sábado, 9 de janeiro de 2010

Site Amigos Espiritos

Olá meus queridos amigos

Feliz ano novo a todos vocês!!! Este ano coloquei na internet uma nova idéia, um site onde poderei ampliar as informações oferecidas, onde poderei interagir melhor, um cantinho especial e divertido criado só para receber os amigos.


krda.com.br

Neste espaço há o Site Amigos Espíritos, o Site Krdabr (artes gráficas) e meus poemas.

Aliás coloquei lá um novo texto "Espíritos Puros Reencarnam??" e me utilizo dele para convidá-los a visitar meu cantinho.

Bjs carinhosos
ClaudiaC.

Leia Mais...

domingo, 27 de dezembro de 2009

OS VOTOS DE FELIZ ANO NOVO DE UM ESPÍRITA DE LEIPZIG

Um Espírita de Leipzig fez imprimir, em língua alemã, a correspondência seguinte da qual nos fazemos um prazer dar a tradução.

MEUS DESEJOS A TODO S OS ESPIRITAS E ESPIRITUALISTAS DE LEIPZIG, PELO ANO NOVO

A vós também, que vos chamais materialistas, porque não quereis conhecer senão a matéria, serei tentado de vos enviar meus desejos de felicidade, mas temo que não considerareis isto como um atrevimento de um estrangeiro que não tem o direito de contar-se entre vós.

Ocorre de outro modo com Espiritualistas, que estão sobre o mesmo terreno que os Espíritas no que toca à convicção da imortalidade da alma, de sua individualidade e de seu estado feliz ou infeliz depois da morte. Os Espiritualistas e os Espíritas reconhecem em cada homem uma alma irmã da sua, e por isso me dão o direito de lhes enviar meus votos. Uns e outros agradecem o Senhor pelo ano que vem de se escoar, e esperam que, sustentados por sua graça, terão a coragem de suportar as provas dos dias infelizes, à força de trabalhar em seu aperfeiçoamento, domando suas paixões.

A vós, caros Espíritas, irmãos e irmãs conhecidos e desconhecidos, eu vos desejo particularmente um ano feliz, porque recebestes de Deus, para vossa peregrinação terrestre, um grande apoio no Espiritismo. A religião veio trazer a todos a f é e bem felizes aqueles que a conservaram. Infelizmente, ela está extinta num grande número; é porque Deus envia uma nova arma para combatera incredulidade, o orgulho e o egoísmo que tomam proporções cada vez maiores. Esta arma nova é a comunicação com os Espíritos; por ela temos a fé, porque nos dá a certeza da vida da alma, e nos permite lançar um golpe de vista na outra vida; reconhecemos assim a vaidade da felicidade terrestre, e temos a solução das dificuldades que nos fazem duvidar de tudo, mesmo da existência de Deus.

Jesus disse a seus discípulos: "Teria ainda muitas coisas a vos dizer, mas não poderíeis ainda suportá-las." Hoje, tendo a Humanidade progredido, pode compreendêlas; foi porque Deus nos deu a ciência do Espiritismo, e a prova de que a Humanidade está madura para esta ciência, é que esta ciência existe. É inútil negar e zombar, como outrora foi inútil negar e zombar dos fatos adiantados por Copérnico e Galileu. Então esses fatos eram tão pouco reconhecidos quanto o são agora os do mundo dos Espíritos. Como outrora, os primeiros opositores são os sábios, até o dia em que, vendo-se isolados, reconhecerão humildemente que as novas descobertas, como o vapor, a
eletricidade e o magnetismo, que outrora eram desconhecidos, não são a última palavra das leis da Natureza. Eles serão responsáveis, diante das gerações futuras, por não terem acolhido a ciência nova como a irmã da outras, e de tê-la repelido como uma loucura.

É verdade que ela não ensina nada de novo proclamando a vida da alma, uma vez que o Cristo disto falou; mas o Espiritismo levanta todas as dúvidas e lança uma nova luz sobre esta questão. Guardemo-nos, no entanto, de considerar como inúteis os ensinamentos do cristianismo e de crê-los substituídos pelo Espiritismo; fortaleçamo-nos, ao contrário, na fonte das verdades cristãs, para as quais o Espiritismo não é senão uma nova bandeira, a fim de que nossa inteligência e nosso orgulho não nos desviem. O Espiritismo nos ensina, antes de qualquer coisa, que: "Sem o amor e a caridade, não há felicidade", quer dizer que é preciso amar seu próximo como a si mesmo; apoiando-se sobre esta verdade cristã, abre o caminho para o cumprimento desta palavra do Cristo: "Um só rebanho e um só pastor."

