... vamos raciocinar juntos, para dizer assim. As características destas crianças são listadas como segue: (Coincidência com duas outras síndromes comuns também são listadas):

Característica Índigo
Sintomas de Asperger (SA) e Sintomas de DA/TDAHI
Uma criança que fica frustrada com sistemas orientados por rituais - SA e DA/DTAHI
Uma criança que "melhora" métodos estabelecidos ou faz coisas de um modo incomum todo seu - SA e DA/DTAHI
Um não-conformista - SA e DA/DTAHI
Recusa a responder à autoridade ou sentimentos de culpa - SA e DA/DTAHI
Fica rapidamente entediada com tarefas designadas - SA e DA/DTAHI
Mostra sintomas de Déficit de Atenção
(eles admitem este aqui prontamente) - DA/DTAHI
Uma criança extraordinariamente criativa para sua idade - SA
Intuitiva além de seus anos - SA
Exibe pensamento abstrato muito cedo - DA/DTAHI
Inteligência incomum, um prodígio, chegando ao superdotado - SA
Um sonhador - SA e DA/DTAHI
Olhos muito profundos, sábios - SA e DA/DTAHI
Uma exibição incomum de inteligência espiritual - SA
Parecem anti-sociais a menos que estejam com outros de mentalidade mente ou comportamento similar - SA e DA/DTAHI
Introvertida - SA
Exigente - DA/DTAHI
Ignora palavras faladas ou parece ignorar as pessoas quando lhe falam - SA e DA/DTAHI
Não segue instruções ou deixa tarefas inacabadas, evitando tarefas que requerem organização - DA/DTAHI
Não espera a sua vez, não respeita os direitos de outros, respondendo uma pergunta antes que ela seja terminada, corrigindo repetidamente outros e especialmente os adultos, interrompendo as atividades de outros em horas impróprias DA/DTAHI

De acordo com Carroll e Tobar, os Índigos parecem egoístas e exigentes quando suas necessidades não são satisfeitas imediatamente, e freqüentemente agem como se fossem da realeza e não têm nenhum problema em expressar seu próprio valor, têm dificuldade com autoridade e não se submetem, esperar em uma fila é difícil para eles. Todos estes são sintomas do TDA/TDAHI e em alguns casos da Síndrome de Asperger. Índigos também estão supostamente vibrando energicamente a uma freqüência mais alta e são afetados por energia negativa (humana ou de máquinas), e têm mais problemas com sensibilidade ambiental e com alimentos -- estes problemas são observados na maioria das crianças diagnosticadas com a Síndrome de Asperger assim como muitas outras com Desordens do Espectro Autista. As crianças com estas desordens têm freqüentemente dificuldade com a sobrecarga sensória e são extraordinariamente sensíveis a som, cheiro ou gosto e muito freqüentemente extremamente sensíveis ao toque.

Índigos são supostamente aprendizes visuais/espaciais, com o cérebro direito dominante. As características deste tipo de aprendizes incluem problemas de leitura/escrita/soletragem apesar de ter inteligência ou "bom senso", eles freqüentemente têm problemas de comportamento severos, normalmente obtêm altos pontos em testes psicológicos e de inteligência mas se saem academicamente mal em ambientes de sala de aula, são normalmente muito criativos nas áreas de arte, drama, música, etc., pensam e entendem com imagens em lugar de diálogo interno, ou freqüentemente não têm muita coordenação física. Todas estas características podem ser observados prontamente em Desordens do Espectro Autista bem como no TDAHI e outras desordens de desenvolvimento.

Os professores no campo de Educação Especial experimentam freqüentemente com métodos de ensino alternativos ao trabalhar com crianças ou muito talentosas com problemas de desenvolvimento. Alguns destes métodos incluem múltiplos auxílios de inteligência e estratégias visuais para alguns estudantes contra a aprendizagem auditiva para outros, como também abordagens criativas e aprendizado personalizado, projetos baseados no currículo, estratégias de aprendizado direcionadas a crianças e uma aprendizagem de sala de aula auto-suficiente. Todos estes métodos são amplamente aceitos e recomendados para crianças com a Síndrome de Asperger, TDA/TDAHI e outros problemas de aprendizado, e também são listados especificamente como métodos pedagógicos sugeridos para salas de aula de aprendizagem alternativa para crianças Índigo.

