domingo, 18 de janeiro de 2015

Pena de Morte segundo o Espiritismo

 

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No capítulo VI do O Livro dos Espíritos, Kardec organiza perguntas sobre a Lei de Destruição. Na questão 746 ele pergunta se aos olhos de Deus o assassinato é um crime e os espíritos responderam: “- Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida de um semelhante interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal”. Mas explicam os espíritos que Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato.

Em 1867, Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte, no Brasil ela foi definitivamente abolida com a constituição de 1988. Desta forma, como era prática comum na época, Kardec fez perguntas específicas sobre este assunto na obra supracitada.

“760. A pena de morte desaparecerá um dia da legislação humana?

- A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós”.

Comentário de Kardec: “O progresso social ainda deixa muito a desejar, mas seríamos injustos para com a sociedade moderna se não víssemos um progresso nas restrições impostas à pena de morte entre os povos mais adiantados, e à natureza dos crimes aos quais se limita a sua aplicação. Se compararmos as garantias de que a justiça se esforça para cercar hoje o acusado, a humanidade com que o trata, mesmo quando reconhecidamente culpado, com o que se praticava em tempos que não vão muito longe, não poderemos deixar de reconhecer a via progressiva pela qual a Humanidade avança”.

Por exemplo, no Afeganistão há a pena de morte apenas para homicídios, já na Arábia saudita são vários os crimes com pena de morte: Homicídio; estupro; assalto à mão armada; tráfico de droga; bruxaria; adultério; sodomia; homossexualidade; rapto na autoestrada; sabotagem com mortes; apostasia (Renuncia de sua fé). Neste quesito o Afeganistão encontra-se num progresso social mais adiantado que a Arábia Saudita. Refletindo sobre a história realmente não há como reconhecer o progresso em diversas nações.

“761. A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito quando elimina da sociedade um membro perigoso?

- Há muitos meios de se preservar do perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir ao criminoso e não fechar a porta do arrependimento”.

Com a execução realizada esta semana na Indonésia, muitas pessoas ficaram indignadas, inclusive autoridades e chefes de estado. Como reagir a estes atos? Com educação, fazendo com que o governo da Indonésia compreenda que não há a necessidade de uma pena de morte. Quando eles compreenderem isto naturalmente modificarão as leis do país. É preciso lembrar que o progresso moral é consequência do progresso intelectual.

“762. Se a pena de morte pode ser banida das sociedades civilizadas, não foi uma necessidade em tempos menos adiantados?

- Necessidade não é o termo. O homem sempre julga uma coisa necessária quando não encontra nada melhor. Mas, à medida que se esclarece vai compreendendo melhor o que é justo ou injusto, e repudia os excessos cometidos nos tempos da ignorância, em nome da justiça”.

Quando julgamos o ser humano, precisamos sempre nos lembrar que ele está em desenvolvimento, progredindo material, intelectual e moralmente. Qualquer ação ou pensamento deve ser sempre contextualizado ou estaremos próximos de uma injustiça. Devemos reagir, mas não condenar e buscar levar o outro a refletir e compreender as consequências de seus atos.

“763. A restrição dos casos em que se aplica a pena de morte é um índice do progresso da civilização?

- Podes duvidar disso? Não se revolta o teu Espírito lendo os relatos dos morticínios humanos que antigamente se faziam em nome da justiça e frequentemente em honra à Divindade; das torturas a que se submetia o condenado e mesmo o acusado, para lhe arrancar, a peso de sofrimento, a confissão de um crime que ele muitas vezes não havia cometido? Pois bem; se tivesses vivido naqueles tempos acharias tudo natural, e talvez, como juiz, tivesses feito outro tanto. É assim que o que parece justo numa época parece bárbaro em outra. Somente as leis divinas são eternas. As leis humanas modificam-se com o progresso. E se modificarão ainda, até que sejam colocadas em harmonia com as leis divinas”.

Podemos perceber esta evolução na própria Bíblia, onde no Velho Testamento lemos coisas que hoje consideraríamos algo hediondo:

“18Se alguém tiver um filho rebelde e incorrigível, que não obedece ao pai e à mãe e não os ouve, nem quando o corrigem, 19 o pai e a mãe o pegarão e o levarão aos anciãos da cidade para ser julgado. 20 E dirão aos anciãos da cidade: ‘Este nosso filho é rebelde e incorrigível: não nos obedece, é devasso e beberrão’. 21 E todos os homens da cidade o apedrejarão até que morra. Desse modo, você eliminará o mal do seu meio, e todo o Israel ouvirá e ficará com medo." Dt 21: 18-21

“764. Jesus disse: “Quem matar pela espada perecerá pela espada”. Essas palavras não representam a consagração da pena de Talião? E a morte imposta ao assassino não é a aplicação dessa pena?

