quarta-feira, 4 de março de 2009

Apometria. Isto é o que mesmo?

"O termo Apometria vem do grego Apó - preposição que significa além de, fora de, e Metron - relativo a medida. Representa o clássico desdobramento entre o corpo físico e os corpos espirituais do ser humano. Não é propriamente mediunismo, é apenas uma técnica de separação desses componentes.
A Apometria é uma técnica de desdobramento que pode ser aplicada em todas as criaturas, não importando a saúde, a idade, o estado de sanidade mental e a resistência oferecida. É um método geral, fácil de ser utilizado por pessoas devidamente habilitadas e dirigentes capazes. Apresenta sempre resultado eficaz em todos os pacientes, mesmo nos oligofrênicos profundos sem nenhuma possibilidade de compreensão.


Conceito Geral

Para podermos compreender o que seja, vamos direto à origem, vamos refletir sobre o livro Apometria, do Dr. José Lacerda, seu criador e divulgador.

Vamos entender a palavra, o conceito trazido pelo livro:

"O termo Apometria vem do grego Apó - preposição que significa além de, fora de, e Metron - relativo a medida. Representa o clássico desdobramento entre o corpo físico e os corpos espirituais do ser humano. Não é propriamente mediunismo, é apenas uma técnica de separação desses componentes.
A Apometria é uma técnica de desdobramento que pode ser aplicada em todas as criaturas, não importando a saúde, a idade, o estado de sanidade mental e a resistência oferecida. É um método geral, fácil de ser utilizado por pessoas devidamente habilitadas e dirigentes capazes. Apresenta sempre resultado eficaz em todos os pacientes, mesmo nos oligofrênicos profundos sem nenhuma possibilidade de compreensão.

O êxito da Apometria reside na utilização da faculdade mediúnica para entrarmos em contato com o mundo espiritual da maneira mais fácil e objetiva, sempre que quisermos. Embora não sendo propriamente uma técnica mediúnica, pode ser aplicada como tal, toda vez que desejarmos entrar em contato com o mundo espiritual".

Primeiro ele afirma ser uma técnica de desdobramento, então vamos ver o que é um desdobramento:

De acordo com o dicionário Aurélio, Desdobramento é o ato ou efeito de desdobrar-se. Desdobrar é: "Abrir ou estender (o que estava dobrado). 2. Dividir em dois. 3. Fracionar ou dividir em grupos. 4. Dar maior incremento ou atividade a. 5. Dividir (uma tora de madeira) em tábuas. 6. Abrir-se (o que estava dobrado). 7. Fazer-se em dois. 8. Desenvolver-se, incrementar-se. 9. Prolongar-se no espaço ou no tempo. 10. Manifestar-se, produzir-se".


No Wikipédia:

"Projeção da consciência, experiência fora-do-corpo (EFC), experiência extracorporal, desdobramento, projeção astral ou viagem astral são termos usados alternativamente para designar as supostas experiências fora-do-corpo (do inglês, out-of-body experience – OBE ou OOBE) que poderiam ser realizadas por qualquer pessoa, estando em estado de vigília (acordado) ou por meio de sonhos lúcidos, via meditação profunda, ou outras técnicas de relaxamento. A Projeciologia acredita que, durante a projeção, quando lúcida, o indivíduo está ciente de que se encontra fora do próprio corpo, projetado por meio do (corpo astral, duplo etérico ou perispírito). E por intermédio da projeção da consciência, seria possível conhecer dimensões extrafísicas, relativas ao plano astral ou espiritual, assim como ao plano etérico."

"A projeção da consciência é uma experiência tipicamente subjetiva, descrita muitas vezes como próxima a sensação corporal de estar flutuando como um balão, e em alguns casos conforme relatos, havendo a possibilidade de estar vendo o próprio corpo físico, olhando-o sob o ponto de vista de um observador, fora do seu próprio corpo (autoscopia). Estatisticamente, uma em cada dez pessoas afirma ter tido algum tipo de experiência fora do corpo em suas vidas. Para alguns, o fenômeno ocorre espontaneamente, enquanto para outros está relacionado a circunstâncias de perigo, como os estados de coma, em sonho profundo, ou também relacionados as experiência de quase-morte, ou mesmo induzida através do uso de drogas e psicotrópicos.