Assim, pois, caros irmãos e irmãs espíritas, permiti-me que aos meus votos para o ano novo eu acrescente ainda este pedido: que não medireis jamais o poder de se comunicar com o mundo espiritual. Não nos esqueçamos de que, segundo a lei sobre a qual repousam nossas relações com os Espíritos, os maus não são excluídos das comunicações. Se é difícil constatar a identidade de um Espírito que não conhecemos, é fácil distinguir os bons dos maus. Estes podem se esconder sob a máscara da hipocrisia, mas um bom Espírita os reconhece sempre; é porque não é preciso se ocupar dessas coisas levianamente, porque pode-se tornar-se o joguete de Espíritos maus, embora inteligentes, como são encontrados, às vezes, no mundo dos encarnados. Se compararmos nossas comunicações com aquelas que são obtidas nas reuniões de Espíritas fervorosos e sinceros, saberemos logo reconhecer se estamos no bom caminho. Os Espíritos elevados se fazem reconhecer pela sua linguagem, que é por toda parte a mesma, sempre de acordo com o Evangelho e a razão humana.

O meio de se preservar dos maus Espíritos é, primeiro, fazer uma prece sincera a Deus; segundo, não empregar jamais o Espiritismo para as coisas materiais. Os maus Espíritos estão sempre prontos a satisfazer a todos os pedidos, e se, às vezes, dizem coisas justas, o mais freqüentemente, enganam com intenção ou por ignorância, porque os Espíritos inferiores não sabem mais do que durante sua existência terrestre. Os bons Espíritos nos ajudam, ao contrário, em nossos esforços para nos melhorar, e nos fazem conhecer a vida espiritual, a fim de que possamos assimilá-la à nossa. Tal é objetivo para o qual devem tender todos os Espíritas sinceros.

Adolf, conde PONINSKI.

Leipzig, 1°de janeiro de 1868.


Revista Espírita, 1868, Allan Kardec

Leia Mais...

sábado, 12 de dezembro de 2009

EM CASA NOUTRO PLANETA

Hoje é sábado, meu sinal de internet continua horrível como sempre, resolvi me dedicar aos livros, porém não à leitura mas a organização. Arrumando uns, ajeitando outros, registrando novos no cadastro da minha pequena biblioteca pessoal e cadastrando outros no site www.trocandolivros.com.br , quando folhei um livro que um amigo pediu para cadastrar no site: O Paraíso é uma Questão Pessoal.

Do mesmo autor de Fernão Capelo Gaivota, fiquei relembrando cenas do filme maravilhoso e que fornece lindos ensinamentos espíritas, lembrei que meu amigo já havia dito que este livro era meu e o tinha emprestado e eu dizia que não, isto ocorreu umas quatro vezes e esta lembrança me fez sorrir com carinho.

O livro é composto por pequenas crônicas e o título de uma me chamou a atenção: Em Casa Noutro Planeta. Sendo este, assunto de minhas pesquisas atuais, resolvi ler e ao final sorri de certa forma agradecida e resolvi partilhá-lo com meus amigos. Vou colocar a crônica na íntegra e em azul abaixo, boa leitura.

Em Casa Noutro Planeta (1969)

“Eu tinha acabado de subir no ClipWing e de praticar uma pequena seqüência: loop seguido de tonneau, seguido de parafuso, seguido de immelmann, só por prazer. Estava satisfeito, nesse dia, de ter conseguido fazer um bom immelmann. Não é fácil de fazer mas, após algum tempo, a gente tem prazer em conseguir fazer uma manobra tão espetacular. Antigamente, as pessoas que viam os meus immelmanns, diziam:- Puxa, que horrível tonneau! – Tinha que explicar que a Força Aérea não ensinava a fazer nenhuma manobra de gravidade negativa, de modo que eu tive de aprende-las por minha conta e, como a minha capacidade de aprender diminui sem um instrutor de má catadura sentado atrás de mim, até que é uma grande coisa pôr o avião outra vez de barriga para baixo, quando é chegada a hora de aterrisar.