Se esta não é coincidência o suficiente com problemas de aprendizagem comuns, em um artigo chamado "Compreendendo Por que a Violência Escolar está Acontecendo", Wendy Chapman, diretor de MetaGifted.org, declara:

"Eu gostaria de comentar sobre este mais recente incidente de violência escolar no Colégio Santana e outros episódios de violência escolar que ameaçam muitas escolas recentemente. Os perpetradores destes atos são Crianças Índigo como são muitas outras crianças em nossas escolas hoje, e estes atos podem ser prevenidos..

Índigos são ou muito calorosas e atenciosas ou são exatamente o oposto e bastante frios e apáticos. Eu acredito que Índigos que são frios e os mais propensos a ficarem violentos são aqueles que tiveram que criar um escudo emocional tão denso por causa de dor emocional como crianças que já não se importam e desejam causar dano a pessoas em vingança pela dor em suas vidas.

Índigos precisam ser vistos como no mesmo nível que adultos. Eles precisam de respeito. Precisam de LIBERDADE para se desenvolver, equilibrada com SUPERVISÃO e limites de SEGURANÇA.

Sua não-conformidade a sistemas e disciplina tornarão difícil passar pelos seus anos de infância e talvez até mesmo seus anos de vida adulta."

Não seria todo grupo de crianças seja muito compassivo e atencioso ou frio e apático? Muitas crianças humanas" normais" não passam por dor emocional e às vezes buscam vingança? E muitas crianças com atrasos ou problemas de desenvolvimento não exibem não-conformidade a sistemas e disciplina - é não é por causa disso que reconhecemos que elas têm uma síndrome em primeiro lugar?

Olhemos para alguns problemas de desenvolvimento que têm paralelos com características das crianças chamadas Índigo.

Como vimos antes, há a Síndrome de Asperger e outras síndromes PDD-NOS (desordem de desenvolvimento pervasiva não especificada) que fazem parte das Desordens do Espectro do Autismo. É interessante que um dos critérios para rotular uma criança como Índigo são níveis de inteligência incomum para a idade cronológica. Hans Asperger, que primeiro identificou a Síndrome de Asperger, freqüentemente chamou seus pacientes de "Pequenos Professores". Alguns dos sintomas de Asperger ou Autismo de Alto Funcionamento coincidem com Índigo são peculiaridades de fala ou linguagem, dificuldade social e emocional e dificuldade de aceitação por outros em um grupo típico, problemas em entender e interpretar comunicação não-verbal como linguagem corporal e expressão facial, padrões de pensamento excessivamente técnicos freqüentemente corrigindo outros em diferenças insignificantes em dialeto ou idéias e freqüentemente interpretando mal piadas ou sarcasmo de um modo lógico e seco, falando pedantemente, paranóia, tendo uma inabilidade de aceitar mudanças em rotina, sensibilidade extrema a luz, toque, sons, gostos e às vezes cheiros. Crianças com Síndrome de Asperger têm grandes chances de possuir TDAHI e Desordem Obsessivo-compulsiva comórbida. As pessoas com a síndrome de Asperger mencionam muito freqüentemente um sentimento de estarem desligadas do mundo ao redor deles e freqüentemente se retiram ou ficam problemáticas em seus padrões de comportamento.

Esquizofrenia tem menos sintomas coincidentes que a Síndrome de Asperger: alucinações sensórias ou sensibilidade sensória extrema, distorções visuais (que pode coincidir com a percepção de Índigos possuíram PES ou poderem ter visões), ilusões ou convicções fortes como acreditar que se é superior ou da realeza, ou ser de outra raça que não a humana, pensamento tangencial ou possuir padrões de pensamento compulsivos incontroláveis.

Desordem de Conduta, Desordem de Personalidade Anti-social e Desordem Desafiante Oposicional (ODD) também partilham características comuns com Índigos que incluem comportamento muito agressivo, intimidação, falta de culpa, baixo limiar de frustração, desafio/não-conformidade, ansiedade e uma atitude de confrontos.

Indivíduos com sintomas Bipolares, especialmente crianças, freqüentemente exibem o seguinte durante episódios maníacos: crenças irreais em suas próprias habilidades, um sentimento de superioridade ou pensamentos de si mesmos como sendo indestrutíveis, alucinações, ilusões de ser alguém de grande poder, como ser realeza ou mesmo deidades. Estes sintomas são muito mais pronunciados em crianças que em adultos. Soa muito como os sintomas de Índigos.

Também há algo chamado sinestesia na qual os caminhos sensórios de uma pessoa são de alguma maneira cruzados e eles podem "cheirar" um som ou podem "tocar" um gosto, etc. Freqüentemente isto resulta em percepção sensória exagerada e intolerância a certos sons, cheiros, ou coisas ásperas, inclusive a sensação de um choque elétrico através de certas texturas.