A projeção astral com freqüência é associada ao esoterismo e o movimento da Nova Era. Paralelamente, a medicina começa a tratar o assunto com mais atenção devido aos inúmeros relatos de experiências quase-morte (EQM). No entanto, explicações científicas parciais foram elaboradas para as EQMs que não envolvem a projeção da consciência que, continua sem explicação científica.

Bunning e Blanke (2005) do Laboratório de Neurociência Cognitiva, Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (EPFL), Lausanne, e Departamento de Neurologia, Hospital Universitário, Genebra, Suíça, revisaram alguns dos fatores clássicos que indicam e podem induzir a autoscopia. Estes são sono, abuso de droga, e anestesia geral, assim como o próprio neurobiologismo."

Vejam que em nenhum momento se fala em espiritismo ou técnica espírita. Mas muitos vão dizer que existe desdobramento no espiritismo. Então vamos procurar no Livro dos Espíritos.

"400. O Espírito encarnado permanece voluntariamente no envoltório corporal?

– É como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O

Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado."

"401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

– Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos."

"402. Como podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?

– Pelos sonhos. Sabeis que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e às vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja deste mundo, seja de outro. Freqüentemente dizes: "Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança". Enganas-te. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro. Pobres homens, que conheceis tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida!

Acreditais ser muito sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam.

A esta pergunta de todas as crianças: "O que é que fazemos quando dormimos; o que são os sonhos?" ficais sem resposta. O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo."

"No sonambulismo, o Espírito está na posse total de si mesmo; os órgãos materiais, estando de qualquer forma em catalepsia, não recebem mais as impressões exteriores. Esse estado se manifesta sobretudo durante o sono; é o momento em que o Espírito pode deixar provisoriamente o corpo, que se acha entregue ao repouso indispensável à matéria. Quando se produzem os fatos do sonambulismo, é que o Espírito, preocupado com uma coisa ou outra, se entrega a alguma ação que exige o uso do seu corpo, do qual se serve como se empregasse uma mesa ou qualquer outro objeto material, nos fenômenos de manifestações físicas, ou mesmo a vossa mão nas comunicações escritas. Nos sonhos de que se tem consciência, os órgãos, inclusive os da memória, começam a despertar e recebem imperfeitamente as impressões produzidas pelos objetos ou as causas exteriores, e as comunicam ao Espírito que, também se encontrando em repouso, só percebe sensações confusas e freqüentemente fragmentárias, sem nenhuma razão de ser aparente, misturadas que estão de vagas recordações, seja desta existência, seja de existências anteriores.É portanto fácil compreender porque os sonâmbulos não se lembram de nada e porque os sonhos de que conservam a lembrança, na maioria das vezes não têm sentido. Digo na maioria das vezes, porque acontece também serem eles a conseqüência de uma recordação precisa de acontecimentos de uma vida anterior, e, algumas vezes, até mesmo uma espécie de intuição do futuro."

No desdobramento ou na projeção, tem-se a idéia de que nossa mente vai até onde desejarmos, nossa consciência é projetada para fora do corpo físico, enquanto que na emancipação da alma, pelo afouxamento dos liames, o espírito fica parcialmente liberto e retorna ao mundo espiritual, mantendo sempre uma ligação com o corpo físico em repouso.

No item Atendimento, temos o seguinte trecho:

"No atendimento aos enfermos, é utilizada a seguinte prática: Coloca-se inicialmente, por desdobramento, os médiuns em contato com as entidades médicas do astral. Uma vez firmado o contato, faz-se o mesmo com o doente, possibilitando dessa forma o atendimento do corpo espiritual do enfermo pelos médicos desencarnados, assistidos pelos espíritos dos médiuns que então relatam todos os fatos que ocorrem durante o atendimento, tais como: os diagnósticos, as cirurgias astrais, as orientações práticas para a vida, assim como a descrição da problemática espiritual que o paciente apresenta e suas origens."