- Tomai tento! Estais equivocados quanto a estas palavras, como sobre muitas outras. A pena de Talião é a justiça de Deus; é ele quem a aplica. Todos vós sofreis a cada instante essa pena, porque sois punidos naquilo em que pecais, nesta vida ou em uma outra. Aquele que fez sofrer o seu semelhante estará numa situação em que sofrerá o mesmo. É este o sentido das palavras de Jesus. Pois não vos disse também: “Perdoai aos vossos inimigos”? E não vos ensinou a pedir a Deus que perdoe as vossas ofensas da maneira que perdoardes, ou seja, na mesma proporção em que haverdes perdoado? Compreendei bem isso”.

765. Que pensar da pena de morte imposta em nome de Deus?

- Isso equivale a tomar o lugar de Deus na prática da justiça. Os que agem assim revelam quanto estão longe de compreender aos que o fazem são responsáveis por esses assassinatos”.

Que os povos mostrem aos países que aplicam a pena de morte o quanto estão equivocados e de que forma podem se transforma, porém isto deve ser feito sempre pela educação, buscando fazê-los compreender, nunca usando a lei de Talião.

Oremos para que estes povos possam encontrar esta compreensão.

ClaudiaC.

domingo, 22 de abril de 2012

Anencéfalo é o assunto do momento

Devido à descriminalização que permite à mãe escolher ou não pela interrupção da gestação, este assunto tem se multiplicado no movimento espírita. Não vou aqui falar diretamente do assunto, pois estamos de acordo que é aborto, e que se não há risco para a mãe é contra as leis naturais. Lembrando sempre do sagrado direito ao livre arbítrio.

Vamos considerar que havia um espírito ligado ao corpo, porque de acordo com a questão 356, os espíritos afirmam que há crianças natimortas que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nelas. É somente pelos pais que essa criança nasce. Como nossa medicina ainda não pode diagnosticar a presença ou não de um espírito, a atitude mais de acordo com a boa moral é considerar sua existência em todas as crianças.

Este espírito possui deformidades única e exclusivamente no corpo físico, pois o espírito não tem forma definida, ele a define pelo desejo de se comunicar e de ser reconhecido. Ainda somos apegados à matéria e parece difícil aceitar que o corpo não é mais nada além de uma roupa sensível e que nos permite interagir no planeta.

Ao morrer, o espírito que se ligava àquele corpo parte em busca de um novo corpo para reencarnar. Houve ligações com os pais? Até para o mais neófito a resposta é conhecida, pois nossas ligações não surgem necessariamente durante a gestação e nascimento, mesmo porque neste momento passamos por uma perturbação muito maior e mais longa do que a do desencarne.

Ninar, amar, conversar com a criança que se forma no ventre feminino é importante até para ajudar o espírito a passar o mais tranquilamente possível por esta perturbação toda.

Qual o papel do espiritismo nesta história toda? Instruir! Pois somente uma mãe instruída poderá utilizar-se plenamente de seu livre arbítrio. Jamais condenar alguém por uma escolha errada, pois nós as fazemos a todo momento. Quer entender o que ocorre? Estude a doutrina espírita ao invés de acreditar em todo relato meloso e fantasioso que já começa a surgir sobre o assunto.

Você só pode julgar aquilo que conhece e compreende.

Bjs

ClaudiaC.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

BBB e a Vida

bbb-robo

Hoje estava assistindo ao BBB12, noite de eliminação e um dos rapazes foi eliminado. Neste momento parte dos participantes se despedia chorando acintosamente, amores suspiravam por saudades ainda não sentidas, amigos se abraçavam tentando fortalecer uma amizade construída pela simpatia, sintonia de pensamentos.

Então, observando as cenas que se desenrolavam emocionalmente, comecei a pensar porque tantas lágrimas e sofrimento pela partida de alguém que apenas estará fora da casa? O participante ao sair afirmou que só sabe o que se pensa e o que se sente quem está dentro da casa.

Não será assim que os espíritos desencarnados olham para nós? Tantas lágrimas, sofrimentos, desespero, rebeldia por pessoas que apenas saíram da casa, este planeta Terra ao qual estamos temporariamente presos, devido ao nosso próprio grau evolutivo.

Não estamos nós, aqui, ‘jogando’ para aprender a se relacionar com o outro. Neste jogo as regras são as leis naturais, quando nos afastamos delas somos punidos e arrependidos, reparamos as faltas.

O BBB nos lembra o que estamos basicamente fazendo aqui, aprendendo a nos relacionar uns com os outros, a sermos pacientes, tolerantes, caridosos, etc. ‘Ver’ isto é nos condenar, porque percebemos que acreditamos estar aqui para ter sucesso e ser feliz. Estamos confinados num globo material e assim como os participantes do BBB, quase toda a relação com a vida fora da casa, no nosso caso a vida espiritual, é restrita ao basicamente necessário.

