A primeira condição para se conservar a alma livre, a inteligência sã, a razão lúcida é a de ser sóbrio e casto. Os excessos de alimentação perturbam-nos o organismo e as faculdades; a embriaguez faz-nos perder toda a dignidade e toda a moderação. O seu uso continuo produz uma série de moléstias, de enfermidades, que acarretam uma velhice miserável.
Dar ao corpo o que lhe é necessário, a fim de torná-lo servidor útil e não tirano, tal é a regra do homem criterioso. Reduzir a soma das necessidades materiais, comprimir os sentidos, domar os apetites vis é libertar-se do jugo das forças Inferiores, é preparar a emancipação do Espírito. Ter poucas necessidades é também uma das formas da riqueza.
A sobriedade e a continência caminham juntas. Os prazeres da carne enfraquecem-nos, enervam-nos, desviam-nos da sabedoria. A volúpia é como um abismo onde o homem vê soçobrar todas as suas qualidades morais. Longe de nos satisfazer, atiça os nossos desejos. Desde que a deixamos penetrar em nosso seio, ela invade-nos, absorve-nos e, como uma vaga, extingue tudo quanto há de bom e generoso em nós. Modesta visitante ao princípio, acaba por dominar-nos, por se apossar de nós completamente.
Evitai os prazeres corruptores em que a juventude se estiola, em que a vida se desseca e altera. Escolhei em momento oportuno uma companheira e sede-lhe fiel. Constituí uma família. A família é o estado natural de uma existência honesta e regular. O amor da esposa, a afeição dos filhos, a sã atmosfera do lar são preservativos soberanos contra as paixões. No meio dessas criaturas que nos são caras e vêem em nós seu principal arrimo, o sentimento de nossas responsabilidades se engrandece; nossa dignidade e nossa circunspeção acentuam-se; compreendemos melhor os nossos deveres e, nas alegrias que essa vida concede-nos, colhemos as forças que nos tornam suave o seu cumprimento. Como ousar cometer atos que fariam envergonhar-nos sob o olhar da esposa e dos filhos? Aprender a dirigir os outros é aprender a dirigir-se a si próprio, a tornar-se prudente e criterioso, a afastar tudo o que pode manchar-nos a existência.
É condenável o viver insulado. Dar, porém, nossa vida aos outros, sentirmo-nos reviver em criaturas de que soubemos fazer pessoas úteis, servidores zelosos para a causa do bem e da verdade, morrermos depois de deixar cimentado um sentimento profundo do dever, um conhecimento amplo dos destinos é uma nobre tarefa.
Se há uma exceção a essa regra, esta será em favor daqueles que, acima da familia, colocam a Humanidade e que, para melhor servi-la, para executar em seu proveito alguma missão maior ainda, quiseram afrontar sozinhos os perigos da vida, galgar solitários a vereda árdua, consagrar todos os seus instantes, todas as suas faculdades, toda a sua alma a uma causa que muitos ignoram, mas que eles jamais perderam de vista.
A sobriedade, a continência, a luta contra as seduções dos sentidos não são, como pretendem os mundanos, uma infração às leis morais, um amesquinhamento da vida; ao contrário, elas despertam em quem as observa e executa uma percepção profunda das leis superiores, uma intuição precisa do futuro. O voluptuoso, separado pela morte de tudo o que amava, consome-se em vãos desejos. Freqüenta as casas de deboche, busca os lugares que lhe recordam o modo de vida na Terra e, assim, prende-se cada vez mais a cadeias materiais, afasta-se da fonte dos puros gozos e vota-se à bestialidade, às trevas.
Atirar-se às volúpias carnais é privar-se por muito tempo da paz que usufruem os Espíritos elevados. Essa paz somente pode ser adquirida pela pureza. Não se observa isso desde a vida presente? As nossas paixões e os nossos desejos produzem imagens, fantasmas que nos perseguem até no sono e perturbam as nossas reflexões. Mas, longe dos prazeres enganosos, o Espírito bom concentra-se, retempera-se e abre-se às sensações delicadas. Os seus pensamentos elevam-se ao infinito. Desligado com antecedência das concupiscências ínfimas, abandona sem pesar o seu corpo exausto.
Meditemos muitas vezes e ponhamos em prática o provérbio oriental: Sê puro para seres feliz e para seres forte!
Léon Denis
do livro Depois da Morte
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
O Fim do Mundo em 1911
Revista Espírita, abril de 1868, Allan Kardec
[...]