Para refletirmos sobre este trecho, trago a questão 94 do O Livro dos Espíritos:

"94. De onde tira o Espírito o seu envoltório semi-material?

-Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa."

Entende-se como corpo espiritual o perispírito, assim, porque se fariam atendimentos e cirurgias médicas em um corpo que é trocado ao se mudar de mundo? Bastaria reencarnar em outro globo, e o espírito teria um perispírito novinho em folha.

Ou seja, apometria é uma técnica, que pode ser usada de forma mediúnica, que visa fazer o atendimento espiritual, no plano espiritual.
Uma coisa que não ficou bem clara, é que se o auxílio será feito no plano espiritual, para que iriam precisar do médium encarnado?

Claudia C


segunda-feira, 2 de março de 2009

"Meu Pé"

Desenho à lápis, inspirado
02/03/2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Origem do Corpo Humano

 

 

Um amigo, após ler o texto Meu Olhar sobre o Tom Azul, me indicou a leitura de um texto da Revista Reformador que falava exatamente sobre um tema abordado. O tema seria a colocação de Divaldo sobre os primeiros espíritos encarnarem em antropóides, símios semelhantes ao homem.

 

A Reportagem "Evolução do homem na Terra" tem suas idéias baseadas principalmente de um trecho da A Gênese, do capítulo Gênese Espiritual (XI), que transcrevo abaixo entre aspas:

 

"Hipótese sobre a origem do corpo humano."

 

"15. - Da semelhança, que há, de formas exteriores entre o corpo do homem e o do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível, nem o que, se assim, for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequada ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto."

 

"Vestiu-se então da pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem. Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum posta como princípio, mas apresentada apenas para mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o Espírito, que é o ser principal, e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco."

 

"16. - Admitida essa hipótese, pode dizer-se que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto (nº.11). Melhorados, os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco."

 

"Como em a Natureza não há transições bruscas, é provável que os primeiros homens aparecidos na Terra pouco diferissem do macaco pela forma exterior e não muito também pela inteligência. Em nossos dias ainda há selvagens que, pelo comprimento dos braços e dos pés e pela conformação da cabeça, têm tanta parecença com o macaco, que só lhes falta ser peludos, para se tornar completa a semelhante."

 

Kardec é muito claro ao escrever este trecho, afirmou diversas vezes que esta teoria é apenas uma hipótese, e conclui que se na Natureza não há mudanças bruscas, os primeiros homens tinham além do aspecto semelhante aos macacos, também tinham inteligência semelhante.  Contrariando novamente a idéia de que espíritos evoluídos intelectualmente oriundos de Capela teriam encarnado em corpos de antropóides.

 

Pode-se inferir que o Espírito muda o corpo físico, mas sempre indiretamente e este processo é lento e demorado. O espírito através de suas faculdades vai modificando o ambiente em que vive, este ambiente modificado vai estimulando modificações no corpo físico.

 

Por exemplo, o homem enquanto caçador manual necessitava de sua força física e agilidade para garantir sua sobrevivência, nesta época seres com corpos mais frágeis, muitas vezes não sobreviviam ou mesmo não encontravam parceiras para a sua reprodução, este biótipo não era transmitido. À medida que o homem desenvolve um sistema de caça e armazenamento melhor e que exigem menos força física, porém mais astúcia, os homens que são mais fracos encontram uma possibilidade de sobreviverem e de se reproduzirem, passam a transmitir seu biótipo e isto vai ocorrendo gradativamente.

 

Se compararmos nossos corpos atuais com os corpos dos habitantes pré-históricos, iremos notar grandes diferenças, mas a mudança não ocorreu em poucas gerações, nem de uma vez só.

