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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Incorporação Sob a ótica espírita

O termo incorporação de acordo com o dicionário Houaiss é o ato ou efeito de incorporar-se, significa a inclusão de um elemento em outro. Significa a encarnação, a corporação, a materialização e em algumas regiões o transe mediúnico. Incorporar vem do latim incorporatio que significa incorporação ou encarnação.

Popularmente se fala em incorporação com o sentido de um espírito entrar num corpo de outra pessoa e usa-lo para se manifestar, no filme Ghost há uma cena que demonstra claramente esta ideia, é quando a Atriz Whoopi Goldman esta no papel de médium, sentada em uma cadeira e os espíritos para se comunicarem tem que sentar ‘dentro’ do corpo dela.

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Kardec não usou o termo incorporação, porém este termo foi introduzido em três de suas obras pelos tradutores substituindo o termo em francês de médium falante:

- No O Evangelho segundo o Espiritismo:

“O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. E a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudosabios, que passaram da Terra para a erraticidade, e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, atrás da mascara que usam, tornar aceitáveis as suas ideias, frequentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira menos ostensiva pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação”.

“Le spiritisme vient révéler une autre catégorie bien plus dangereuse de faux Christs et de faux prophètes, qui se trouvent, non parmi les hommes, mais parmi les désincarnès: c'est celle des Esprits trompeurs, hypocrites, orgueilleux et faux savants qui, de la terre, sont passes dans l'erraticité, et se parent de noms vénérés pour chercher, à la faveur du masque dont ils se couvrent, à accréditer les idées souvent les plus bizarres et les plus absurdes. Avant que lês rapports médianimiques fussent connus, ils exerçaient leur action d'une manière moins ostensible, par l'inspiration, la médiumnité inconsciente, auditive ou parlante”.

- Instruções Práticas sobre as Manifestações Mediúnicas

“A transmissão do pensamente dá-se também por intermédio do Espírito do médium, eu melhor, de sua alma, visto que designamos sob este nome o Espírito encarnado. O Espírito estranho, neste caso, não atua sobre a mão para fazê-la escrever, como não atua sobre a cesta. Ele não a segura, não a guia. Atua sobre a alma com a qual se identifica. A alma, sob este impulso, dirige a mão por meio do fluído que compõe seu próprio perispírito. A mão dirige a cesta e a cesta dirige o lápis. Notamos aqui coisa importante de ser registrada, que o Espírito estranho não se substitui a alma, pois não pode desalojá-la: ele a controla à revelia dela, imprimi-lhe sua vontade. Quando dizemos a revelia dela, queremos falar da alma atuando exteriormente pelos órgãos do corpo. Entretanto a alma, como Espírito, mesmo encarnado pode, perfeitamente, ter consciência da ação exercida sobre ela por um Espírito estranho. O papel da alma, nessa circunstância, é, algumas vezes, inteiramente passivo e então o médium, se é de incorporação, não tem nenhuma consciência do que escreve ou do que diz. Ocasionalmente, entretanto, a passividade não é absoluta; então ele tem uma consciência mais ou menos vaga, embora a mão seja arrastada por um movimento maquinal, ao qual a vontade permanece alheia”.

“La transmission de la pensée a aussi lieu par l'intermédiaire de l'Esprit du médium, ou mieux de son âme, puisque nous désignons sous ce nom l'Esprit incarné. L'Esprit étranger, dans ce cas, n'agit pas sur la main pour la faire écrire, pas plus que sur la corbeille ; il ne la tient pas, il ne la guide pas ; il agit sur l'âme avec laquelle il s'identifie. L'âme, sous cette impulsion, dirige la main au moyen du fluide qui compose son proper périsprit ; la main dirige la corbeille, et la corbeille dirige le crayon. Remarquons ici, chose importante à savoir, que l'Esprit étranger ne se substitue point à l'âme, car il ne saurait la déplacer : il la domine à son insu, il lui imprime sa volonté. Quand nous disons à son insu, nous voulons parler de l'âme agissant extérieurement par les organes du corps ; mais l'âme en tant qu'Esprit, même incarné, peut parfaitement avoir conscience de l'action exercée sur elle par un Esprit étranger. Lê rôle de l'âme, en cette circonstance, est quelquefois entièrement passif, et alors le médium n'a nulle conscience de ce qu'il écrit ou de ce qu'il dit, si c'est un médium parlante ; mais quelquefois la passivité n'est pas absolue, alors il en a une conscience plus ou moins vague, quoique sa main soit entraînée par un mouvement machinal et que sa volonté y reste étrangère”.