O TDAHI (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) também parece se ajustar muito bem ao quadro ao explicar os Índigos. Há três tipos de TDAHI em si mesmos, mas é tão freqüentemente comórbido com outras síndromes, muito freqüentemente com Desordem Bipolar, que a lista de subtipos poderia ser considerada infinita. Os três subtipos individuais são hiperativo-impulsivos, desatentos e combinados. A criança com TDAHI combinada com desordem Bipolar exibirá sentimentos de superioridade, humor soberbo e possivelmente padrões de fala rápidos e "adultos". TDAHI pode ser descrita de certo modo como não tendo nenhuma "Percepção de Profundidade Intelectual", em outras palavras tudo ao que a criança é exposta é igualmente importante em sua mente. A pessoa na parte de trás da sala rabiscando em um papel está na mesma categoria de importância na mente da criança que o professor na lousa ou a cadeira em sua frente. Ela não pode separá-los com relação à sua importância, tudo se mistura.

A última desordem a ser considerada é McDD ou Desordem de Desenvolvimento Complexo-Múltipla. Esta é uma desordem do espectro autista. Crianças com McDD são freqüentemente ou muito atentas ao ponto de serem controladores, ou totalmente opostas com relação àqueles em autoridade, freqüentemente uma criança com McDD fingirá ser bastante complacente simplesmente para adquirir o que quer, e então se tornam imediatamente opositoras. Elas entretêm freqüentemente pensamentos mágicos irracionais ou pensamentos que são muito mais sofisticados que colegas na mesma faixa etária cronológica. Elas têm uma tendência para confundir realidade e fantasia ao ponto da inabilidade de funcionar em situações sociais, e podem ter ilusões que produzem pensamentos de ter poderes onipotentes, e/ou paranóia. Todas estas foram listadas como características Índigo.

Uma outra nota de rodapé, a mídia é tão influente tanto em crianças como em adultos. Provavelmente 75% da programação para crianças lida diretamente com crenças e práticas Nova Era ou alternativas. Tudo de Yu-Gi-oh! a Avatar envolve material muito espiritual e influencia o pensamento e brincadeiras das crianças. Por exemplo, em 2006, o Dallas Observer noticiou um menino jovem que alegou ser um avatar que poderia reconhecer os quatro elementos de terra, vento, água e fogo e poderia ter 100 anos. Na época, a série animada Avatar era bastante nova e muitos não reconheceram os comentários do menino como sendo diretamente de um desenho animado.

As características descritas como "Índigo" também podem ser ligadas aos estágios de desenvolvimento de Piaget. No Estágio Pré-Operacional que normalmente dura até em torno dos 7 anos, a criança pensa na forma de fantasias, imagina como gostaria que coisas fossem e formula seus pensamentos para combinar com essas visões. A criança também pode esperar que outros pensem de uma maneira parecida. Quando o Estágio Concreto é alcançado, o pensamento se conecta mais com a realidade. Talvez as crianças Índigo tenham simplesmente se fixado no Estágio Pré-Operacional e, embora aumentam em conhecimento intelectual, nunca passam do estágio sócio/emocional de uma criança da pré-escola. Piaget, Vygotsky e Bruner todos ligam o desenvolvimento cognitivo à interação de contato social entre pares tanto da mesma idade como mais velhos. Se Índigos são separados de pares ao serem rotulados como "superdotados" ou "meta-superdotados", perderão esse desenvolvimento social que é uma parte tão integral do crescimento de toda criança, privados de um pedaço vital do quebra-cabeças.

Resumindo a história

É minha convicção, apoiada por fatos estabelecidos, que o "Fenômeno Índigo" é somente é um modo conveniente para pais que, por alguma razão, estão pouco dispostos a reconhecer a neurodiversidade de suas crianças, e preferem rotulá-las como algo não-humano, isto é, descendentes de outra raça longínqua. Não parece um caminho melhor aprender tanto quanto possível sobre as diferenças que nossas crianças exibem, de fato que todas as crianças exibem, (e agradecer por tal diversidade!) de forma a cuidar desses estilos de aprendizagem diferentes e promover excelência em todas as crianças? Dê-lhes as "ferramentas" de que precisam e relaxe as amarras, e as crianças se sairão bem por si mesmas, elas têm feito isto por milhares em milhares de anos, afinal de contas, a Mãe natureza não nasceu ontem, "ela" sabe o que está fazendo, deixemos que continue. Se não o fizermos, ela pode muito bem fechar a cortina.

http://www.ceticismoaberto.com/paranormal/criancas_indigo_cristal.htm

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Guris Azulíneos ... Índigos sem misticismo

Publicado em 09/9/2008 (275 leituras) http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=8050

Jorge Hessen

Nestas linhas a seguir refletiremos sucintamente sobre o tema "crianças índigos", agindo a priori com o método proposto pelo Espírito Erasto (1) , porque sem muito esforço de investigação identificamos no tema um certo ar místico que tem "oxigenado" alguns defensores de conceitos bastante discutíveis ante a prudência espírita.