 

Os Espíritos que trouxeram os conceitos da Doutrina Espírita são bem claros: "O princípio das coisas permanece nos segredos de Deus.", provavelmente não conseguiríamos compreender. Mas isto não quer dizer que devemos aceitar e pronto, mas devemos ter o cuidado de dar a uma hipótese, somente o caráter de uma hipótese e não de uma verdade.

 

Claudia C.

 

 

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Meu Olhar sobre o Tom Azul

Todas as vezes que refletia sobre o tema das crianças índigo, eu ouvia: -"mas Divaldo falou isso, mas Divaldo falou aquilo", como se pelo fato do Divaldo ter falado, o assunto deveria ser aceito e encerrado.

Venho através deste texto, fazer uma reflexão crítica do livro A Nova Geração: A Visão Espírita sobre Crianças Índigo e Cristal, de autoria de Divaldo Pereira Franco com Vanessa Anseloni.

A primeira vez que ousei pensar em voz alta sobre o assunto, escutei a voz firme e agressiva de um amigo inquirindo-me: -"Quem você pensa que é para criticar Divaldo?" Isto me tocou a alma, principalmente por aqueles que ainda não compreendem o espiritismo.

Reproduzo o conselho de São Luís que está no O Evangelho segundo o Espiritismo:

"Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião".

Em primeiro lugar deve-se perceber o objetivo do livro, ilustrado pelo título, que é analisar os conceitos de crianças índigo e cristal sob a ótica espírita, pois estes não são conceitos espíritas e sim espiritualistas.

No capítulo 2, Divaldo propõe uma análise sobre a cooperação interplanetária e evolução humana. Neste, ele afirma:

"Aquele planeta da Constelação do Cocheiro havia, portanto, atingido um nível de grande elevação intelecto-moral, mas ainda permaneciam Espíritos belicosos, perversos, que se negavam à obediência e ao amor, comprazendo-se na prática do mal.

Para que não prejudicassem o programa de evolução geral, foram expulsos para um outro planeta, onde tivessem ocasião de aplicar os conhecimentos e sofrer as conseqüências da sua rebeldia – um verdadeiro inferno - reencarnando-se na Terra, exatamente quando os terrícolas se encontravam na fase antropóide.

É curioso notar que os descendentes físicos desses antropóides irão ser animados por Espíritos intelectualizados, que desenvolverão equipamentos orgânicos próprios capazes de expressar com clareza os conhecimentos de que são portadores.

Surgem, então, os descendentes dos primatas, permanecendo, concomitantemente, os antropóides, nos quais continuarão reencarnando-se, nessa organização em desenvolvimento, aqueles Espíritos ainda primários, em face da sua evolução terrícola."

Eu li e reli várias vezes este trecho, tentando compreender melhor. Divaldo afirma que os primeiros espíritos que reencarnaram na Terra vieram todos de Capela. Baseado em que, se faz tal afirmação? Eu particularmente não compreendo este tipo de informação, pois os espíritos que encarnam, ou encarnaram, ou que irão encarnar na Terra vem do mundo espiritual e não de um planeta. Não existe espírito terráqueo, capelino ou marciano, existem apenas espíritos passando por provas na Terra, em Capela ou em Marte. Assim, todos os espíritos que encarnaram até este instante, na Terra, vieram de um único lugar, do mundo espiritual.

Mas há neste trecho, citado anteriormente, outra informação que espero ter sido oriunda da minha má compreensão do texto. Porque este trecho nos diz que estes espíritos encarnaram em macacos e a partir daí desenvolveram os corpos humanos. Para tirar possíveis dúvidas, fui buscar no dicionário o significado da palavra antropóide:

"1. Semelhante ao homem. 2. Pertencente ou relativo aos antropóides. 3. Espécie dos antropóides, grupo de símios catarríneos que compreende os chipanzés, os gorilas e os orangotangos, bem como algumas espécies fósseis. São desprovidos de cauda e ocasionalmente bípedes."