-O Livro dos Médiuns

“166. [...] Mas nem sempre a passividade do médium falante é assim completa. Há os que têm intuição do que estão dizendo, no momento em que pronunciam as palavras. Voltaremos a tratar desta variedade quando nos referirmos aos médiuns intuitivos (10)”.

(10) Os médiuns falantes, chamados entre nós médiuns de incorporação, dividem-se assim nas duas classes conhecidas: médiuns conscientes e médiuns inconscientes. [...] (N. do T.)”.

O espírito que vai se unir a um corpo, encarnar, é sempre designado com antecedência, este escolhe a prova e pode também escolher o corpo, pois suas imperfeições são provas que o auxiliam em seu progresso espiritual, porém esta escolha nem sempre depende dele. Quando um espírito ainda não está pronto para realizar conscientemente a escolha, um corpo pode ser imposto como prova ou expiação.

A questão 345 do O Livro dos Espíritos nos traz uma informação importante: “A união entre o Espírito e o corpo é definitiva desde o momento da concepção? Durante esse período o Espírito poderia renunciar a tomar o corpo que lhe foi designado”?

Resposta: “A união é definitiva, no sentido em que outro Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo, mas, como os laços que o prendem são mais frágeis, fáceis de romper, podem ser rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida. Nesse caso, a criança não vinga".

Esta resposta é importante, pois demonstra claramente que um corpo biológico somente obedece a um espírito pré-determinado, se este não desejar reencarnar, mesmo antes do nascimento, outro não pode se utilizar deste corpo e com base nesta compreensão podemos entender a questão 473 do mesmo livro que fala sobre os possessos:

“473. Pode um Espírito, momentaneamente, revestir-se do invólucro de uma pessoa viva, quer dizer, introduzir-se num corpo animado e agir em substituição ao Espírito que nele se encontra encarnado?”

“- O Espírito não entra num corpo como entras numa casa; ele se assimila a um Espírito encarnado que tem os seus mesmos defeitos e as suas mesmas qualidades, para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer sobre a matéria de que está revestido. Um Espírito não pode substituir ao que se acha encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o termo da existência material”.

Se fosse possível um outro espírito substituir mesmo que parcialmente um espírito ainda encarnado estaria derrogando uma lei natural, por isso é importante compreender a ligação do espírito com o corpo. Na A Gênese podemos encontrar uma boa explicação de Kardec:

“18. Quando o Espírito deve se encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que nada mais é senão uma expansão de seu perispírito, o liga ao germe em cuja direção ele se sente atraído por uma força irresistível desde o momento da concepção. À medida que o germe se desenvolve, firma-se o laço; sob influência do princípio vital material do germe, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo que o forma; daí se pode dizer que o Espírito, por intermédio de seu perispírito, de alguma forma toma raiz no germe como uma planta na terra. Quando o germe está inteiramente desenvolvido, a união é completa, e então ele nasce para a vida exterior”.

“Por efeito contrário, esta união do perispírito e da matéria carnal, que se havia realizado sob a influência do princípio vital do germe, quando esse princípio cessa de agir em resultado da desorganização do corpo, a união, que apenas era mantida por uma força atuante, cessa quando essa força cessa de agir; então o Espírito se solta, molécula por molécula, como um dia se uniu, e o Espírito recupera sua liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo, mas a morte do corpo que causa a partida do espírito”.

È preciso também compreender como ocorre a mediunidade falante e para isto buscamos o O Livro dos Médiuns:

[...] “Ao servir-se deles, os Espíritos agem sobre os órgãos vocais, como agem sobre as mãos nos médiuns escreventes. O Espírito se serve para a comunicação dos órgãos mais flexíveis que encontra no médium. De um empresta as mãos, de outro as cordas vocais e de um terceiro os ouvidos. O médium falante em geral se exprime sem ter consciência do que diz, e quase sempre tratando de assuntos estranhos às suas preocupações habituais, fora de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência”.