Não é novidade que crianças mais inteligentes e espertinhas têm renascido atualmente em nosso Orbe. O embaraçoso, porém, é o clima de misticismo infiltrado nas notícias em torno do tema. Em verdade, estudos e pesquisas se multiplicam nos domínios da psicologia quanto às complexidades do mundo da criança. Cada uma delas é um campo de tendências inatas, com tamanha riqueza de material para a observação e, no território de criações da mente infantil, ser-nos-á fácil identificar a direção dos potenciais da criança, uma vez que os pequeninos, recém-vindos da amnésia natural que a reencarnação lhes impõe não conseguem esconder as próprias disposições no campo das tendências.

No livro Momentos de Harmonia (2), o Espírito Joanna de Angelis refere-se a novas gerações: "(...) dá-se neste momento a renovação do planeta, graças à qualidade dos espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de enobrecimento e de interesse fraternal". (Não se refere aqui a crianças "azuis").

Apesar de ouvir palestra do ínclito orador de Feira de Santana que aborda o tema com muita coerência, cremos que muitos confrades ungidos de fantasias e ilusões estão distorcendo as palavras do tribuno baiano . Crêem tais confrades que os mágicos "guris azulados" irão "salvar o mundo(!?...) talvez confundindo guris com gurus!...

Na condição de espíritas acreditamos que estejamos no limiar de uma nova era, a qual chamamos de regeneração. Para que ocorra este processo é necessário que a evolução dos espíritos aqui encarnados aconteça e que outros, mais preparados, reencarnem na Terra. Nesta premissa se encaixam os espíritos que estão reencarnando e sendo desnecessariamente identificados como índigos.

Os que escrevem sobre o tema entronizam o fato de que em Maio/99, Lee Carroll e Jan Tober, ambos escritores norte-americanos e palestrantes sobre auto-ajuda, publicaram o livro "The Indigo Children" (As Crianças Índigo), nele narrando suas observações sobre as crianças que estão chegando ao mundo. Porém na década de 80, Nancy Ann Tape, parapsicóloga, norte-americana, foi quem primeiro cunhou a expressão "crianças índigo" (3) com base na cor por ela observada na aura de crianças que de alguma forma se destacavam das demais.

Nancy escreveu um livro narrando suas observações: Understandig Your Life Through Color - Entendendo sua vida através da cor. A partir daí, tais crianças também passaram a ser denominadas de "Crianças da Luz", "Crianças do Milênio", "Crianças Estrela". Tudo isso soa estranhíssimo como estudante de Kardec. Embora considerando instigante o tema "crianças índigo", não o concebemos nem como comprovado ou comprovável, nem como reprovado ou reprovável muito embora o método adotado para tais afirmações ser bastante heterodoxo. Visualização de auras nos trabalhos acadêmicos atuais é problemático.

Nancy seria uma espécie de câmera de Kirlian, ou seja, ela "veria" campos eletromagnéticos, as cores e as freqüências. Destarte percebeu que existia uma cor da aura associada com alguns recém-nascidos. À época ela estava trabalhando no seu doutorado. Para ela cerca de 80% das crianças nascidas após a década de 80 são índigos.(!)

Crêem alguns que uma criança de "aura azulada" é aquela que apresenta um novo e incomum conjunto de atributos psicológicos e mostra um padrão de comportamento geralmente não documentado ainda, pois não existe no Brasil relatório conclusivo sobre o assunto e há pouco estudo sobre tais crianças por aqui , não conhecemos nenhuma pesquisa que constate essa incidência no País.

Afirma-se que tais crianças têm um sentimento de "desejar estar aqui", porém não se auto-valorizam(?)parecem anti-sociais ,sentindo-se bem com outras do mesmo tipo. Por esta razão a escola é freqüentemente difícil para elas do ponto de vista social. Porque segundo sustentam os "indigólogos", o modelo de ensino é sempre imposto sem muita interação, um modelo feito para o hemisfério esquerdo do cérebro, o racional, o lógico, incompatível com os azulíneos que naturalmente têm o hemisfério direito mais desenvolvido o que lhes dá o grande poder intuitivo, a grande capacidade de percepção extra-sensorial.