Tendo sido lidos, na Sociedade de Paris, o fragmentos narrados acima, nosso antigo colega, Jobard, veio espontaneamente dar, sobre este assunto, a comunicação seguinte, por um médium em sonambulismo espiritual:
( Sociedade de Paris, 28 de fevereiro. Méd. Sr. Morin.)
Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Escutei com interesse, e, tendo reconhecido o barulho do riso dos encarnados e dos desencarnados, disse a mim mesmo: Sem dúvida, a coisa é interessante; vamos ver!...
Eu não acreditava, senhores, ter o prazer de vir passara noite junto de vós. No entanto, com isto estou sempre feliz, crede-o bem, porque sei toda a simpatia que conservastes para vosso antigo colega.
Aproximei-me, pois, e todos os barulhos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! gritava-se; o fim do mundo!...Ah! meu Deus, disse a mim mesmo, se for o fim do mundo, em que vão eles se tomarem?... A voz de vosso presidente e meu amigo, tendo vindo até mim, o ouvi que lia algumas passagens de uma brochura onde se anuncia o fim do mundo como muito próximo. O assunto me interessou; escutei atentamente, e, depois de ter maduramente refletido, venho, como o autor da brochura, vos dizer Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!... Oh! não vos assusteis, senhoras; porque é preciso ele estar bem perto para tocá-lo, e quando o tocardes, vós o vereis.
À espera disto, eu vou, se o permitirdes, vos dar a minha apreciação sobre esta palavra, espantalho dos cérebros fracos, e também dos Espíritos fracos; porque, sabei-o, se a apreensão do fim do mundo terrifica os seres pusilânimes de vosso mundo, ela fere igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos aqueles que não são desmaterializados, quer dizer, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente, se amedrontam à idéia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, que esta idéia coloque em emoção certos Espíritos que não saberiam em que se tornar se a Terra não existisse mais; porque a
Terra é ainda o seu mundo, seu ponto de apoio.
Por mim, disse a mim mesmo: Sim, o fim do mundo está próximo; ele está ali, eu o vejo, eu o toco;... ele está próximo para aqueles que, com seu desconhecimento, trabalham para precipitar-lhe achegada!... Sim, o fim do mundo está próximo;... Mas de que mundo é o fim?
Será o fim do mundo da superstição, do despotismo dos abusos mantidos pela ignorância, da malevolência e da hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; em uma palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos que são o triste apanágio de vosso mundo.
Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Não é preciso ver aí, ao contrário, o cumprimento dos altos destinos da Humanidade? Se refletíssemos em tudo o que se passa ao nosso redor, esses sinais precursores não são o sinal do começo de um outro mundo, eu quero dizer de um outro mundo moral, antes do que o da destruição do mundo material?
Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar... Tudo concorre para o fim do velho mundo, e aqueles que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; eles o pressentem e com isto se assustam, crede-o bem, mais do que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, à qual se prendem mais do que a qualquer outra coisa; e isso será, a seu respeito, não vingança de Deus, porque Deus não se vinga, mas ajusta recompensa de seus atos.
Os Espíritos são, como vós, os filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o futuro; se são maus, não é que não tenham trabalhado para o futuro, é porque não trabalharam para se tomarem bons.
Amigos, o fim do mundo está próximo, e eu vos convido vivamente a tomarem boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo, quanto já se trabalha para reconstruí-lo.
A sábia previdência Daquele a quem nada escapa quer que tudo se reconstrua antes que tudo seja destruído; e quando o novo edifício estiver coroado, quando o cume estiver coberto, será então que se desmoronará o antigo; ele cairá por si mesmo; de sorte que, entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade.
É assim que é preciso entender o fim do mundo, que tantos sinais precursores pressagiam. E quais serão os operários mais poderosos para essa grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós, senhoritas, com a ajuda da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na casa da mulher em que o Espiritismo penetrou, há mais do que uma mulher, há uma operária espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda mais do que o homem na edificação do monumento; porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo, e deles souber servir-se, a maior parte da obra será feita por ela. Amamentando o corpo de seu filho, ela poderá também amamentar seu espírito; e quem é melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? A criança sugará, assim, em crescendo, o leite da espiritualidade, e quando tiverdes os Espíritas, filhos de Espíritas e pais de Espíritas, o fim do mundo, tal como o compreendemos, não terá se realizado? Admirai-vos, pois, depois disto, que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e da obstinação que se põe para abafá-lo em seu berço!
JOBARD.
[...]
Tendo sido lidos, na Sociedade de Paris, o fragmentos narrados acima, nosso antigo colega, Jobard, veio espontaneamente dar, sobre este assunto, a comunicação seguinte, por um médium em sonambulismo espiritual:
( Sociedade de Paris, 28 de fevereiro. Méd. Sr. Morin.)
Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Escutei com interesse, e, tendo reconhecido o barulho do riso dos encarnados e dos desencarnados, disse a mim mesmo: Sem dúvida, a coisa é interessante; vamos ver!...
Eu não acreditava, senhores, ter o prazer de vir passara noite junto de vós. No entanto, com isto estou sempre feliz, crede-o bem, porque sei toda a simpatia que conservastes para vosso antigo colega.
Aproximei-me, pois, e todos os barulhos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! gritava-se; o fim do mundo!...Ah! meu Deus, disse a mim mesmo, se for o fim do mundo, em que vão eles se tomarem?... A voz de vosso presidente e meu amigo, tendo vindo até mim, o ouvi que lia algumas passagens de uma brochura onde se anuncia o fim do mundo como muito próximo. O assunto me interessou; escutei atentamente, e, depois de ter maduramente refletido, venho, como o autor da brochura, vos dizer Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!... Oh! não vos assusteis, senhoras; porque é preciso ele estar bem perto para tocá-lo, e quando o tocardes, vós o vereis.
À espera disto, eu vou, se o permitirdes, vos dar a minha apreciação sobre esta palavra, espantalho dos cérebros fracos, e também dos Espíritos fracos; porque, sabei-o, se a apreensão do fim do mundo terrifica os seres pusilânimes de vosso mundo, ela fere igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos aqueles que não são desmaterializados, quer dizer, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente, se amedrontam à idéia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, que esta idéia coloque em emoção certos Espíritos que não saberiam em que se tornar se a Terra não existisse mais; porque a
Terra é ainda o seu mundo, seu ponto de apoio.
Por mim, disse a mim mesmo: Sim, o fim do mundo está próximo; ele está ali, eu o vejo, eu o toco;... ele está próximo para aqueles que, com seu desconhecimento, trabalham para precipitar-lhe achegada!... Sim, o fim do mundo está próximo;... Mas de que mundo é o fim?
Será o fim do mundo da superstição, do despotismo dos abusos mantidos pela ignorância, da malevolência e da hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; em uma palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos que são o triste apanágio de vosso mundo.
Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Não é preciso ver aí, ao contrário, o cumprimento dos altos destinos da Humanidade? Se refletíssemos em tudo o que se passa ao nosso redor, esses sinais precursores não são o sinal do começo de um outro mundo, eu quero dizer de um outro mundo moral, antes do que o da destruição do mundo material?
Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar... Tudo concorre para o fim do velho mundo, e aqueles que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; eles o pressentem e com isto se assustam, crede-o bem, mais do que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, à qual se prendem mais do que a qualquer outra coisa; e isso será, a seu respeito, não vingança de Deus, porque Deus não se vinga, mas ajusta recompensa de seus atos.
Os Espíritos são, como vós, os filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o futuro; se são maus, não é que não tenham trabalhado para o futuro, é porque não trabalharam para se tomarem bons.
Amigos, o fim do mundo está próximo, e eu vos convido vivamente a tomarem boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo, quanto já se trabalha para reconstruí-lo.
A sábia previdência Daquele a quem nada escapa quer que tudo se reconstrua antes que tudo seja destruído; e quando o novo edifício estiver coroado, quando o cume estiver coberto, será então que se desmoronará o antigo; ele cairá por si mesmo; de sorte que, entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade.
É assim que é preciso entender o fim do mundo, que tantos sinais precursores pressagiam. E quais serão os operários mais poderosos para essa grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós, senhoritas, com a ajuda da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na casa da mulher em que o Espiritismo penetrou, há mais do que uma mulher, há uma operária espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda mais do que o homem na edificação do monumento; porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo, e deles souber servir-se, a maior parte da obra será feita por ela. Amamentando o corpo de seu filho, ela poderá também amamentar seu espírito; e quem é melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? A criança sugará, assim, em crescendo, o leite da espiritualidade, e quando tiverdes os Espíritas, filhos de Espíritas e pais de Espíritas, o fim do mundo, tal como o compreendemos, não terá se realizado? Admirai-vos, pois, depois disto, que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e da obstinação que se põe para abafá-lo em seu berço!
JOBARD.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Site Amigos Espiritos
Olá meus queridos amigos
Feliz ano novo a todos vocês!!! Este ano coloquei na internet uma nova idéia, um site onde poderei ampliar as informações oferecidas, onde poderei interagir melhor, um cantinho especial e divertido criado só para receber os amigos.

krda.com.br
Neste espaço há o Site Amigos Espíritos, o Site Krdabr (artes gráficas) e meus poemas.