“Embora esteja perfeitamente desperto e em condições normais, raramente se lembra do que disse. Numa palavra, a voz do médium é apenas um instrumento de que o Espírito se serve e com o qual outra pessoa pode conversar com este, como o faz no caso de médium audiente”.

Como Kardec afirma que os espíritos agem da mesma forma que na psicografia, vamos compreender como é esta ação:

“O Espírito comunicante age sobre o médium; este, assim influenciado, move maquinalmente o braço e a mão para escrever, não tendo (pelo menos no comum dos casos) a menor consciência do que escreve [...]”.

Kardec perguntou aos espíritos: “O Espírito comunicante transmite diretamente o seu pensamento ou tem como intermediário o Espírito do médium”? Eles deram a seguinte resposta:

“- O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os Espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância, e na ponta do fio uma pessoa inteligente que a receba e comunique”.

Coloco a seguir um trecho de um texto dado por dois espíritos superiores, Erasto e Timóteo:

“Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, mecânicos, semimecânicos ou simplesmente intuitivos, nossos processos de comunicação por meio deles não variam na essência. Com efeito, nossas comunicações com os Espíritos encarnados, diretamente, ou com os Espíritos propriamente ditos, se realizam unicamente pela irradiação do nosso pensamento”.

“Nossos pensamentos não necessitam das vestes da palavra para que os Espíritos os compreendam. Todos os Espíritos percebem o pensamento que desejamos transmitir-lhes, pelo simples fato de o dirigirmos a eles, e isso na razão do grau de suas faculdades intelectuais. [...] o Espírito encarnado que nos serve de médium é mais apropriado para transmitir o nosso pensamento a outros encarnados, embora não o compreenda, o que um Espírito desencarnado, mas pouco adiantado não poderia fazer, se fôssemos obrigados à sua mediação. Porque o ser terreno põe o seu corpo, como instrumento, à nossa disposição, o que o Espírito errante não pode fazer”.

Se para um Espírito superior se comunicar com um espírito encarnado é necessário que um médium seja interprete por ainda estar ligado ao corpo, atuando como fio elétrico entre emissor e receptor, por que numa possessão ele pode atuar sem o fio condutor?

Não é possível para o espírito encarnado simplesmente se libertar, mesmo que parcialmente, de seu corpo, pois como Kardec colocou na A Gênese o espírito é atraído por uma força irresistível.

Numa possessão como Kardec afirma o espírito se apodera do corpo, mas isto não quer dizer que ele o controla diretamente como se nele estivesse encarnado, mas ele tem o domínio do corpo através do perispírito do encarnado, como ocorre na mediunidade. Se a possessão for de um espírito bom o encarnado lhe cede o controle voluntariamente como o faz um médium, mas se a possessão for feita por um espírito mau, ela ocorre pela ausência de força moral do possuído para resistir à dominação.

O termo incorporação pode não ser adequado à mediunidade falante nem ao processo possessivo. Ele tem como melhor significado o ato de se ligar ao corpo material, ou seja, é na verdade sinônimo de encarnação.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mistério: estudantes de uma localidade de Itatira entram em transe

“Um fenômeno paranormal está afetando estudantes, a maioria meninas, da Escola de Ensino Fundamental Eduardo Barbosa no Distrito de Cachoeira BR, no Município de Itatira, cidade localizada no Sertão Central a 220 quilômetros de Fortaleza. O caso está deixando as autoridades do Município sem uma explicação.

De acordo com depoimentos das vítimas os sintomas são: dores musculares, de cabeça, sufoco no sistema respiratório, no peito, palidez, calafrio, dificuldades para caminhar, náusea, paralisia muscular, aumento nos batimentos do coração, pressão alta, desmaio, inquietação e medo de morrer.

O fato está deixando o secretário de Educação de Itatira, Antônio Inácio, preocupado, pois as vítimas, segundo ele, ficam em transe, agressivas e com perda de identidade. Os jovens, entre 11 e 16 anos, depois que voltam ao normal, não conseguem lembrar nada.

Os familiares, professores e amigos das estudantes, quando estão presentes no momento do fenômeno, ficam apavorados, correm de um lado para outro e precisam agir com rapidez para carregá-las nos braços e levá-las aos hospitais mais próximo em Canindé, Lagoa do Mato e Madalena. A ocorrência começou no último dia 2 e se estendeu por toda a semana. Já atingiu 32 alunas e um estudante.