Crê-se que existem quatro tipos diferentes de "guris azulados" e cada um tem uma proposta: Os prováveis humanista que poderão trabalhar junto às massas humanas, Os conceituais que detêm um perfil mais técnico, os artistas que serão dotados de criatividade e os chamados interdimensionais que supostamente trarão novas filosofias e espiritualidade para o mundo.

A identificação das crianças cor de anil assinala seres dotados de bom potencial intelectual, porém destituídos de maior maturidade emotiva , visto que preferem a solidão , traumatizam-se quando erram ou se frustram quando suas idéias não são aceitas. Guris com auras da cor do céu podem ser criação do mercado de auto-ajuda norte-americano que confunde espíritas e professores mesclando sobrenatural e educação! Em verdade, tais crianças pós-80 não passam de espíritos endividados com a missão de superar seu exaltado orgulho, aproveitando as últimas chances nesse planeta para mudar de rumo.

Conforme consigna Rita Foelker "Não sabemos se ou até que ponto as chamadas Crianças índigo participam deste despertar para valores mais elevados de vida. Agora, se essas Crianças podem contribuir conosco? Claro. Se elas têm algo a nos ensinar? Muito provavelmente. Mas daí a dizer que são "filhos da luz" e "crianças da Nova Era" vai uma boa distância, criando expectativas que muito possivelmente recairão sobre elas mesmas, no presente ou no futuro." (4)Cremos ser fundamental as áreas do saber permutem informações que se completem para uma melhor compreensão do espírito encarnado e possam cooperar, em conjunto, na sua evolução, mas afastado do incontrolável pendor místico que paira na Pátria do Evangelho.

A Terceira Revelação não inventa a renovação social; "a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento e regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento". (5)

Em face disso, os centros espíritas precisam proporcionar, prioritariamente, esclarecimento. O Espiritismo por seu aspecto religioso, filosófico e científico, tem por premissa esclarecer através da fé raciocinada., ou seja, através do bom-senso kardeciano. Desta forma, consideramos de subida relevância que os dirigentes e colaboradores dos centros espíritas estejam mais bem informados sobre o tema índigos, a fim de que possam orientar os freqüentadores e assistidos de forma coerente e objetiva, cumprindo a inexpugnável integração proposta pela Doutrina Espírita na sua base lógica.

Inalizamos por aqui nossas brevíssimas argumentações com a singeleza das letras da articulista Foelker: "Dizem, os que apóiam a tese dos índigos, que eles vieram para nos ajudar a evoluir. Então, eu encerro perguntando: qual é a criança que NÃO nos ajuda a evoluir?" (6) Eu também indago - qual?

FONTES:

1- Do Espírito Erasto encontramos em O livro dos médiuns, item 230 do cap. XX, a célebre frase: "Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea"

2- Franco, Divaldo Pereira. Momentos de Harmonia, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, Salvador: Editora Leal, 1991.

3- "Crianças índigos" é teoria que surgiu da observação de auras azul brilhante, isso significando diferença (para "melhor") entre os que a possuem e os que a têm de outra cor.

4- Rita Foelker in Crianças índigo: uma simples opinião 13/02/2006 Artigo publicado no site da Fundação Espírita André Luiz (www.feal.com.br) http://www.feal.com.br/colunistas

5- Kardec Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2004, Sinais dos Tempos - 4ª pte.(itens 21 a 26) (Estudo 131 e 132)

6- Foelker in Crianças índigo: uma simples opinião 13/02/2006 Artigo publicado no site da Fundação Espírita André Luiz

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sistemas de classificação humana

Extraído do cap. 1 do livro Criança Índigo

Por Richard Seigle, M.D.

Na história da civilização ocidental temos vindo a ter uma forte necessidade de explorar, definir e julgar. À medida que fomos descobrindo novas terras e outras pessoas, os nossos primeiros pensamentos foram: Quem é como nós e quem não é? E o que é que podemos tomar? Estas pessoas, que não são como nós em termos de cor, crenças, cultura e linguagem, foram consideradas inferiores durante muito tempo, ao longo da História. Em termos científicos, tratamos de categorizar as pessoas pela forma da cabeça, cor da pele, coeficiente intelectual (Q.I.), etc. Antropólogos e sociólogos levaram anos a considerar como pensamos, sentimos e actuamos.

