terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Explodindo o mito do cinturão de fótons

original em inglês


Leitores ávidos da revista Nexus podem recordar bem um artigo intitulado "The Photon Belt Story" [A História do Cinturão de Fótons] que apareceu na edição de fevereiro de 1991.

Eu li o artigo com diversão e ri dele como uma piada, porém, eu me dei conta recentemente que muitas pessoas levaram este artigo a sério e isto causou um pouco de preocupação. Sinto muito dizer que esta história, tão romântica quanto possa ser, não tem absolutamente nenhuma base concreta.

Parece ter se tornado parte de uma mitologia moderna contrária ao conhecimento científico atual que surgiu ao redor das Plêiades, um agrupamento de estrelas na constelação de Touro. Esta mitologia parece estar baseada em uma mistura precipitada de pseudociência, mensagens canalizadas de supostas entidades espaciais, profecias bíblicas, ignorância e uma dose liberal de ingenuidade. É alimentada por uma desconfiança geral de nossa comunidade científica e uma má interpretação do pensamento científico moderno.

É um reflexo triste da educação científica de nossa sociedade que tantas pessoas possam ser enganadas por uma história que provavelmente começou como uma brincadeira de um estudante universitário.

Para ajudar os leitores que não leram o artigo, a história em resumo é como segue:

Em 1961 instrumentos de satélite descobriram uma FAIXA DE FÓTONS no espaço exterior. Este CINTURÃO DE FÓTONS ou ANEL MANÁSICO, que os cientistas não puderam reproduzir em laboratório, cerca as Plêiades e se estende 400 anos luz ao nosso sistema solar. Citando alguém chamado Jose Comas Sola, era dito que nosso sol e várias outras estrelas fazem parte do Sistema de Plêiades e todas estas estrelas teriam planetas. Dizia-se que nosso Sol orbita este sistema em 24,000 anos, durante os quais nós passamos alternadamente 10,000 anos na escuridão e 2,000 anos na luz do CINTURÃO DE FÓTONS. Nós estaríamos a ponto de entrar na luz do CINTURÃO DE FÓTONS, ao que nós todos seríamos transformados "em um piscar de olhos" em Atmosféreos e a noite deixaria de existir, entre outras coisas.

Um diagrama acompanhava o artigo mostrando 6 das estrelas Pleiadanas, Merope, Atlas, Teygeta, Electra, Coeleno e o nosso próprio Sol em órbita ao redor de Alcyone, também um membro das Plêiades, cercado pelo CINTURÃO DE FÓTONS.

Tendo sido contatado por vários membros do público com questões sobre esta história, eu me determinei a separar o fato da ficção e localizar a história até sua origem.

O artigo havia sido reimpresso com permissão da Australian UFO Flying Saucer Research Magazine. Um número de telefone era fornecido. O número de telefone provou ser o de um proeminente investigador OVNI australiano, que me falou que a história tinha sido escrita originalmente por um estudante universitário que havia sido na ocasião um membro do grupo dele. Este estudante é agora, aparentemente, físico em uma instalação nuclear bem conhecida. Porém, o investigador OVNI não estava certo sobre onde o estudante tinha obtido a informação e tinha tentado verificar aspectos dela com um astrônomo no Observatório do Monte Stromlo. Eu não pude averiguar quais aspectos tinham sido verificados de fato.

Felizmente, o astrônomo interessado era conhecido a mim, assim eu lhe fiz uma visita. Ele recordou vagamente ter falado com o investigador mas não pôde se lembrar dos detalhes exatos da conversação. Ele me assegurou que nunca teria verificado a existência do CINTURÃO DE FÓTONS mas poderia ter dado a ele um pouco de informação sobre as próprias Plêiades. Ele me falou que o Monte Stromlo também tinha recebido questionamentos sobre o CINTURÃO DE FÓTONS e, como eu, tinha considerado a coisa inteira uma piada cruel.

Assim, o que é fato e o que é ficção? Bem, para começar, eu não pude achar qualquer evidência de um satélite em 1961 levando os instrumentos exigidos descobrir uma FAIXA DE FÓTONS como descrito.

Satélites da época eram primitivos pelos padrões de hoje e estavam mais preocupados com telecomunicações, operando principalmente nos comprimentos de onda de rádio. Satélites e sondas subseqüentes, com sua instrumentação sofisticada, seriam certamente capazes de descobrir a FAIXA DE FÓTONS, porém, nenhuma coisa assim foi relatada em qualquer lugar. Este não é um caso de cientistas mantendo segredos, é simplesmente porque nunca foi descoberto.