Após o transe

Após o momento de transe, as meninas se recuperam e voltam a conversar normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Para os pais, como não há um diagnóstico para o que está acontecendo, o jeito é acreditar em Deus. Para a auxiliar de serviço da instituição educacional onde se presencia o fato, Francisca Zeneide da Silva, todas as crianças que são dominadas pelo fenômeno agem da mesma forma e, ao retomarem os sentidos, não lembram nada. “Quando acontece com uma, todas ficam em pânico”, conta ela.

A diretora da Escola Nazaré Guerra, Eliane Dias, situada em Lagoa do Mato, que tem um anexo funcionando na Escola Eduardo Barbosa, local onde estão ocorrendo os fatos paranormais, não esconde o medo de tudo isso e já pensa em buscar solução junto ao Estado e até mesmo um parapsicólogo. “Vamos nos reunir com as autoridades do Município para buscarmos uma solução. Está todo mundo apavorado, nunca tinha presenciado nada igual ao que vi na última sexta-feira, dia 4″, disse. Ela autorizou a suspensão das aulas até que seja esclarecido o ocorrido.

Celebração

Para tentar conter o avanço do fenômeno, o padre Guilherme Afonso de Andrade Pessoa foi convidado a celebrar uma missa na própria escola. No momento de oração, o que se viu foi à repetição da cena por diversas vezes. Em uma determinada ocasião, uma aluna, Graziele da Silva, entrou em transe e mudou totalmente a voz. Houve uma grande correria. Essa é a reação que ocorre para quem presencia a cena. A adolescente dizia que estava com medo e pedia para não deixá-la morrer e chorava muito.

O padre disse que a Igreja é muito prudente em tudo. “É preciso aprofundar bem as coisas, para não dizer palavras sem anexo. A Igreja só emite opinião depois de um estudo aprofundado”, disse.

O pastor evangélico, José Carlos, de Lagoa do Mato, distrito mais próximo do local dos acontecimentos, acredita que pode ser uma força espiritual que está agindo dentro da escola, já que da unidade educacional, três jovens morreram em acidentes. “Talvez eles estejam vagando precisando de reza”.

TENSÃO

Estudantes relatam angústia e medo

Itatira. Para quem sofre na pele o fenômeno, conta que são momentos angustiantes. De acordo com a estudante Andréia Alves Marcolino, de 16 anos, a “perseguição deste fenômeno é de exato um mês. É tudo muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dá sede, um sufocamento toma conta do tórax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio. Quando volto ao normal, não dá para relembrar de nada”, relata.

Um dos garotos que vivenciou o problema, Marlei Alves Marcolino, de 14 anos, diz que os acontecimentos acontecem em série. “Quando tudo começa dá uma dor no peito, um arrepio, uma agitação que dá vontade de correr, gritar e pedir para não morrer. A gente desmaia, perde o sentido e o que é pior fica com a voz conturbada. No dia que aconteceu comigo, a professora disse que mais seis alunas sofreram o mesmo ataque”, conta.

Emoção

Outra estudante que se emociona e chega a chorar ao descrever a situação é Francisca Diana Lôbo Loiola, de 18 anos. “De imediato dá um nervosismo. Fiquei tonta, bateu um suor frio, a voz fica enrolada e grossa e a força que penetra na mente pede que reze missa e faça orações porque ele não vai ficar satisfeito enquanto não realizar a sua missão. É uma adrenalina muito forte. Estou com muito medo de voltar à sala de aula.”

Fontes:

http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/v/jornal-hoje-destaca-estudantes-que-entram-em-transe-no-ceara/1282457/#

http://www.comportamento.net/noticias/alunos-em-transe-no-ceara/

Comentário:

O transe é um estado alterado de consciência, ou, um estado anômalo da consciência que, em diferentes graus de intensidade, se dissocia global ou parcialmente dos centros psicossomáticos, mantendo ou não a sensibilidade e a lucidez, em condições de baixa tensão psíquica. (L. Palhano Jr., pg. 33)

Segundo a doutrina espírita o transe pode ser desencadeado pelo próprio indivíduo através de fatores anímicos, este tipo de transe pode ser espontâneo ou provocado dependendo dele ter consciência de seu poder. O transe também pode ser desencadeado por fatores externos pela influência do mundo espiritual ou por uma força magnética qualquer, a este tipo de transe denominamos transe mediúnico.