Terminei aquela seqüência bastante razoável com um regular immelmann, voei mais um pouco, olhando para fora da cabine para as pessoas trabalhando, na escola, ou dirigindo automóveis de folha de lata, ao longo de estradas atravancadas. Depois, a aterrissagem e num momento o motor estava tão quieto como cinquênta minutos antes; um término normal para um vôo normal. Saí do avião, trouxe o manche para trás, amarrei os cabos dos montantes e da cauda, travei o leme de direção.

Mas aí, bem no meio de toda essa normalidade cotidiana, tive, de repente, a mais estranha das sensações. O avião, a luz do sol, a grama, os hangares, as árvores verdes, o leme nas minhas mãos, o chão sob meus pés... tudo me era estranho, distante.

Esse não é o meu planeta. Esta não é a minha terra.

Foi um dos momentos mais horríveis da minha vida, o que aconteceu quando as minhas mãos largaram o leme de direção.

Este mundo parece estranho porque ele é estranho. Estou aqui há pouco tempo apenas. Minhas recordações secretas são de outros tempos e de outros mundos.

Que estranha maneira de pensar, disse comigo mesmo, vamos sair dessa, meu filho. Mas quem diz que eu conseguia? Na verdade, recordava pedaços dessa sensação, fragmentos dela após cada vôo que eu fazia - a estranha sensação de voltar para a terra, a convicção profunda de que este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra.

Venho de outro lugar e para ele voltarei um dia.

Era tão absorvente, essa sensação, que me esqueci de verificar os pneus, antes de partir e praguejei contra mim mesmo, da próxima vez em que voei. O imbecil que se esquece de verificar os seus pneus, que é que pode esperar dele?

Mas essa mesma sensação me tem perseguido repetidas vezes desde aquele vôo no Cub. Não sei a que atribuí-la nem como explicá-la, exceto que talvez seja verdade. E, se for verdade, se estamos todos passando por este planeta para adquirir experiência ou aprendizado, que significa isso?

Se for verdade, provavelmente significa que não devemos nos preocupar. provavelmente significa que eu posso pegar nas coisas com que tão solenemente me preocupo, nesta vida, e olhar para elas como se fosse um visitante do planeta, dizendo, ora eu não tenho nada a ver com elas. Para mim, isso faz diferença.

Não achei que fosse o único visitante a quem tivesse ocorrido, leme na mão ou no meio de um immelmann, a mesma sensação. Sabia que todo aquele que voa pode ter sentido, de vez em quando, a mesma estranheza num mundo que, sob todos os pontos de vista da lógica, deveria ser familiar como um lar.

E estava certo. Por que um dia, após um vôo em formação sobre nuvens de verão, uma beleza de vista, um amigo me disse quase a mesma coisa.

-Toda essa conversa de se lançar no espaço - há ocasiões, como agora, em que eu sinto que estou voltando. Estranho, sabe, como se eu fosse um venusiano ou algo parecido. Entende o que quero dizer? Alguma vez lhe aconteceu? Já pensou nisso?

-Talvez. Ás vezes. Sim, já pensei nisso. - Quer dizer que eu não estou louco, pensei. Não sou só eu.

Cada vez acontece mais comigo e devo confessar que não é desagradável ter raízes noutro tempo.

Gostaria de saber como é voar, na minha terra.”

“este planeta, para mim, pode significar férias, escola, aprendizado ou teste, mas nunca a minha terra” esta frase me chamou muito a atenção pois ela demosntra que nós nos consideramos muito mais humanos que espíritos, acreditamos profundamente que somos terráqueos, quando na verdade somos universais, porque somos espíritos.

ClaudiaC.

Leia Mais...

domingo, 4 de outubro de 2009

Me ajudem na minha pesquisa...

Olá amigos
 
Meu nome é Claudia e estou fazendo uma pesquisa sobre o medo e gostaria de convidar vocês para responderem a um formulário bem simples.
Não precisa de identificar, cadastrar, nada, apenas ser honesto e responder o formulário.
 