Alguns exemplos de vários sistemas de categorização dos seres humanos:

Testes de inteligência
Testes de personalidade
Testes de memória, etc.
Factores sociológicos específicos
Teorias psiquiátricas reconhecidas

Gandhi disse: “ A nossa habilidade para alcançar a unidade dentro da diversidade será a beleza e o teste da nossa civilização.”

O final deste milénio assinala um nível mais elevado de consciência de amor e aceitação entre as pessoas – algo que poderíamos ter aprendido há séculos atrás através das culturas nativas, se não as tivéssemos considerado como culturas inferiores.

Para além dos sistemas tradicionais de classificação, existem os sistemas de classificação espirituais e metafísicos, que tratam de classificar os seres humanos com base, por exemplo, nos atributos astrológicos de nascimento, na sua energia vital ou a sua associação com um Animal Sagrado (na tradição chinesa e dos índios norte-americanos). Seja qual for a sua opinião sobre a Astrologia ou qualquer outro sistema similar não científico, eles foram reconhecidos e identificados institucionalmente como algumas das crenças ancestrais que foram encontradas em muitos textos antigos relacionados com os estudos humanos. Todos estes sistemas, antigos e modernos, existem para ajudar os Humanos a entender melhor outros Humanos.

Nancy Ann Tappe identificou, pela primeira vez, o padrão de comportamento das Crianças Índigo no seu livro publicado em 1982 “Compreendendo a sua vida através da cor” (Understanding Your Life Through Color). Trata-se do primeiro livro conhecido no qual se identificam os padrões de comportamento destas novas crianças.
Nancy classificou determinados tipos de comportamento humano em grupos de cor e, intuitivamente, criou um surpreendentemente exacto e revelador sistema de natureza metafísica. O livro é divertido de ler, e não evita que você identifique algumas das suas características em alguma parte do sistema, rindo-se de si mesmo e maravilhando-se por parecer tão acertado. Nancy continua a facilitar conferências e seminários sobre comportamento humano em todo o mundo.

Notem que Richard coloca que esta classificação criada por Nancy foi feita ‘intuitivamente’. Isto não diminui, apenas esclarece melhor.

Aqueles que pensam que é estranho classificar os humanos com base na cor, gostaria de dar a conhecer – principalmente aos interessados em metafísica – um novo livro intitulado “O Código da Cor: Um a nova forma de ver-se a si mesmo, às suas relações e à Vida” (The Color Code: A new Way to See Yourself, Your Relationships, and Life), de Hartman Taylor, Ph.D. Este livro não tem nada que ver com as Crianças Índigo. Mencionamo-lo somente para demonstrar que a associação da cor com os atributos humanos não vale somente para o grupo dos fantasmas! O livro aborda o modelo medieval de tipificar as personalidades – sanguíneo, melancólico, fleumático e colérico, e associa-lhes as cores vermelho, azul, branco e amarelo.

Como dissemos, o agrupamento de cor de Nancy Ann Tappe é intuitiva, mas também muito exacta, baseada na observação prática. No seu livro, um dos grupos de cor é, adivinhem, o Índigo. Esta classificação pela cor revela, muito claramente, um novo tipo de criança, algo que foi feito há 17 anos.

* * * * * *

Introdução aos Índigo

Nancy Ann Tappe
Entrevista de Jan Tober (Primeira Parte)

Estas foram as suas palavras e observações de Nancy sobre as Crianças Índigo:
Nancy, você foi a primeira a identificar e a escrever, no seu livro, sobre o fenômeno Índigo. O que é uma Criança Índigo e por que lhes chamamos assim?

- Chamo-lhes assim porque essa é a cor que “vejo”.

O que significa isso?

- Significa a cor da vida. Eu olho para a cor da vida das pessoas para conhecer qual é a sua missão aqui, no plano da Terra – o que é que vieram aprender, qual o seu programa de estudos. Por volta dos anos 80, senti que outras duas cores tinham sido acrescentadas ao sistema, outras duas tinham desaparecido. Vimos desaparecer o fúscia e a magenta tornou-se obsoleto. Assim, pensei que essas duas cores de vida seriam substituídas. Surpreendeu-me encontrar uma pessoa fúscia em Palm Springs, porque é uma cor que desapareceu no início de 1990, foi o que disseram. Dizia a toda a gente que iríamos ter mais duas cores, mas não sabia quais seriam. Enquanto procurava, “vi” o índigo. Estava a investigar na Universidade Estatal de San Diego, tratando de construir um perfil psicológico coerente, que pudesse resistir à crítica acadêmica.