O tempo de duração do transe é muito variável, podendo ir desde um breve momento praticamente imperceptível até um tempo bem extenso onde pode verificar evidentes estados alternados de consciência. Durante o transe é possível do médium vidência e a psicografia e quando o transe for muito profundo é possível se observar fenômenos de psicofonia associados à gesticulação fenômeno conhecido como psicopraxia.

Apenas pelo relato da notícia não é possível afirmar quais as causas destes transes ocorridos, pois elas podem variar desde da histeria, pode ser oriundo de uma auto-sugestão indutiva, uso de substâncias tóxicas ou alucinógenas até por indução de espíritos.

Cerviño escreveu: “A sugestão consiste, afinal, em inocular na subconsciência de outrem uma representação, um sentimento, um impulso, que lhe escapa ao crivo racional e se cumpre automaticamente, desde que não colida com seus princípios morais. (L. Palhano Jr., pg.38)

A mediunidade é uma faculdade do homem e pode surgir a qualquer momento, muitos dizem que ela deve ser desenvolvida, mas ela já está pronta, o que é necessário é educar o médium para que possa utilizar da melhor maneira possível esta faculdade.

Alguns alunos dizem ver o espírito de um aluno desencarnado, chegando a descrevê-lo.  Um jovem diz que dá vontade de correr, gritar e pedir para não morrer, supondo entender que estes transes são mediúnicos, poderíamos imaginar com este relato que o jovem desencarnado esteja em estado de perturbação começando a se dar conta que desencarnou e desesperado busca se comunicar com amigos e outros alunos.

O medo e a histeria tomam conta da situação pela ignorância do que esteja ocorrendo e pelas interpretações místicas e fantasmagóricas que se façam mesmo sem uma má intenção.

Para a doutrina espírita o esclarecimento dos encarnados e desencarnados, o amparo e o consolo deste espírito desencarnado em sofrimento e desespero poderiam acalmar as coisas.

Fonte:

O LIvro dos Médiuns, Allan Kardec

Transe e Mediunidade, L. Palhano Jr.

sábado, 12 de junho de 2010

Orientação do guia do médium

Gostaria de transcrever aqui para a nossa reflexão, um pequeno trecho da obra O Céu e o Inferno de Allan Kardec, segunda parte, capítulo VII, Espíritos Endurecidos, Xumene:

“O Guia do médium.- Filha, terás muito trabalho com este Espírito endurecido, mas o maior mérito não advém de salvar os não perdidos. Coragem, perseverança, e triunfarás afinal. Não há culpados que se não possam regenerar por meio da persuasão e do exemplo, visto como os Espíritos, por mais perversos, acabam por corrigir-se com o tempo. O fato de muitas vezes ser impossível regenerá-los prontamente, não importa a inutilidade desses esforços. Mesmo a contragosto, as idéias sugeridas a esses Espíritos fazem-nos refletir. São como sementes que, cedo ou tarde, tivessem de frutificar. Não se arrebenta a pedra com a primeira marretada.

Isto que te digo pode aplicar-se também aos encarnados e tu deves compreender a razão porque o Espiritismo não torna imediatamente perfeitos nem mesmo os mais crentes adeptos.

A crença é o primeiro passo; vem em seguida a fé e a transformação por sua vez, mas além disso, força é que muitos venham revigorar-se no mundo espiritual.

Entre os Espíritos endurecidos, não há perversos e maus. Grande é o número daqueles que, sem fazer o mal, estacionam por orgulho, indiferença ou apatia. Estes, nem por isso, são menos infelizes, pois quanto mais os aflige a inércia tanto mais se vêem privados das mundanas compensações.

Intolerável, certamente, se lhes torna a perspectiva do infinito, porém eles não têm a força nem a vontade para romper com essa situação. Queremos referir-nos a esses indivíduos que levam uma existência ociosa, inútil a si como ao próximo, acabando muitas vezes no suicídio, sem motivos sérios, por enfado da vida.

Em regra, esses Espíritos são menos passíveis de imediata regeneração do que aqueles que são positivamente maus, visto como estes ao menos dispõem de energia e, uma vez doutrinados, votam-se ao bem com o mesmo ardor com que se votavam ao mal.