Você irá encontrá-lo no link abaixo.
http://www.krda.com.br/pesquisa/formulario.htm
 
Desde já agradeço a todos que quiserem participar
 
Uma abraço
Claudia

Leia Mais...

sábado, 12 de setembro de 2009

O Tempo e o Espaço no Mundo Espiritual

O Tempo

Buscando o conceito geral da palavra tempo, encontrada no Dicionário Aurélio, podemos dizer que tempo é uma sucessão de anos, dias e horas e que envolvem a noção de presente, passado e futuro.

Mas o tempo não é algo material, não é físico, apesar de se basear em convensões físicas. Se a teoria da relatividade a duração de um evento é relativa ao referencial inercial em que se encontra o observador, por exemplo se o indivíduo está em movimento em relação a um evento, a duração deste evento será diferente de outro indivíduo que o observa parado.

Além disto a percepção de duração é relativa também ao estado do observador. Fisiologicamente, a incerteza de um julgamento temporal aumenta com a duração do intervalo julgado. Isto parece ter origem na lei de Weber (proposta por Ernst Weber, em 1831), segundo o qual para percebermos que um dado estímulo sensorial sofreu variação, o acréscimo (ou decréscimo) mínimo necessário deve ser proporcional à magnitude inicial do estímulo original.

Todos nós também já experimentamos a sensação de o tempo "voar", quando estamos em lugares ou situações agradáveis, ou de se "arrastar", nos momentos em que esperamos com ansiedade algo acontecer. Novamente, parece ser a atenção que prestamos à sucessão de eventos em curso o fator determinante de nossa experiência temporal. Vários estudos demonstram que a duração de um estímulo sensorial, tal como percebida por um observador, é fortemente influenciada pela atenção que ele dispensa ao estímulo.

Se no mundo espiritual o pensamento é tudo, como dizem, a noção de tempo é semelhante e amplificada, pois a duração de um evento espiritual é influenciada pela atenção dispensada ao evento.

Para Kardec no livro A Gênese, o tempo não é senão a relação das coisas transitórias, e portanto, unicamente de coisas que se medem, é uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; já a eternidade, do ponto de vista de sua duração, não pode ser medida, não tem começo nem fim, tudo é o presente.

Se formos assistir ao filme onde um homem nasce com um corpo que convencionamos chamar de velho e morre com ele novo, sabemos que o tempo está invertido. Isto ocorre porque ligamos a imagem do corpo ao tempo percorrido. Muitas pessoas tem uma surpreendente noção do tempo percorrido quando se olham no espelho.

Quando Kardec diz, no item 14 do Código Penal da Vida Futura, do livro O Céu e o Inferno, que a duração de um castigo que está subordinado ao melhoramento do espírito, diz que aquele que não melhora, não se arrepende continua sofrendo sempre e seu castigo lhe parece eterno. Como no mundo espiritual não existe uma sequência de eventos que possa ser medida, o espírito que sofre mantém toda a sua atenção voltada ao seu sofrimento e tem a percepção de que o tempo parou e nunca terá fim. Se considerarmos que no mundo espiritual tudo depende da capacidade evolutiva do espírito, a percepção da eternidade das penas é maior nos espíritos inferiores e menor nos espíritos superiores.

Muitas vezes vemos em reuniões mediúnicas espíritos que acreditam estar ainda naquele tempo em que viviam encarnados, porque a sua atenção e seu pensamento mantém uma imagem quase estática no sentido temporal e isto faz com que o indivíduo acredite estar vivo, pois seu aparente corpo não envelhece, as lembranças de que recorda são sempre as mesmas.

O Espaço

De acordo com o Dicionário Aurélio o espaço é a distância entre dois pontos; área ou volume entre limites determinados. Lugar mais ou menos bem definido, que pode ser ocupado por algo ou alguém. Se compreendemos o mundo espiritual eterno e infinito, o compreendemos sem começo nem fim.

Mas e o espaço dentro deste infinito? Pode ser medido, utilizado, criado e destruído? Se considerarmos o Universo como um todo o espaço passível de ser ponderado seria o físico e material, os planetas, estrelas, cometas etc.

O Espírito errante, ou seja, aquele que habita o mundo espiritual não se encontra num espaço delimitado. Porém como afirmam os Espíritos na questão 234 do O Livro dos Espíritos: "Há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que eles podem habitar temporariamente, espécies de acampamentos, de lugares em que possam repousar de erraticidades muito longas, que são sempre um pouco penosas. São posições intermediárias entre os mundos, graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que podem atingi-las e que nelas gozam de maior ou menor bem-estar."