Sem o conhecimento adequado, nosso julgamento pode ser influenciado, e às vezes mesmo distorcido, pelas emoções, carências, má educação, desejos e apegos exagerados.

Mas há uma diferença fundamental entre os dois, no BBB todas as ações tem como objetivo um prêmio em dinheiro, e aqui, na Terra, todas as nossas ações tem como objetivo o nosso progresso moral. Será que somos capazes de compreender a diferença?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Utilidade

 

uva

Como alguém consegue

apenas viver inutilmente.

Como é possível ninguém

aceitar a utilidade alheia.

 

Sombras que se perdem

diariamente em si.

angústia fria de um

desatino engano

 

Sentimento vil

de alma infante,

desespero calmo

de afogado em prantos.

 

Cade minha única

esperança viva,

meu sabor, odor maldito,

minha enfim utilidade.

 

Krda

31/01/2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Vida Futura em Nossas Vidas

vidafutura

Este artigo foi baseado no estudo do texto A VIDA FUTURA de Allan Kardec, nas Obras Póstumas.

Kardec começa afirmando que a vida futura já não é mais um problema, isto porque tendo como premissa a sobrevivência da alma ou como diz Kardec na introdução do O Livro dos Espíritos “haver em si mesmo alguma coisa além da matéria”, todo aquele que tem uma crença religiosa, seja qual for, a tem baseada nesta premissa, como nos explicou Kardec no texto Consequências da Doutrina da Reencarnação sobre a Propagação do Espiritismo, na Revista Espírita de abril de 1862:

“Toda religião repousa necessariamente na vida futura e todos os dogmas convergem forçosamente para esse fim único. É visando atingir esse fim que eles são praticados; e a fé nos dogmas está na razão direta da eficácia que se lhes atribui para o alcançar. A teoria da vida futura é, pois, a pedra angular de toda doutrina religiosa. Se essa teoria pecar pela base; se abrir o campo a objeções sérias; se se contradisser; se se puder demonstrar a impossibilidade de certas partes, tudo vai abaixo. Antes de mais vem a dúvida, à qual sucede a negação absoluta, e os dogmas são arrastados no naufrágio da fé”.

Qual a influência que o conhecimento e a compreensão da vida futura tem sobre as nossas vidas? Para aqueles que não acreditam nela, que entendem que após a morte não existe nada, os materialistas, a vida futura não exerce influência alguma. De certa forma consagram o egoísmo e a vida pertence aos mais fortes e espertos. Porque deveriam suportar privações, corrigir seus defeitos, sentirem remorso ou se arrependerem, se toda e qualquer vida acaba com a morte do corpo. Como evitar o suicídio, por exemplo, se dentro desta lógica perversa não há motivos para a resignação? O Sr. Sanson, já desencarnado, disse a Kardec em resposta a uma pergunta na Revista Espírita de junho de 1862: ““-Sem dúvida; até a última hora alguns crêem no nada. Mas no momento da separação o Espírito passa por profundas reflexões; a dúvida o subjuga e o tortura, porque a si mesmo pergunta em que se tornará; quer agarrar-se a alguma coisa, mas não consegue. A separação não se pode dar sem essa impressão”.

Muitos dizem que estas pessoas, apesar de não acreditar em uma vida futura, fazem o bem e nisto tem mais mérito por não esperarem uma recompensa futura, mas será que eles não esperam uma recompensa nesta vida? Como diz Kardec “Serão eles insensíveis aos aplausos dos homens”?

Porém a simples crença na vida futura não é garantia de que uma pessoa terá interesse nas boas obras. Infelizmente muitos ainda não a compreendem, é ainda somente um conceito vago e este é um dos motivos pelo qual o homem não se preocupa com sua alma, porque comumente ouvimos desde crianças que não somos uma alma, mas temos uma alma. Lembrando a Lei do progresso, que diz que os homens não progridem todos ao mesmo tempo, nem da mesma forma e que o progresso moral é conseqüência do progresso intelectual, a crença da vida futura só poderá influenciar a moral de um indivíduo a partir do momento em que ele a compreende e esta transformação será diretamente proporcional à compreensão do indivíduo.

Kardec nos mostra isto na questão 783 do O Livro dos Espíritos: “O homem não pode permanecer perpetuamente na ignorância, porque deve chegar ao fim determinado pela Providência; ele se esclarece pela própria força das circunstâncias. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram pouco a pouco nas idéias, germinam ao longo dos séculos e depois explodem subitamente, fazendo ruir o edifício carcomido do passado, que não se encontra mais de acordo com as necessidades novas e as novas aspirações”.

Compreender a vida futura é a melhor forma de descobrir como viver a vida.

ClaudiaC.

Bibliografia

  • Kardec, Allan. Obras Póstumas. 25º edição, RJ, Feb.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 68º edição, SP, Lake, janeiro 2009.
  • Kardec, Allan. Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos Ano V 1862. 2º edição, RJ Feb, 2007.

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