Aliás coloquei lá um novo texto "Espíritos Puros Reencarnam??" e me utilizo dele para convidá-los a visitar meu cantinho.
Bjs carinhosos
ClaudiaC.
Feliz ano novo a todos vocês!!! Este ano coloquei na internet uma nova idéia, um site onde poderei ampliar as informações oferecidas, onde poderei interagir melhor, um cantinho especial e divertido criado só para receber os amigos.

krda.com.br
Neste espaço há o Site Amigos Espíritos, o Site Krdabr (artes gráficas) e meus poemas.
Aliás coloquei lá um novo texto "Espíritos Puros Reencarnam??" e me utilizo dele para convidá-los a visitar meu cantinho.
Bjs carinhosos
ClaudiaC.
domingo, 27 de dezembro de 2009
OS VOTOS DE FELIZ ANO NOVO DE UM ESPÍRITA DE LEIPZIG
Um Espírita de Leipzig fez imprimir, em língua alemã, a correspondência seguinte da qual nos fazemos um prazer dar a tradução.
MEUS DESEJOS A TODO S OS ESPIRITAS E ESPIRITUALISTAS DE LEIPZIG, PELO ANO NOVO
A vós também, que vos chamais materialistas, porque não quereis conhecer senão a matéria, serei tentado de vos enviar meus desejos de felicidade, mas temo que não considerareis isto como um atrevimento de um estrangeiro que não tem o direito de contar-se entre vós.
Ocorre de outro modo com Espiritualistas, que estão sobre o mesmo terreno que os Espíritas no que toca à convicção da imortalidade da alma, de sua individualidade e de seu estado feliz ou infeliz depois da morte. Os Espiritualistas e os Espíritas reconhecem em cada homem uma alma irmã da sua, e por isso me dão o direito de lhes enviar meus votos. Uns e outros agradecem o Senhor pelo ano que vem de se escoar, e esperam que, sustentados por sua graça, terão a coragem de suportar as provas dos dias infelizes, à força de trabalhar em seu aperfeiçoamento, domando suas paixões.
A vós, caros Espíritas, irmãos e irmãs conhecidos e desconhecidos, eu vos desejo particularmente um ano feliz, porque recebestes de Deus, para vossa peregrinação terrestre, um grande apoio no Espiritismo. A religião veio trazer a todos a f é e bem felizes aqueles que a conservaram. Infelizmente, ela está extinta num grande número; é porque Deus envia uma nova arma para combatera incredulidade, o orgulho e o egoísmo que tomam proporções cada vez maiores. Esta arma nova é a comunicação com os Espíritos; por ela temos a fé, porque nos dá a certeza da vida da alma, e nos permite lançar um golpe de vista na outra vida; reconhecemos assim a vaidade da felicidade terrestre, e temos a solução das dificuldades que nos fazem duvidar de tudo, mesmo da existência de Deus.
Jesus disse a seus discípulos: "Teria ainda muitas coisas a vos dizer, mas não poderíeis ainda suportá-las." Hoje, tendo a Humanidade progredido, pode compreendêlas; foi porque Deus nos deu a ciência do Espiritismo, e a prova de que a Humanidade está madura para esta ciência, é que esta ciência existe. É inútil negar e zombar, como outrora foi inútil negar e zombar dos fatos adiantados por Copérnico e Galileu. Então esses fatos eram tão pouco reconhecidos quanto o são agora os do mundo dos Espíritos. Como outrora, os primeiros opositores são os sábios, até o dia em que, vendo-se isolados, reconhecerão humildemente que as novas descobertas, como o vapor, a
eletricidade e o magnetismo, que outrora eram desconhecidos, não são a última palavra das leis da Natureza. Eles serão responsáveis, diante das gerações futuras, por não terem acolhido a ciência nova como a irmã da outras, e de tê-la repelido como uma loucura.
É verdade que ela não ensina nada de novo proclamando a vida da alma, uma vez que o Cristo disto falou; mas o Espiritismo levanta todas as dúvidas e lança uma nova luz sobre esta questão. Guardemo-nos, no entanto, de considerar como inúteis os ensinamentos do cristianismo e de crê-los substituídos pelo Espiritismo; fortaleçamo-nos, ao contrário, na fonte das verdades cristãs, para as quais o Espiritismo não é senão uma nova bandeira, a fim de que nossa inteligência e nosso orgulho não nos desviem. O Espiritismo nos ensina, antes de qualquer coisa, que: "Sem o amor e a caridade, não há felicidade", quer dizer que é preciso amar seu próximo como a si mesmo; apoiando-se sobre esta verdade cristã, abre o caminho para o cumprimento desta palavra do Cristo: "Um só rebanho e um só pastor."