Então poderíamos dizer que por fim existem os conhecidos Vales de sofrimento, como o vale dos suicidas e até as colônias espirituais como o Nosso Lar entre outras? Sim, se os considerarmos físicos e não espirituais. Isto é explicado na questão 236, onde os Espíritos nos dão as características destes mundos: Não são habitados por seres corpóreos e sua superfície é temporariamente estéril, assim como a Terra já foi durante a sua formação. Esta descrição deixa claro que os mundos transitórios são mundos materiais no qual os espíritos afins se encontram.

Não poderíamos compreender estes vales como a descrição de mundos transitórios habitados espiritualmente por espíritos simpáticos pelo mal ou pela dor? Mesmo quando um espírito desencarnados nos descreve estes locais, vales ou colônias, como próximos à Terra, esta proximidade seria a relação entre tempo e espaço, e sendo a transmissão de pensamento quase imediata e estando o espírito onde está seu pensamento, talvez ainda não possamos compreender a amplitude que pode ter este conceito de proximidade.

Claudia C.

Obras básicas de Allan Kardec

Máscaras do Tempo. artigo publicado na Revista Scientific American Brasil, edição nº 50, de julho de 2006, de Marcus Vinícius C. Baldo, André M. Cravo e Hamilton Haddad Jr.

Leia Mais...

sábado, 5 de setembro de 2009

SOU RELIGIOSO

 Rubem Alves

Eu sou muito religioso. Por isso trato cuidadosamente de evitar igrejas e cerimônias religiosas: para que meus sentimentos religiosos não sejam perturbados. Minhas experiências passadas com igrejas não têm sido boas. Sempre que vou a igrejas ou participo de cerimônias religiosas minha alma fica irritada. Os porta-vozes de Deus sempre falam demais. Parecem gostar do som da sua voz. Gostaria de uma igreja onde não houvesse sermões: só silêncio, música e poesia. Houve exceções de que não me esqueço. Uma missa na catedral de Cuernavaca, México. Se houve homilia eu nem me lembro.

Lembro-me da dança  todo mundo dançando, ao ritmo da música dos mariachis. Foi alegria pura. Lembro-me também de uma semana que passei num mosteiro da Suíça onde se cultivava o silêncio. Três vezes ao dia, às seis da manhã, ao meio-dia e às seis da tarde havia uma meia hora litúrgica onde nada era dito. Apenas o silêncio, as velas, a contemplação dos ícones de Cristo. Foi beleza. Deve ter havido outras ocasiões. Mas não estou me lembrando delas no momento.

Quando me perguntam eu deveria dizer que não sou religioso. Dizendo-me religioso os outros logo pensam que sou adepto de alguma religião. Eles imaginam que as religiões e as igrejas são semelhantes aos supermercados, lugares onde a gente vai se abastecer de mercadorias sagradas. Para eles, ter sentimentos religiosos sem freqüentar igrejas ou pertencer a religiões seria o mesmo que dizer que me abasteço de verduras, frutas, legumes, carnes, leite, cereais sem fazer compras.

Daí não entenderem que eu possa ter sentimentos religiosos sem freqüentar igrejas. De fato, eu não pertenço a grupo religioso algum. Meus sentimentos nada têm a ver com igrejas e rituais religiosos. Talvez eu devesse simplesmente dizer que sou místico sem religião. Se os religiosos disserem que isso não é possível, que é preciso ter uma religião, eu lhes direi que não há indicações de que Deus tenha concordado em se tornar numa mercadoria a ser distribuída com exclusividade pelos seus supermercados religiosos. Deus é livre como o Vento  pelo menos foi isso que Jesus disse. Claro que há religiões que dizem que o Vento só pode ser obtido engarrafado. Elas se acreditam como distribuidoras de Vento engarrafado. Uma religião que afirme que o sagrado é um monopólio seu está dizendo que ela conseguiu engarrafar o Vento, que ela conseguiu por o Vento sob seu controle. E isso é idolatria. Os teólogos medievais sabiam que o finito não pode conter o infinito.