Idéia, equivocadamente, reforçada por Vanessa Anseloni no trecho seguinte:

"A cada reencarnação, o ser espiritual conectado ao seu corpo espiritual (o perispírito) vai se ligando, molécula a molécula, ao novo organismo físico desde a sua primeira célula, a célula ovo, ou zigoto, na concepção. Deste modo, a mente do Espírito a formação do novo corpo via o seu molde fundamental, o perispírito.

A reencarnação tem por finalidade o melhoramento progressivo da humanidade. (Questão 167 de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec). O ser espiritual vai progredindo a cada reencarnação, jamais, regredindo. Por conseqüência, o conceito de metempsicose (reencarnação em corpos de animais) não se sustenta em bases lógicas uma vez que o ser espiritual, em alcançando o patamar do reino hominal, não poderá retrogradar em uma estrutura incompatível com o amadurecimento espiritual-perispiritual do espírito."

Neste trecho Vanessa contradiz o que Divaldo disse, pois se os espíritos já eram evoluídos eles não iriam retrogradar e reencarnar em corpos de animais, seria ir contra a Lei Natural.

No capítulo XI, item 20 da A Gênese, Allan Kardec afirma:

"20. Um fenômeno particular, igualmente assinalado pela observação, acompanha sempre a encarnação do espírito. Desde que este é apanhado pelo laço fluídico que o liga ao germe entra em estado de perturbação; essa perturbação cresce, à medida que o laço se firma e, nos últimos momentos, o Espírito perde toda a consciência de si mesmo de modo que ele nunca é testemunha consciente de seu nascimento. No momento que a criança respira, o Espírito começa a recuperar suas faculdades, as quais se desenvolvem à medida que se formam e consolidam os órgãos que devem servir para sua manifestação."

Como é possível a mente de um espírito em perturbação comandar a formação de um novo corpo?

A questão 167, citada no texto, é a seguinte:

"167. Qual é a finalidade da reencarnação?

- Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?"

Deve-se compreender que o melhoramento progressivo ao qual os espíritos se referem é o progresso intelectual e moral, e não orgânico, e a humanidade não é restrita aos homens encarnados no planeta Terra.

Mais adiante, quase ao final do capítulo Divaldo afirma:

"Por volta de 1972, e mais particularmente por ocasião de 1987, repetimos, o sistema solar está penetrando no cinturão de fótons de Alcione, e uma nova revolução vem-se operando na estrutura psíquica da Terra, quando uma onda de Espíritos dessa dimensão vem promover mudanças sutis na forma orgânica, facilitando o processo de evolução intelecto-moral para que alcance níveis muito mais elevados.

Da vez anterior, a que nos referimos, os exilados em nosso planeta ofereceram ao nosso corpo os equipamentos para a manifestação da inteligência, do raciocínio, da consciência, mantendo, no entanto, os nossos instintos ancestrais. Agora, quando ainda somos instintos, sensações, emoções, desenvolvendo a razão, novos visitantes espirituais, transitoriamente entre nós, para também evoluir, vêm criar uma nova sociedade, porém assinalada pelas conquistas da intuição, da percepção paranormal, dos sentimentos elevados. Eles vêm mudar a estrutura do nosso organismo, facultando-nos instrumentos que nos façam mais perfeitos, mais sábios, menos guerreiros, menos perversos..."

Eu me questiono como o nosso corpo pode nos fazer mais perfeitos, mais sábios, menos guerreiros ou menos perversos?

Na questão 368 e 370, do O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

"368. As faculdades dos Espíritos se exercem com toda a liberdade, após a sua união com o corpo?

- O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumentos; elas são enfraquecidas pela grosseria da matéria."

"370. Pode-se induzir da influência dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o das faculdades morais e intelectuais?

- Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as faculdades que lhe são próprias. Assim, não são os órgãos que lhe dão as faculdades, mas as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos. "

Kardec afirma ainda na nota a seguir:

"O Espírito, ao encarnar-se, traz certas predisposições, e se admitirmos, para cada uma delas, um órgão correspondente no cérebro, o desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as faculdades tivessem os seus princípios nos órgãos, o homem seria uma máquina, sem livre arbítrio e sem a responsabilidade dos seus atos. Teríamos de admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais. De onde se segue que, sem esses órgãos, eles não seriam gênios, e que o último dos imbecis poderia ter sido um Newton, um Virgílio ou um Rafael, se houvesse sido provido de certos órgãos. Suposição que se torna ainda mais absurda quando aplicada às qualidades morais. Assim, segundo esse sistema, São Vicente de Paulo, dotado pela natureza de tal ou tal órgão, poderia ter sido um celerado, e não faltaria ao maior celerado mais do que um órgão para ser um São Vicente de Paulo. Admiti, ao contrário, que os órgãos especiais, se é que existem, são conseqüentes e se desenvolvem pelo exercício das faculdades, como os músculos pelo movimento e nada tereis de irracional. Tomemos uma comparação trivial, por bem se aplicar ao caso. Por certos sinais fisionômicos reconhecereis o homem dado à bebida; são esses sinais que o fazer bêbado, ou é o vício da embriaguez que produz os sinais? Pode-se dizer que os órgãos recebem a marca das faculdades."

Assim, a doutrina espírita nos mostra que ao modificar-se o organismo pode-se até facilitar a manifestação de uma faculdade já existente, mas jamais irá promover qualquer transformação no espírito, principalmente quanto ao aspecto moral. Nada nem ninguém pode melhorar um espírito a não ser ele mesmo.

No capítulo 3, Divaldo fala a respeito das crianças índigo. Diz ele:

"Portanto, asseveram os Espíritos nobres que a nova geração é que vai desenvolver o lado direito do nosso cérebro, o lado intuitivo, mediúnico, a área das percepções psíquicas. Essa geração que se está formando vem sendo chamada de geração de crianças índigo, em razão de serem seres especiais que emitem, em suas auras, uma irradiação com uma tonalidade azul-violeta específica, igual à índigo, que é encontrada em uma planta na Índia."

Vanessa ainda complementa a idéia com o trecho seguinte:

"A aura das crianças índigo projeta tonalidade azul-violácea, o que denota o nível de sua evolução. Quanto mais o Espírito é evoluído, mais o seu corpo espiritual (perispírito) também o é. Sendo assim, as vibrações das moléculas quintenssenciadas que o compõem vibram em maior freqüência, trazendo a coloração índigo."

O conceito de aura e suas cores é um conceito espiritualista, que devem ser compreendidos, para eles a aura pode refletir o estado emocional e energético da pessoa, tendo inclusive exercícios e práticas específicas para alterar a cor da aura. A ciência não aceita este sentido espiritualista, devido ao fato de se poder fotografar a "aura" de folhas e pedras, através das fotos Kirlian.

Não há como relacionar uma possível aura colorida com o nível evolutivo do indivíduo, pois se há a possibilidade de se alterar a cor da aura através de exercícios, este fato em nada modificará a posição da pessoa na escala evolutiva.

Muito se fala da nova geração, capítulo da obra A Gênese de Allan Kardec, mas é necessário compreender quem são esta "nova geração". Diz Kardec:

"27. Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela seja povoada apenas por bons espíritos encarnados e desencarnados, que apenas queiram o bem. Tendo chegado tal tempo, uma grande emigração se realiza neste momento entre os que a habitam; aqueles que praticam o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não atinge, não sendo mais dignos da terra transformada, dela serão excluídos, porque eles lhe trariam novamente perturbações e confusão, e seriam um obstáculo ao progresso. Iaô expiar seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, outros, em raças terrestres atrasadas, que serão o equivalente a mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos, e onde irão com a missão de as fazer progredir. Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar entre si a justiça, a paz, a fraternidade. No dizer dos Espíritos, a Terra não deve ser transformada por um cataclismo que anulará subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Portanto, tudo se passará exteriormente como de costume, com esta única diferença, porém diferença capital, que uma parte dos Espíritos que aí se encarnam, não mais se encarnarão. Num menino que venha a nascer, em lugar de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, virá um Espírito mais adiantado e inclinado ao bem.