Assim, pois, caros irmãos e irmãs espíritas, permiti-me que aos meus votos para o ano novo eu acrescente ainda este pedido: que não medireis jamais o poder de se comunicar com o mundo espiritual. Não nos esqueçamos de que, segundo a lei sobre a qual repousam nossas relações com os Espíritos, os maus não são excluídos das comunicações. Se é difícil constatar a identidade de um Espírito que não conhecemos, é fácil distinguir os bons dos maus. Estes podem se esconder sob a máscara da hipocrisia, mas um bom Espírita os reconhece sempre; é porque não é preciso se ocupar dessas coisas levianamente, porque pode-se tornar-se o joguete de Espíritos maus, embora inteligentes, como são encontrados, às vezes, no mundo dos encarnados. Se compararmos nossas comunicações com aquelas que são obtidas nas reuniões de Espíritas fervorosos e sinceros, saberemos logo reconhecer se estamos no bom caminho. Os Espíritos elevados se fazem reconhecer pela sua linguagem, que é por toda parte a mesma, sempre de acordo com o Evangelho e a razão humana.
O meio de se preservar dos maus Espíritos é, primeiro, fazer uma prece sincera a Deus; segundo, não empregar jamais o Espiritismo para as coisas materiais. Os maus Espíritos estão sempre prontos a satisfazer a todos os pedidos, e se, às vezes, dizem coisas justas, o mais freqüentemente, enganam com intenção ou por ignorância, porque os Espíritos inferiores não sabem mais do que durante sua existência terrestre. Os bons Espíritos nos ajudam, ao contrário, em nossos esforços para nos melhorar, e nos fazem conhecer a vida espiritual, a fim de que possamos assimilá-la à nossa. Tal é objetivo para o qual devem tender todos os Espíritas sinceros.
Adolf, conde PONINSKI.
Leipzig, 1°de janeiro de 1868.
Revista Espírita, 1868, Allan Kardec
MEUS DESEJOS A TODO S OS ESPIRITAS E ESPIRITUALISTAS DE LEIPZIG, PELO ANO NOVO
A vós também, que vos chamais materialistas, porque não quereis conhecer senão a matéria, serei tentado de vos enviar meus desejos de felicidade, mas temo que não considerareis isto como um atrevimento de um estrangeiro que não tem o direito de contar-se entre vós.
Ocorre de outro modo com Espiritualistas, que estão sobre o mesmo terreno que os Espíritas no que toca à convicção da imortalidade da alma, de sua individualidade e de seu estado feliz ou infeliz depois da morte. Os Espiritualistas e os Espíritas reconhecem em cada homem uma alma irmã da sua, e por isso me dão o direito de lhes enviar meus votos. Uns e outros agradecem o Senhor pelo ano que vem de se escoar, e esperam que, sustentados por sua graça, terão a coragem de suportar as provas dos dias infelizes, à força de trabalhar em seu aperfeiçoamento, domando suas paixões.
A vós, caros Espíritas, irmãos e irmãs conhecidos e desconhecidos, eu vos desejo particularmente um ano feliz, porque recebestes de Deus, para vossa peregrinação terrestre, um grande apoio no Espiritismo. A religião veio trazer a todos a f é e bem felizes aqueles que a conservaram. Infelizmente, ela está extinta num grande número; é porque Deus envia uma nova arma para combatera incredulidade, o orgulho e o egoísmo que tomam proporções cada vez maiores. Esta arma nova é a comunicação com os Espíritos; por ela temos a fé, porque nos dá a certeza da vida da alma, e nos permite lançar um golpe de vista na outra vida; reconhecemos assim a vaidade da felicidade terrestre, e temos a solução das dificuldades que nos fazem duvidar de tudo, mesmo da existência de Deus.
Jesus disse a seus discípulos: "Teria ainda muitas coisas a vos dizer, mas não poderíeis ainda suportá-las." Hoje, tendo a Humanidade progredido, pode compreendêlas; foi porque Deus nos deu a ciência do Espiritismo, e a prova de que a Humanidade está madura para esta ciência, é que esta ciência existe. É inútil negar e zombar, como outrora foi inútil negar e zombar dos fatos adiantados por Copérnico e Galileu. Então esses fatos eram tão pouco reconhecidos quanto o são agora os do mundo dos Espíritos. Como outrora, os primeiros opositores são os sábios, até o dia em que, vendo-se isolados, reconhecerão humildemente que as novas descobertas, como o vapor, a
eletricidade e o magnetismo, que outrora eram desconhecidos, não são a última palavra das leis da Natureza. Eles serão responsáveis, diante das gerações futuras, por não terem acolhido a ciência nova como a irmã da outras, e de tê-la repelido como uma loucura.