A minha experiência com o sagrado vem sempre fora de lugares religiosos, diante do mistério da noite estrelada, de uma teia de aranha, de uma árvore florida, da ternura do amor, do riso de uma criança, da frescura dos riachos, da graça do vôo dos urubus, da alegria do cachorro que me recebe. Essas coisas que me dão alegria e que, por isso mesmo, são para mim sagradas, eu nunca as encontrei nas igrejas. Sagrado, para mim, é aquilo que meu coração deseja que seja eterno. O sagrado é a realização do amor. Meu misticismo, assim, nada me diz sobre seres de um outro mundo. Ele não me informa sobre deuses, céus, infernos, pecados, demônios e anjos. Meu misticismo não aumenta o meu conhecimento sobre o universo. Meu misticismo não é um substituto para a ciência.

Meu misticismo, também, não me dá conselhos morais. Não ordena que eu seja bom. Não me manda ajudar os pobres. Não me manda lutar pela justiça. Não é preciso ser místico para ser bom, para amar os pobres, para lutar pela justiça. Acho vergonhoso ser bom, amar os pobres e lutar pela justiça porque Jesus manda. Então é porque ele manda? Se não mandasse a gente não faria? Se Deus não mandasse e não ameaçasse não seríamos bons? Se assim é, então somos bons, amamos os pobres e lutamos pela justiça porque temos medo. Mas tudo o que brota do medo é o oposto do sagrado. O amor lança fora o medo.

Meu misticismo nem me dá conhecimentos de um outro mundo e nem me dá ordens morais. Ele é um sentimento  ou como se fosse uma música que ouço dentro de mim. Schleiermacher, um teólogo romântico do fim do século 18, dizia que o sentimento religioso é o sentimento de "dependência absoluta" diante do universo. Eu não existo em mim mesmo. Eu existo somente em relação a uma coisa enorme, gigantesca, fantástica, coisa que não compreendo, mas que me envolve, na qual eu nasço e para a qual voltarei um dia.

Sou uma nota numa sinfonia com milhares de notas, uma folha num jequitibá com milhares de folhas, uma única gota num mar com gotas sem fim. De um lado eu me descubro infinitamente pequeno. De outro lado eu me descubro imensamente grande: estou ligado tudo. Sou tão grande quanto o universo, que se transforma então no meu grande corpo.

Alguns dão o nome de Deus a esse Grande Corpo no qual todas as coisas existem. Gosto dessa idéia. Aconteceu faz muito tempo, quando ouvir o rádio exigia paciência e atenção. Havia a barulheira constante da eletricidade estática que era ouvida ora como pipocas estourando numa panela, ora como uma série de intermináveis assobios. Eu me lembro. Era noite. Já estava na cama. Luz apagada. Gostava de dormir com música. Rádio Ministério da Educação: havia sempre músicas do meu gosto. De repente, no meio dos estouros e assobios da estática, uma música linda que mal se podia ouvir. Mas, em meio aos ruídos sem sentido da estática, o meu ouvido percebia a beleza que mal se ouvia, perdida no meio da estática.

Aí eu pensei que o sentimento religioso é assim mesmo: em meio à barulheira da vida, a gente ouve uma melodia. Há um lindo texto de Nietzsche em que ele descreve precisamente essa experiência  ele fala de uma melodia de beleza indescritível que repentinamente começou a ouvir dentro da sua alma, beleza tão grande que ele começou a chorar. Nietzsche era uma dessas pessoas possuídas por um profundo sentimento místico e que, precisamente por causa dele, tinha de ficar longe de todas as religiões. As igrejas o horrorizavam.

Dizia que elas mais se pareciam com sepulcros de Deus. E tinha horror das músicas que ali se cantavam, que ele comparava ao coro de rãs dentro de um charco. Sim. Sou religioso. O universo é o meu templo. O ruído dos regatos, o barulho do vento nas folhas dos eucaliptos, o perfume do jasmim, as cores do crepúsculo, as experiências de arte e de brinquedo são, todos, para mim, sacramentos  fugazes experiências do sagrado. Deus nunca foi visto por ninguém. Mas sempre que tenho uma efêmera experiência de beleza e da amor é como se eu tivesse visto, num breve segundo, uma cintilação do sagrado.

Leia Mais...