Aos outros, muitas encarnações se fazem necessárias para que progridam, e isto pouco a pouco, domados pelo tédio, procurando para se distraírem qualquer ocupação que mais tarde venha a transformar-se em necessidade”.

 

Bjs

ClaudiaC.

domingo, 23 de maio de 2010

Inspiração

“Há algum tempo me pergunto como funciona esse processo maluco da inspiração. Não sou, obviamente, o único cara a questionar como funciona esse lance de, um dia, vc conseguir escrever/ compor/ criar algo que acredita, e que faz com que seu trabalho tenha valor... para, no outro, não conseguir produzir nada, coisa alguma, como se sua cabeça fosse vazia como parece ser, num momento como esse, o seu talento.

[…]

Eu sou um cara que vive questionando a minha. Desde a infância, meu mundo interior sempre foi muito complexo. Acabei canalizando minhas inspirações para o lado artístico, e me revezei entre o desenho, música, escrita e interpretação ao longo da vida. Muitas vezes fui bem feliz com idéias boas que me alçaram a alguma coisa... consegui, em boas fases de produção, compor peças para violão, preparar um ou outro troço bacana para algum personagem de teatro, armar situações e questionamentos originais e divertidos para o CQC, etc, etc. Mas, fixando o texto no campo da inspiração de artista mesmo, minha relação com essa magia estranha foi e ainda é bem conturbada.

[…]

Por isso, "Encantada". Gravada por mim no sábado, 22-05, na Radar Sonorização. Em primeira mão para os leitores desse blog e, em outubro, no CD independente, intimista e autoral que vcs terão à disposição - e que é, pra encerrar a história toda, o resumo do meu namoro com a Inspiração nos últimos anos de paixão violonística.

Um abraço, Rafa”

Versão não definitiva para o CD. Aguardando equalizações e tratamentos de áudio

Por Rafael Cortez às 22h09

http://rafael.cortez.zip.net/arch2010-05-23_2010-05-29.html#2010_05-23_23_09_09-145974756-0

Ao ler este belo texto no blog do Rafael Cortez, ao qual reproduzi pequenos trechos, falando ou melhor refletindo sobre a inspiração, lembrei-me de um trecho do O Livro dos Médiuns que fala dos médiuns inspirados e que transcrevo abaixo:

“183. Todos os homens de gênio, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de conceber grandes coisas e de trazê-las wm si mesmos. Ora, é precisamento por julgá-los capazes que os Espíritos, quando querem realizar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias. E é assim que eles são, na maioria das vezes, médiuns sem o saberem. Eles têm, não obstante, uma vaga intuição de serem assistidos, pois aquele que apela à inspiração faz uma evocação. Se não esperasse ser ouvido, porque haveria de clamar com tanta frequência: Meu bom gênio, venha ajudar-me!

As respostas seguintes confirmam esta asserção:

- Qual a causa primeira da inspiração?

- A comunicação mental do Espírito.

-A inspiração não se destina apenas a grandes revelações?

- Não. Ela se relaciona quase sempre com as mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo: queres ir a algum lugar e uma voz te sugere fazer uma coisa em que não pensavas. Isso é inspiração. Há bem poucas pessoas que não tenham sido inspiradas em diversas ocasiões.

- Um escritor, um pintor, um músico, por exemplo, nos momentos de inspiração poderiam ser considerados médiuns?

- Sim, pois nesses momentos têma a alma mais livre e como separado da matéria, que então recobra em partes as suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos Espíritos que a inspiram.”

“O mistério da inspiração é assim explicado como um processo de semidesprendimento da alma. Nesse estado, o artista amplia a sua visão das coisas, adquire percepções extra-sensoriais e entra em comunicação com os amigos espirituais que o ajudam”. Nota de J.Herculano Pires tradutor do O Livro dos Médiuns.

Talvez por isso que normalmente as pessoas se sentem mais inspiradas quando estão tristes ou melancólicas, pois ficam mais introspectivas e reflexivas. Meditando e refletindo acabam se concentrando e se semidesprendendo, estabelecendo contato mais direto com estes amigos e recebendo a inspiração.

Bjs

ClaudiaC.


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