domingo, 4 de janeiro de 2009

Criança Índigo

Vira e mexe este assunto retorna, começam as discussões e os debates. Aqueles que são contra são firmes e em alguns casos intolerantes, os que são a favor são melindrosos, se enfurecem à menor crítica.

Não estou aqui pra dizer se é certo ou errado, porque cada um tem a sua verdade, todos nós temos o livre arbítrio para acreditarmos no que quisermos. Apenas tenho um pequeno desejo de esclarecer que a Criança Índigo não é um conceito espírita, pode ser um conceito espiritualista e esotérico, mas não é espírita.

A primeira questão é com relação a Dra. Nancy Ann Tappe. Qualquer texto sobre o assunto cita esta pessoa, como o próprio Divaldo o faz em seu livro sobre o assunto: “A Dra. Nancy Ann Tappe estabeleceu que as crianças índigo são seres especiais. Foi ela uma das pioneiras nos Estados Unidos a estudá-las.” No rodapé há uma nota explicando que ela foi a primeira a usar esta terminologia e descrever crianças índigo na publicação de seu livro Understanding Your Live Through Color em 1982. Eu acredito que Divaldo o tenha feito, mas a impressão que tenho é que ninguém aqui no Brasil tenha lido este livro, mesmo porque, eu não o encontrei aqui para vender.

Desta forma todo o conceito está baseado na opinião de os autores de “Crianças índigo” Lee Carrol e Jan Tober. Até aí, tudo bem, se não fossem eles os criadores do Grupo Kryon, “Este encontro representa a reunião anual de Kryon (em Dezembro de cada ano) na «Residência da Terra», na Califórnia do Sul, a casa base de Lee Carroll e Jan Tober.”. Não vim falar deste grupo, mas fica difícil falar de criança índigo sem citá-lo, pois estes conceitos se relacionam. Vejamos agora o que Kryon, do Serviço Magnético fala sobre estas crianças, os grifos são meus:

“As Crianças Índigo chegarão a tempo de realizarem, pelo menos, a maior parte da sua tarefa?

Lembrar-se-ão de que lhes ofereci informação relativa às cores áuricas da Nova Energia. Falei, especificamente, dos novos azuis escuro que chegariam neste tempo. Esses são, sem dúvida, aqueles a quem vocês chamam «crianças índigo». Nesta fase particular, porém, qualquer Ser Humano que se encontre nesse estado é uma criança. A vossa pergunta leva-me a crer que vocês consideram este grupo como tendo um propósito especial, mas não é assim. Estes indivíduos são, simplesmente, novas expressões com características que vocês não possuem:

1) Uma vibração mais elevada;

2) Uma programação que invalida certos atributos astrológicos que, habitualmente, afectam os Humanos;

3) Um dispositivo biológico específico, que lhes permite manejar melhor as impurezas fabricadas pelos próprios Humanos do planeta, as quais fazem parte do vosso actual estilo de vida.

Estes indivíduos chegam como uma nova raça de expressão, como herdeiros de tudo o que vocês ajudaram a criar (uma programação diferente). Aqueles Seres Humanos terrenos que venham a desencarnar durante este tempo (e haverá muitos, tal como se disse na resposta às perguntas anteriores), poderão regressar imediatamente neste novo estado (se for conveniente), ajudando assim o planeta na Nova Era do Poder.
Não é garantido que estes indivíduos sejam necessariamente mais iluminados do que os outros, ou que se juntem grupalmente para executarem tarefas planetárias específicas. No entanto, à medida que vão crescendo, alguns poderão passar mais facilmente através das difíceis transições humanas até à Iluminação. Em fases muito precoces da sua vida serão capazes de, juntamente convosco, ajudar nas tarefas de elevação da vibração do planeta.
No que acabo de vos transmitir, há dois aspectos que são muito evidentes, sendo que um deles responde diretamente à vossa pergunta:

1) A razão pela qual tanta gente deve abandonar o planeta neste momento é para poderem ter a possibilidade de regressar como Crianças Índigo. Compreendem agora o impacto disso na transição do planeta?

2) Se elas já estão a chegar com o novo dispositivo, então vocês já conhecem o fulcro do futuro. Naturalmente, todos sabem do que um Ser Humano ainda precisa para amadurecer. Portanto se me perguntarem se ainda precisarão de continuar a trabalhar plenamente (pela Terra) durante 20 anos ou mais, a resposta é afirmativa. Esta revelação, talvez diferente da que esperavam, proporciona um enquadramento temporal projectado para o futuro. É a nossa previsão, baseada no grau de consciência e de iluminação no momento desta canalização. Sim, as Crianças Índigo terão tempo.”

Que curioso, o próprio Kryon diz que as crianças índigos nada mais são do que nós mesmos reencarnados e que isto não quer dizer que elas sejam mais iluminadas do que nós. Mas como devido a nossa inferioridade, santo de casa não faz milagre, estas crianças que achamos serem especiais só podem ter vindo de outro planeta. Como se isto fizesse alguma diferença.
Outra coisa que parecem confundir é aura com perispírito. A aura humana pode ser descrita como uma radiação ou uma emanação fina, etéreo que cercam cada ser humano vivo. Ela pode ser vista através das fotos Kirlian, e refletem nosso estado energético. Mas ela não pode ser o perispírito, pelo que dizem os espíritos no O Livro dos Espíritos:

“93. O Espírito propriamente dito vive a descoberto, ou, como pretendem alguns, envolvidos por alguma substância?