É verdade que ela não ensina nada de novo proclamando a vida da alma, uma vez que o Cristo disto falou; mas o Espiritismo levanta todas as dúvidas e lança uma nova luz sobre esta questão. Guardemo-nos, no entanto, de considerar como inúteis os ensinamentos do cristianismo e de crê-los substituídos pelo Espiritismo; fortaleçamo-nos, ao contrário, na fonte das verdades cristãs, para as quais o Espiritismo não é senão uma nova bandeira, a fim de que nossa inteligência e nosso orgulho não nos desviem. O Espiritismo nos ensina, antes de qualquer coisa, que: "Sem o amor e a caridade, não há felicidade", quer dizer que é preciso amar seu próximo como a si mesmo; apoiando-se sobre esta verdade cristã, abre o caminho para o cumprimento desta palavra do Cristo: "Um só rebanho e um só pastor."
Assim, pois, caros irmãos e irmãs espíritas, permiti-me que aos meus votos para o ano novo eu acrescente ainda este pedido: que não medireis jamais o poder de se comunicar com o mundo espiritual. Não nos esqueçamos de que, segundo a lei sobre a qual repousam nossas relações com os Espíritos, os maus não são excluídos das comunicações. Se é difícil constatar a identidade de um Espírito que não conhecemos, é fácil distinguir os bons dos maus. Estes podem se esconder sob a máscara da hipocrisia, mas um bom Espírita os reconhece sempre; é porque não é preciso se ocupar dessas coisas levianamente, porque pode-se tornar-se o joguete de Espíritos maus, embora inteligentes, como são encontrados, às vezes, no mundo dos encarnados. Se compararmos nossas comunicações com aquelas que são obtidas nas reuniões de Espíritas fervorosos e sinceros, saberemos logo reconhecer se estamos no bom caminho. Os Espíritos elevados se fazem reconhecer pela sua linguagem, que é por toda parte a mesma, sempre de acordo com o Evangelho e a razão humana.
O meio de se preservar dos maus Espíritos é, primeiro, fazer uma prece sincera a Deus; segundo, não empregar jamais o Espiritismo para as coisas materiais. Os maus Espíritos estão sempre prontos a satisfazer a todos os pedidos, e se, às vezes, dizem coisas justas, o mais freqüentemente, enganam com intenção ou por ignorância, porque os Espíritos inferiores não sabem mais do que durante sua existência terrestre. Os bons Espíritos nos ajudam, ao contrário, em nossos esforços para nos melhorar, e nos fazem conhecer a vida espiritual, a fim de que possamos assimilá-la à nossa. Tal é objetivo para o qual devem tender todos os Espíritas sinceros.
Adolf, conde PONINSKI.
Leipzig, 1°de janeiro de 1868.
Revista Espírita, 1868, Allan Kardec
sábado, 12 de dezembro de 2009
EM CASA NOUTRO PLANETA
Hoje é sábado, meu sinal de internet continua horrível como sempre, resolvi me dedicar aos livros, porém não à leitura mas a organização. Arrumando uns, ajeitando outros, registrando novos no cadastro da minha pequena biblioteca pessoal e cadastrando outros no site www.trocandolivros.com.br , quando folhei um livro que um amigo pediu para cadastrar no site: O Paraíso é uma Questão Pessoal.
Do mesmo autor de Fernão Capelo Gaivota, fiquei relembrando cenas do filme maravilhoso e que fornece lindos ensinamentos espíritas, lembrei que meu amigo já havia dito que este livro era meu e o tinha emprestado e eu dizia que não, isto ocorreu umas quatro vezes e esta lembrança me fez sorrir com carinho.
O livro é composto por pequenas crônicas e o título de uma me chamou a atenção: Em Casa Noutro Planeta. Sendo este, assunto de minhas pesquisas atuais, resolvi ler e ao final sorri de certa forma agradecida e resolvi partilhá-lo com meus amigos. Vou colocar a crônica na íntegra e em azul abaixo, boa leitura.