Trata-se pois, muito menos de uma nova geração corporal, que de uma nova geração de Espíritos; é neste sentido, sem dúvida, que o entendia Jesus, quando dizia: "Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que estas coisas aconteçam." Assim, aqueles que esperarem ver a transformação por efeitos sobrenaturais e maravilhosos ficarão decepcionados."

Kardec, na questão 184-a do O Livro dos Espíritos, pergunta:

"184-a. Se o Espírito nada pede, o que determina o mundo onde irá reencarnar-se?

- O seu grau de evolução. "

Então um espírito irá encarnar num mundo cuja evolução seja similar. Ninguém vai expulsar ninguém, com a evolução de alguns habitantes daqui, a vibração do mundo começa a se alterar, atraindo outros espíritos também mais evoluídos e aqueles que não evoluem vão se retirando, por não encontrar sintonia, vão encarnando em outros mundos. Ninguém vai mudar nada para nós, somos nós que ao nos modificarmos sutilmente, também vamos auxiliando na mudança do mundo.

Deixo vocês com este longo texto, para refletir e encontrarem uma conclusão satisfatória a cada um. O restante do livro, que não é muito, mas que não traz os conceitos básicos desta crença, eu farei uma analise em um outro texto, posteriormente, para este não ficar mais extenso que o necessário.

Claudia C.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A hora H do Espiritismo

Após um século de propagação difícil em todo o mundo, a partir da França, sob a condenação veemente e simultânea da Ciência, da Filosofia e da Religião, o Espiritismo atinge, em nossos dias, um momento difícil. As mentiras e calúnias lançadas sobre ele criaram uma imagem falsa da Doutrina, que estranhamente predominou nos meios culturais. Até hoje, apesar da gigantesca bibliografia científica espírita existente no mundo, firmada pelos mais altos expoentes da Ciência do século passado e deste século, é comum encontrarmos homens de cultura, e inegável inteligência, que se deixam impressionar pelos seus detratores interesseiros ou ignorantes. Esses homens descem facilmente da sua posição intelectual para se colocarem ao nível das massas de fanáticos que vêem no Espiritismo a obra-prima do Anticristo e de Satanás.

A luta contra o Espiritismo é o campo do vale-tudo. Em matéria de arte, ciência, literatura ou filosofia, as pessoas têm medo de dizer ou escrever tolices, pois isso as diminuiria no conceito público. Mas, quando se trata de Espiritismo, não se pejam de empregar asneiras à vontade. Encontram, por assim dizer, a porta aberta para o desabafo. Sentem-se livres para dizer todas as tolices e asneiras que não poderiam ser ditas ou escritas em outros campos. De nada valem os nomes honrados dos grandes sábios, que são considerados simplesmente como esclerosados ou beócios, facilmente iludidos por trapaceiros vulgares. Como dizia Kardec, os sábios são sábios enquanto não tratam das questões espíritas. Mexendo nessas questões, tornam-se imbecis.

As antigas pesquisas parapsicológicas alemãs, das Ciências Psíquicas anglo-saxônicas, da Psicobiofísica, da Metapsíquica de Richet ou da Parapsicologia atual, são todas levianamente lançadas no rol da ingenuidade dos pesquisadores, ou da patifaria dos médiuns. Até mesmo os físicos e biólogos soviéticos, que tiveram a audácia de provar a existência do corpo espiritual do homem, com a expressiva designação científica de corpo bioplásmico, são reduzidas a puro engano de amadores, desqualificando-se, assim, os atrevidos investigadores. Nesse clima de asfixia da verdade, o Espiritismo devia ter morrido, mas não morreu. Pelo contrário, robusteceu-se vigorosamente pela comprovação dos seus princípios, no próprio campo materialista.