- O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.

Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito.

95. O envoltório semi-material do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

- Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.”

Se a aura é o perispírito ou corpo astral, como alguns gostam de chamar, fantasma seria colorido. O espírito de uma criança índigo seria sempre azulado, e se o perispírito evolui junto com o espírito, poderíamos aferir seu grau evolutivo pela cor do espírito. Se você discorda disso, é porque concorda que aura não é perispírito, mas se ainda tem dúvidas, vamos refletir um pouco mais. Comumente se ensinam vários exercícios, principalmente de respiração para recarregar a aura. Isto significa que ela se descarrega, será que ela pode se romper? E se ela é recarregada através de exercícios físicos, um espírito desencarnado como fará para recarregar seu perispírito, nesta suposição de ser ambos a mesma coisa?

Na questão 65, Kardec pergunta: “O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos?
- Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.” Aqui, muitos podem compreender que o liame seja o perispírito, mas a questão 70 retira toda possibilidade de mal entendido:
“70. Em que se transformam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, após a morte?
- A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.” Ou seja, se o liame é o perispírito, o espírito desencarnado não o tem, porque ele voltou à massa.

Ainda neste capítulo, Kardec afirma:
“A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados de fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundante.
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contém.
O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.”

Esta descrição não é racionalmente mais coerente com o conceito de aura?
Agora Renato Costa fez uma boa análise do item Forma e Ubiqüidade dos Espíritos, do cap I do Livro Segundo e que fala sobre cor. Vou transcrevê-la abaixo:

Em O Livro dos Espíritos, tem-se o seguinte diálogo entre Allan Kardec e os Espíritos que ditaram a Codificação com respeito à forma do Espírito:
88. Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?
“Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
a) - Essa chama ou centelha tem cor?
“Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.
Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.
Analisemos primeiro, a frase inicial da resposta: “Para vós, não; para nós, sim”.
Trata-se aqui da diferença existente entre o que os Espíritos desencarnados podem perceber, usando seus sentidos sutis e aquilo que os Espíritos encarnados podem perceber, usando seus sentidos físicos.
De fato, a própria Ciência nos ensina o quão limitada é a percepção da realidade que nossos sentidos físicos nos propiciam. As faixas de freqüência que nossos sentidos da visão e da audição capturam são extremamente estreitas assim como impróprio é o nosso tato para a realidade mais sutil como, por exemplo, a das ondas mais diversas de comunicação que nos envolvem em todas as direções.
Nas dimensões espirituais, o Espírito está livre das restrições impostas pela matéria. Sua percepção da realidade, portanto, é infinitamente mais rica, logrando ele perceber cores e formas que, encarnado sequer poderia descrever.
Analisemos, agora, a segunda parte da resposta:
“O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
Uma chama, um clarão ou uma centelha etérea são elementos caracterizados, os três, basicamente, pela sua tonalidade de cor, sua intensidade de brilho e o calor que possuem. Os três são, por outro lado, desprovidos de forma precisa. Desse modo, os Espíritos confirmaram o que antes haviam dito, isto é, que os Espíritos não são percebidos com forma.
Chama a nossa atenção, nessa resposta, entretanto, que os Espíritos parecem estar falando do Princípio Inteligente, e não do Espírito, entidade formada por esse Princípio somado ao Perispírito. afinal, o Espírito tem forma, uma vez que o Princípio Inteligente imprime forma ao Perispírito. É, portanto, com forma que médiuns de todas as raças e culturas têm percebido Espíritos desde as mais remotas eras.
Desse modo, os Espíritos que ditaram a Codificação parece terem aproveitado essa questão para dizer que o Princípio Inteligente tem uma forma que foge aos nossos sentidos, sendo aceitável que a imaginemos como uma chama.
Nossa interpretação encontra confirmação no Item 55 do Capítulo I de O Livro dos Médiuns, onde Kardec afirma:
Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem....
A Cor dos Espíritos
Voltando a O Livro dos Espíritos, verificamos que, tendo os Espíritos respondido quanto à forma, Kardec fez um complemento à questão preliminar, querendo saber a cor dos Espíritos. A essa segunda pergunta, a resposta foi a seguinte:
“Têm uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.
Se prestarmos atenção, veremos que essa resposta tem uma característica estranha. Kardec perguntou, de forma inequívoca, pela cor da “chama ou centelha”. Os Espíritos, no entanto, nada disseram de cor. O que é uma cor “escura e opaca” ou uma cor “brilhante, qual a do rubi?” Note-se que a resposta nada fala da cor em si, destacando apenas o brilho. Nos ocorreu ter havido um equivoco de tradução, o que nos fez recorrer ao original em Francês:
"Pour vous, elle varie du sombre à l'éclat du rubis, selon que l'Esprit est plus ou moins pur”. (Para vós, ela varia do sombrio ao brilho intenso do rubi, conforme seja o Espírito mais ou menos puro).
Como vemos, no original, a palavra cor (“couleur”) sequer foi usada na resposta. De fato, tudo o que se obtém da resposta é que os Espíritos mais atrasados são vistos como uma sombra escura e os mais adiantados com uma chama intensamente brilhante deles emanando.
Essa resposta e sua interpretação coincidem com o que nos passam a diversas tradições religiosas, que reportam que os anjos e santos ofuscam nossos olhos com seu intenso brilho, ao passo que os chamados demônios são ditos “espíritos das trevas”, devido à sua aparência sombria.
É interessante notar que a resposta dos Espíritos tanto é válida se estivermos falando do Princípio Inteligente quanto se estivermos falando do Espírito, isto é do Princípio Inteligente acoplado ao perispírito.
Teriam os Espíritos se furtado a falar da cor por ser ela de somenos importância ou teria sido por serem as cores em questão além de nossa capacidade visual? Por alguma razão não o fizeram e por alguma razão Kardec não os redargüiu a respeito, dando-se por satisfeito em confirmar o brilho.
Uma Aventura pela Questão da Freqüência
Apesar de nada terem dito os Espíritos a Kardec sobre a cor em si, a sub-questão “a” nos oferece uma boa oportunidade para estudarmos um pouco a questão da freqüência emitida pelos Espíritos, como é percebida pelos médiuns videntes, como nos reporta a tradição e como é entendida pela Ciência humana.
Sabemos, das noções básicas da Física, que, no espectro da luz visível, a cor vermelha corresponde às mais baixas freqüências percebidas, correspondendo o violeta às freqüências mais elevadas que o olho humano consegue ver.
A tradição, que nada mais é que o acúmulo dos testemunhos dos médiuns videntes através dos milênios, parece confirmar que a noção que obtemos da Física pode ser utilizada. Todas as tradições religiosas sempre associaram a cor vermelha aos demônios e Espíritos perturbadores enquanto a cor branca sempre foi associada aos anjos e demais Espíritos elevados.
Alguém poderia levantar a questão: “É verdade que os demônios são representados tradicionalmente na cor vermelha, mas as representações dos anjos e demais Espíritos elevados utilizam, predominantemente, a cor branca ou, se muito, anil e não à cor violeta”.
A própria Física nos ajuda a entender o que ocorre. O branco visível nada mais é que a mistura equilibrada das cores básicas ou de todas as cores. Ora, os Espíritos mais adiantados necessitam adequar sua vibração à dos médiuns videntes que os enxergam com sua visão sutil. Por outro lado, o seu adiantamento moral deve produzir uma determinada vibração elevada mesmo quando em contato com Espíritos menos evoluídos que requerem deles uma vibração mais baixa.
Isso sugere, a nosso ver, que eles tenham capacidade de vibrar em mais de uma freqüência simultaneamente. Se supusermos que os Espíritos mais evoluídos podem vibrar em diversas freqüências simultaneamente, quando desejam entrar em contato com diversos Espíritos em estágios diferentes de evolução ao mesmo tempo, o resultado visual dessa simultaneidade de emissão de freqüência tenderá ao branco, como percebido pelos videntes.
Agora que já nos aventuramos pelos domínios da cor, vamos utilizar o relacionamento entre as freqüências de vibração e a temperatura e nosso conhecimento sobre o que nos diz a tradição para ver se chegamos a uma conclusão semelhante.
Ao longo dos séculos, a proximidade de Espíritos perturbados ou perversos sempre foi percebida como uma sensação de frio pelos médiuns. A temperatura fria corresponde à baixa freqüência de vibração (o mesmo que a cor vermelha). Os Espíritos evoluídos, por outro lado, sempre foram percebidos como tendo temperatura agradável e não como quentes, o que corresponderia a uma alta freqüência de vibração. Ora, a temperatura agradável significa exatamente o cuidado que o Espírito evoluído tem em tornar igualmente agradável a sua aproximação, guardado, pois, um paralelo com a cor branca.

Quanto à Criança Cristal...Qual a cor do cristal? Qual o brilho do cristal?

Sábio foi Kardec ao criar novos termos à novos conceitos.

2 comentários:

Maria Aparecida G. Souza disse...

GOSTARIA DE SABER O QUE É CRIANÇA ÍNDIGO

Claudy disse...

Maria Aparecida

A Dra. Nancy Ann Tappe escreveu um livro classificando as pessoas através da cor da sua aura, que ele supostamente afirmava ver. Lee Carrol e Jan Tober autores de livro de auto ajuda, escreveram um livro "Crianças Índigo" para ajudar pais e professores a lidar com estas crianças, que podem ser agressivas e até matar, aliás como a maioria dos seres humanos. Houve então uma mistura doida e muita gente acabou acreditando que estas crianças vieram de outro planeta para nos auxiliar a evoluir e nos "salvar".
Em 2008 coloquei alguns textos que talvez possam esclarecer.Estão no arquivo do blog. Qualquer dúvida é só perguntar.
Bjs
Claudia

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