Aqui está algo que acho perigoso, ela diz que olha para a pessoa e sabe a sua missão aqui na Terra, qual seu programa de estudo. Porque perigo? Por que esta informação passa necessariamente pela interpretação de Nancy. Se nem nós, na maioria das vezes, sabemos realmente a nossa missão aqui, como ela poderia, somente nos olhando, dizer qual é? As cores fúscia e magenta tornaram-se obsoletas? Como assim, qual o perfil destas pessoal? Que tipo de comportamento se tornaram obsoletos a ponto de duas classificações desaparecerem?

Nessa altura trabalhava comigo um psiquiatra chamado Dr. McGreggor. Estou a ver se me lembro do nome do outro doutor, mas agora não me recordo. Também ele trabalhava no hospital infantil, mas ele foi o primeiro que me chamou a atenção porque a sua esposa teve um bebé, e não era previsível que viesse a ter filhos. O bebé nascera com um forte sopro no coração, e ele chamou-me para eu ver do que se tratava.

Fui e, quando olhei para a criança, dei-me conta que essa era uma nova cor, que não constava do meu sistema. O bebé morreu cerca de seis semanas mas tarde – foi muito rápido. Essa foi a minha primeira experiência física que me mostrou que as crianças eram diferentes. A partir daí comecei a procurá-los. Deixei de ensinar naquela Universidade em 1975, e sei que este episódio foi anterior a isso. De facto, não lhe prestei muita atenção até 1980, quando comecei a escrever o meu livro. A impressão do livro demorou dois anos – 1982 para a primeira edição e 1986 para a actual. Portanto, foi durante os anos 70 que me apercebi dos Índigos.

Em 1980 registei-o e comecei o processo de personalização, porque, nessa altura, tínhamos algumas crianças com cinco, seis e sete, que podíamos observar, “ler” a sua personalidade e ver do que se tratava. O que aprendi de mais importante é que eles não tinham um plano de estudos tal como nós – ainda não o tinham. E continuam a não ter durante muitos mais anos. Aos 26, 27 anos, poderemos observar uma notável mudança nas Crianças Índigo. Essa mudança é que o seu propósito irá manifestar-se. Os mais velhos ficarão seguros do que estão a fazer, e os mais jovens virão com uma clareza do que irão fazer ao longo da sua vida. No entanto, o que se passará só depende de nós. Continuamos a investigar, tendo sido por isso que protelei várias vezes a publicação. Fico contente que estejam a fazer este trabalho.

Novamente ela fala que pode “ler” a personalidade de alguém, isto é muito sério, porque define algo que não pode nem deve ser definido. Ao “ler” nossa personalidade, ela nos aprisiona em seu sistema classificatório, aprisiona um espírito que se modifica a cada segundo vivido. È como alguns índios viam a máquina fotográfica, ao registrar a imagem, aprisionava-se seu espírito, pois ele ficaria daquela forma para o resto de sua vida.
Outra coisa que ela traz, é uma informação importante e que tem respaldo na doutrina espírita: que aos 26, 27 anos as crianças índigo mudam, porque neste momento manifesta-se seu propósito.
Livro dos Espíritos, Allan Kardec
“385. Qual o motivo da mudança que se opera no seu caráter a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o espírito que se modifica?
- É o Espírito que retoma a sua natureza e se mostra tal qual era.

Não conheceis o mistério que as crianças ocultam em sua inocência; não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão; e no entanto as amais e acariciais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal maneira, que o amor de uma mãe por seus filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outros seres. De onde vêm essa doce afeição, essa terna complacência que até mesmo os estranhos experimentam por uma criança? Vós sabeis? Não; e é isso que vou explicar.
As crianças são os seres que Deus envia a novas existências, e para que não possam acusá-lo de demasiada severidade, dá-lhes todas as aparências de inocência. Mesmo numa criança de natureza má, suas faltas são cobertas pela não-consciência dos atos. Esta inocência não é uma superioridade real, em relação ao que elas eram antes; não, é apenas a imagem do que elas deveriam ser e, se não o são, é sobre elas somente que recai a culpa.
Mas não é somente por elas que Deus lhe dá esse aspecto, é também e sobretudo por seus pais, cujo amor é necessário à fragilidade infantil. E esse amor seria extraordinariamente enfraquecido pela presença de um caráter impertinente e acerbo, enquanto que, supondo os filhos bons e ternos, dão-lhe toda a afeição e os envolvem nos mais delicados cuidados. Mas, quando as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dispensada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanecem boas, se eram fundamentalmente boas, mas se irisam sempre de matizes que estavam ocultos na primeira infância.
Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber-se a explicação a respeito.
Com efeito, ponderai que o Espírito da criança que nasce entre vós pode vir de um mundo em que tenha adquirido hábitos inteiramente diferentes. Como quereríeis que permanecesse no vosso meio esse novo ser, que traz paixões tão diversas das que possuís, inclinações e gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse no vosso ambiente, senão como Deus quis, ou seja, depois de haver passado pela preparação da infância? Nesta vêm confundir-se todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos em que se desenvolvem as criaturas. E vós mesmos, ao morrer, estareis numa espécie de infância, no meio de novos irmãos, e na nova existência não terrena ignorareis os hábitos, os costumes, as formas de relação desse mundo novo para vós, manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais vivaz do que o é atualmente o vosso pensamento.
A infância tem ainda outra utilidade: os Espíritos não ingressam na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem; a debilidade dos primeiros anos os tornam flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência e daqueles que devem fazê-los progredir. É então que se pode reformar o seu caráter e reprimir as suas más tendências. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão que responder.
É assim que a infância não é somente útil, necessária, indispensável, mas ainda a conseqüência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.”