Apesar de tudo isso, e de muito mais que seria longo enumerar, o Espiritismo cresceu de tal maneira que enfrenta, hoje, situações perigosas. Como toda doutrina que se expande, está ameaçado de deturpações, revides arbitrários e desrespeitosos, adulterações, infiltrações de doutrinas estranhas e ultrapassadas. A grande propagação popular criou um campo fértil para exploração dos aventureiros, ansiosos por firmarem a sua reputação de grandes entendidos do assunto, grandes médiuns e oradores de tipo anacrônico.

Formou-se uma falsa elite cultural espírita, que se arroga o direito de reformular conceitos, revisar princípios e, até mesmo, alterar textos clássicos da bibliografia doutrinária. Atrás dos pavoneantes mestres e reformadores, formam-se as filas de candidatos ingênuos ao Reino dos Céus, que tudo aceitam de olhos
fechados e mãos postas. É a hora do perigo, em que as mais elevadas doutrinas podem ser transformadas em mistifórios grosseiros.

O trabalho real, que teria de ser feito, ninguém faz, por falta de capacidade e excesso de preguiça mental. E, quando alguém resolve iniciar alguma coisa, no desenvolvimento consciente, respeitoso, da obra fundamental de Kardec, nas bases da cultura atual, as escolinhas ou igrejinhas dos falsos iluminados se conjugam na repulsa ao trabalho cultural, em defesa da cômoda ignorância em que podem semear as suas tolices e cultivar as suas pretensões vaidosas. Vale mais, para a maioria dos adeptos, a suposta descoberta de novos métodos de passes e curas miraculosas, do que um estudo sério e esclarecedor da própria estrutura da
Doutrina e de sua posição cultural. As pessoas cultas que percebem isso temem a turba dos fanáticos e preferem resguardar o seu prestígio ao invés de lutar contra o aviltamento doutrinário. Daí o silêncio da maioria dos líderes na hora da adulteração, que rompeu a falsa aparência de unidade e coerência do movimento espírita brasileiro.

As obras de assistência social atraem as contribuições generosas, em prejuízo das obras culturais. A ajuda ao próximo só é interpretada em sentido material. A cultura perece e os charlatães se divertem deslumbrando os basbaques. ninguém se lembra de que estamos numa fase de grande desenvolvimento cultural, favorável
ao entrosamento da cultura espírita. A penúria intelectual do movimento espírita contrasta estranhamente com as dimensões conceptuais e as finalidades da Doutrina, a única que oferece a possibilidade de soluções evangélicas para a situação mundial.

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, diz o Eclesiastes. Até mesmo pessoas analfabetas, quando aprendem a lidar grosseiramente com a mediunidade, julgam-se mestres infalíveis. E, criaturas dotadas de diplomas universitários tornam-se seguidores de messias broncos, profetas incultos, que usam sem temor o atrevimento da ignorância para atacar e criticar os que lutam em defesa da Doutrina. Como modificar essa situação desastrosa sem a abnegação de pessoas que, dotadas realmente de formação cultural (e não apenas de diploma), se ponham corajosamente em campo? Esta é a Hora H do Espiritismo. Ou ele se firmará como
um processo cultural legítimo, ou será asfixiado pela avalancha de sandices que sobre ele despejam, sem cessar, os pretensiosos irresponsáveis, missionários por conta própria, elaboradores de doutrinas individuais e ridículas, sugeridas pelas mentes sombrias que desejam ridicularizar a Doutrina.

Os que se omitem por comodismo e interesses subalternos, nesta hora decisiva, cantando louvores a todos os absurdos em nome da tolerância e da fraternidade (como se essas duas palavras significassem conivência), são piores que os semeadores de joio, pois são os que estimulam e sustentam o trabalho de sapa no meio doutrinário. A eles podemos aplicar a advertência do Cristo aos fariseus, pois os ladrões e as meretrizes chegarão, antes deles, ao Reino dos Céus.

O Mistério do Bem e do Mal, J. Herculano Pires

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