Em Casa Noutro Planeta (1969)
“Eu tinha acabado de subir no ClipWing e de praticar uma pequena seqüência: loop seguido de tonneau, seguido de parafuso, seguido de immelmann, só por prazer. Estava satisfeito, nesse dia, de ter conseguido fazer um bom immelmann. Não é fácil de fazer mas, após algum tempo, a gente tem prazer em conseguir fazer uma manobra tão espetacular. Antigamente, as pessoas que viam os meus immelmanns, diziam:- Puxa, que horrível tonneau! – Tinha que explicar que a Força Aérea não ensinava a fazer nenhuma manobra de gravidade negativa, de modo que eu tive de aprende-las por minha conta e, como a minha capacidade de aprender diminui sem um instrutor de má catadura sentado atrás de mim, até que é uma grande coisa pôr o avião outra vez de barriga para baixo, quando é chegada a hora de aterrisar.
Terminei aquela seqüência bastante razoável com um regular immelmann, voei mais um pouco, olhando para fora da cabine para as pessoas trabalhando, na escola, ou dirigindo automóveis de folha de lata, ao longo de estradas atravancadas. Depois, a aterrissagem e num momento o motor estava tão quieto como cinquênta minutos antes; um término normal para um vôo normal. Saí do avião, trouxe o manche para trás, amarrei os cabos dos montantes e da cauda, travei o leme de direção.
Mas aí, bem no meio de toda essa normalidade cotidiana, tive, de repente, a mais estranha das sensações. O avião, a luz do sol, a grama, os hangares, as árvores verdes, o leme nas minhas mãos, o chão sob meus pés... tudo me era estranho, distante.
Esse não é o meu planeta. Esta não é a minha terra.
Foi um dos momentos mais horríveis da minha vida, o que aconteceu quando as minhas mãos largaram o leme de direção.
Este mundo parece estranho porque ele é estranho. Estou aqui há pouco tempo apenas. Minhas recordações secretas são de outros tempos e de outros mundos.
Que estranha maneira de pensar, disse comigo mesmo, vamos sair dessa, meu filho. Mas quem diz que eu conseguia? Na verdade, recordava pedaços dessa sensação, fragmentos dela após cada vôo que eu fazia - a estranha sensação de voltar para a terra, a convicção profunda de que este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra.
Venho de outro lugar e para ele voltarei um dia.
Era tão absorvente, essa sensação, que me esqueci de verificar os pneus, antes de partir e praguejei contra mim mesmo, da próxima vez em que voei. O imbecil que se esquece de verificar os seus pneus, que é que pode esperar dele?
Mas essa mesma sensação me tem perseguido repetidas vezes desde aquele vôo no Cub. Não sei a que atribuí-la nem como explicá-la, exceto que talvez seja verdade. E, se for verdade, se estamos todos passando por este planeta para adquirir experiência ou aprendizado, que significa isso?
Se for verdade, provavelmente significa que não devemos nos preocupar. provavelmente significa que eu posso pegar nas coisas com que tão solenemente me preocupo, nesta vida, e olhar para elas como se fosse um visitante do planeta, dizendo, ora eu não tenho nada a ver com elas. Para mim, isso faz diferença.
Não achei que fosse o único visitante a quem tivesse ocorrido, leme na mão ou no meio de um immelmann, a mesma sensação. Sabia que todo aquele que voa pode ter sentido, de vez em quando, a mesma estranheza num mundo que, sob todos os pontos de vista da lógica, deveria ser familiar como um lar.
E estava certo. Por que um dia, após um vôo em formação sobre nuvens de verão, uma beleza de vista, um amigo me disse quase a mesma coisa.
-Toda essa conversa de se lançar no espaço - há ocasiões, como agora, em que eu sinto que estou voltando. Estranho, sabe, como se eu fosse um venusiano ou algo parecido. Entende o que quero dizer? Alguma vez lhe aconteceu? Já pensou nisso?
-Talvez. Ás vezes. Sim, já pensei nisso. - Quer dizer que eu não estou louco, pensei. Não sou só eu.
Cada vez acontece mais comigo e devo confessar que não é desagradável ter raízes noutro tempo.
Gostaria de saber como é voar, na minha terra.”
“este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra” esta frase me chamou muito a atenção pois ela demosntra que nós nos consideramos muito mais humanos que espíritos, acreditamos profundamente que somos terráqueos, quando na verdade somos universais, porque somos espíritos.
ClaudiaC.
Do mesmo autor de Fernão Capelo Gaivota, fiquei relembrando cenas do filme maravilhoso e que fornece lindos ensinamentos espíritas, lembrei que meu amigo já havia dito que este livro era meu e o tinha emprestado e eu dizia que não, isto ocorreu umas quatro vezes e esta lembrança me fez sorrir com carinho.
O livro é composto por pequenas crônicas e o título de uma me chamou a atenção: Em Casa Noutro Planeta. Sendo este, assunto de minhas pesquisas atuais, resolvi ler e ao final sorri de certa forma agradecida e resolvi partilhá-lo com meus amigos. Vou colocar a crônica na íntegra e em azul abaixo, boa leitura.