Parece existir um grande interesse, uma tremenda necessidade de saber.

- Sim. Existe, porque as pessoas não compreendem as Crianças Índigo. São Crianças computorizadas que vêm a este mundo com uma capacidade de visualização mental do que é bom. São crianças orientadas para a tecnologia, o que significa que vamos estar adquirir mais técnica do que a que temos agora. Estas crianças, com três ou quatro anos, lidam com os computadores de uma forma que um adulto de 65 anos não poderá fazê-lo. São crianças tecnológicas – nascidas para uma tecnologia que nem somos capazes de imaginar. Creio que estas crianças estão a abrir um portal. Chegaremos a um ponto em que nada terá de ser feito, excepto nas nossas cabeças. Esse é o seu propósito. O que vejo agora é que, em alguns casos, o meio ambiente em que estas crianças se desenvolvem os bloqueou de tal maneira que, por vezes, estas crianças chegam a matar. Porém, eu crio na seguinte paradoxo: Precisamos da escuridão e precisamos da luz para escolher. Sem a possibilidade de escolher não há crescimento. Se fôssemos robots não teríamos livre-arbítrio, não teríamos poder de escolha, não haveria nada. Estou a divagar, mas estou a fazê-lo por uma razão.

Se estas crianças vêm ao mundo com uma capacidade de visualização mental do que é bom, como podem chegar a matar?

O que, ultimamente, tenho dito aos meus estudantes é que, para crer nas nossas origens, temos de crer na nossa Bíblia que diz: “No início era o vazio e a escuridão profunda, e Deus disse: Faça-se luz, e houve luz.” Deus não criou a escuridão; ela sempre esteve aí. Toda a criação foi um processo de separação. Deus separou a noite do dia, a luz da escuridão, a terra do céu, o firmamento do ar, a terra das águas. Deus separou a mulher do homem e criou o feminino e o masculino. A norma da criação é a separação por escolha. Sem escolha não podemos crescer. Assim, o que vejo é que nos movemos entre extremos, especialmente na presente dimensão. Temos tido o mais santo dos santos e o mais mau dos maus. A maioria de nós encaixa-se a meio termo, esperando ser santa enquanto comete erros. O que vejo agora é que os extremos se integram mais. Quer o mais santo dos santos, quer o mais mau dos maus está entre gente mediana, e este equilíbrio está a alcançar um nível cada vez mais refinado.

Se Deus não criou a escuridão, ela sempre esteve aí, a escuridão é anterior a Deus, a escuridão nem a luz foram criados por Deus, Ele apenas teria separado aquilo que já existia. Tiraram de Deus toda a sua característica Divina, deram seu poder à escuridão. Somos filhos da escuridão! É isto que o texto está dizendo, e o que é a escuridão se não a ignorância. E se Deus não criou nada, quem é o Criador de tudo?

Quando estas crianças chegam a estes extremos é porque conhecem muito bem o seu caminho, e, quando sentem que a sua missão está a ser bloqueada, tratam de se desfazer daquilo que eles acham que está a bloqueá-los. Quando você e eu éramos crianças, tivemos pensamentos horríveis de escapar, mas tivemos medo de fazê-lo. As Crianças Índigo, porém, não têm medo porque sabem quem são. Eles acreditam em si mesmos. Cerca de 90% das crianças com 10 anos de idade (em 1998) são Índigos.

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