Em Casa Noutro Planeta (1969)
“Eu tinha acabado de subir no ClipWing e de praticar uma pequena seqüência: loop seguido de tonneau, seguido de parafuso, seguido de immelmann, só por prazer. Estava satisfeito, nesse dia, de ter conseguido fazer um bom immelmann. Não é fácil de fazer mas, após algum tempo, a gente tem prazer em conseguir fazer uma manobra tão espetacular. Antigamente, as pessoas que viam os meus immelmanns, diziam:- Puxa, que horrível tonneau! – Tinha que explicar que a Força Aérea não ensinava a fazer nenhuma manobra de gravidade negativa, de modo que eu tive de aprende-las por minha conta e, como a minha capacidade de aprender diminui sem um instrutor de má catadura sentado atrás de mim, até que é uma grande coisa pôr o avião outra vez de barriga para baixo, quando é chegada a hora de aterrisar.
Terminei aquela seqüência bastante razoável com um regular immelmann, voei mais um pouco, olhando para fora da cabine para as pessoas trabalhando, na escola, ou dirigindo automóveis de folha de lata, ao longo de estradas atravancadas. Depois, a aterrissagem e num momento o motor estava tão quieto como cinquênta minutos antes; um término normal para um vôo normal. Saí do avião, trouxe o manche para trás, amarrei os cabos dos montantes e da cauda, travei o leme de direção.
Mas aí, bem no meio de toda essa normalidade cotidiana, tive, de repente, a mais estranha das sensações. O avião, a luz do sol, a grama, os hangares, as árvores verdes, o leme nas minhas mãos, o chão sob meus pés... tudo me era estranho, distante.
Esse não é o meu planeta. Esta não é a minha terra.
Foi um dos momentos mais horríveis da minha vida, o que aconteceu quando as minhas mãos largaram o leme de direção.
Este mundo parece estranho porque ele é estranho. Estou aqui há pouco tempo apenas. Minhas recordações secretas são de outros tempos e de outros mundos.
Que estranha maneira de pensar, disse comigo mesmo, vamos sair dessa, meu filho. Mas quem diz que eu conseguia? Na verdade, recordava pedaços dessa sensação, fragmentos dela após cada vôo que eu fazia - a estranha sensação de voltar para a terra, a convicção profunda de que este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra.
Venho de outro lugar e para ele voltarei um dia.
Era tão absorvente, essa sensação, que me esqueci de verificar os pneus, antes de partir e praguejei contra mim mesmo, da próxima vez em que voei. O imbecil que se esquece de verificar os seus pneus, que é que pode esperar dele?
Mas essa mesma sensação me tem perseguido repetidas vezes desde aquele vôo no Cub. Não sei a que atribuí-la nem como explicá-la, exceto que talvez seja verdade. E, se for verdade, se estamos todos passando por este planeta para adquirir experiência ou aprendizado, que significa isso?
Se for verdade, provavelmente significa que não devemos nos preocupar. provavelmente significa que eu posso pegar nas coisas com que tão solenemente me preocupo, nesta vida, e olhar para elas como se fosse um visitante do planeta, dizendo, ora eu não tenho nada a ver com elas. Para mim, isso faz diferença.
Não achei que fosse o único visitante a quem tivesse ocorrido, leme na mão ou no meio de um immelmann, a mesma sensação. Sabia que todo aquele que voa pode ter sentido, de vez em quando, a mesma estranheza num mundo que, sob todos os pontos de vista da lógica, deveria ser familiar como um lar.
E estava certo. Por que um dia, após um vôo em formação sobre nuvens de verão, uma beleza de vista, um amigo me disse quase a mesma coisa.
-Toda essa conversa de se lançar no espaço - há ocasiões, como agora, em que eu sinto que estou voltando. Estranho, sabe, como se eu fosse um venusiano ou algo parecido. Entende o que quero dizer? Alguma vez lhe aconteceu? Já pensou nisso?
-Talvez. Ás vezes. Sim, já pensei nisso. - Quer dizer que eu não estou louco, pensei. Não sou só eu.
Cada vez acontece mais comigo e devo confessar que não é desagradável ter raízes noutro tempo.
Gostaria de saber como é voar, na minha terra.”
“este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra” esta frase me chamou muito a atenção pois ela demosntra que nós nos consideramos muito mais humanos que espíritos, acreditamos profundamente que somos terráqueos, quando na verdade somos universais, porque somos espíritos.
ClaudiaC.
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