De acordo com outra informação que recebi, supõe-se que este CINTURÃO DE FÓTONS é precedido por uma ZONA ELETROMAGNÉTICA NULA. É dito que esta zona é um vácuo de energia, com um ausência completa de campos eletromagnéticos. Se existisse, esta ZONA NULA certamente teria aparecido nas muitas pesquisas do céu feitas durante anos recentes na Radiação Cósmica de Fundo em Microondas. Esta radiação de fundo é notável porque está distribuída uniformemente por todo o céu. Não há nenhuma falha em sua distribuição. A ZONA ELETROMAGNÉTICA NULA não existe!

O CINTURÃO DE FÓTONS também foi descrito como um ANEL MANÁSICO, um "fenômeno que os cientistas não puderam reproduzir em experiências em laboratório". Eu não pude determinar o significado da palavra "manásico". Só posso imaginar que é derivada da palavra MANA. É dificilmente surpreendente que isto realmente não foi recriado em laboratório já que ninguém parece saber o que MANA é, além de sua definição de dicionário como uma força misteriosa.

E chegamos às próprias Plêiades. Jose Comas Sola, seja ele quem for, estava ou bastante errado ou foi citado erroneamente. Nosso Sol não faz parte do sistema de Plêiades, nem orbita as Plêiades a cada 24,000 anos.

As Plêiades estão a aproximadamente 125 parsecs ou 407.5 anos luz de nosso sistema solar. Um cálculo rápido mostra que se nosso Sol estivesse nesta órbita, então sua velocidade orbital seria de 0.107C ou pouco mais de um décimo sa velocidade da luz. Isto é aproximadamente 32,000 Km/seg. Esta velocidade seria aparente, não só para astrônomos, mas para todas pessoas, já que as constelações mudariam dramaticamente no curso de uma única vida se isto fosse verdade.

As Plêiades são um agrupamento de aproximadamente 100 estrelas com uma idade média estimada em 78 milhões de anos. Estas são estrelas muito jovens, muito mais jovens que nosso próprio Sol, que se estima ter 5 bilhões de anos, muito mais jovens até mesmo que nosso próprio planeta, a Terra.

Estas são estrelas muito quentes e luminosas do tipo espectral B, muito mais quentes e aproximadamente 10 vezes mais volumosas que nosso Sol, do tipo espectral G. Elas ainda não se afastaram da nuvem de gás inter-estelar ou nebulosa da qual elas se formaram [IMPORTANTE: ver as notas finais]. Remanescentes desta nebulosa podem ser vistos prontamente em fotografias do grupo. Foi sugerido que esta nebulosidade, brilhando com a luz das estrelas em seu interior, é o que deu origem ao mito do CINTURÃO DE FÓTONS.

Estudos dos movimentos próprios destas estrelas, ou de seu movimento pelo espaço, mostraram que elas estão no processo de dispersão. Não há nenhuma evidência que estas estrelas orbitem Alcyone como descrito no diagrama. Também deve ser dito que não há nenhuma evidência de planetas ao redor de quaisquer destas estrelas. Pode muito bem ser que sistemas planetários possam evoluir em algumas destas estrelas, porém deve-se lembrar que estas são estrelas muito jovens e a formação planetária pode levar um tempo muito mais longo que o de formação estelar. Parece improvável que planetas habitáveis tenham tido tempo bastante para evoluir lá. 78 milhões de anos é um período muito curto na escala de tempo cosmológica ou geológica.

É muito confortante pensar em nosso planeta saindo da escuridão em direção à luz, embora eu não ache que nossa fauna noturna fosse concordar. É muito melhor que cada um de nós busque iluminação dentro de si mesmo. Este esclarecimento não pode ser imposto por forças externas. Um dilúvio de fótons das Plêiades não salvará o planeta, nem transformará seus habitantes em Atmosféreos iluminados. Nós teremos que resolver nossos problemas por nós mesmos.

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Nota do editor CA: O artigo original sobre o Cinturão de Fótons, que iniciou todas estas lendas, foi publicado em 1981. Foi sua reprodução em 1991 pela revista Nexus que causou uma maior divulgação e interesse, talvez porque a data para a passagem pelo cinturão fosse dada como Julho de 1992.

Mas, como bem sabemos, a noite continuou a cair depois de julho/92. Este pequeno detalhe não abalou o mito: a data simplesmente foi movida para a frente, no caso maio de 1997. Outra vez, a predição falhou miseravelmente.

Sem surpresa, isto abalou muito menos a lenda e agora a data é dada como em algum ano entre 2010 e 2015. Acho que não é preciso ser um gênio para saber o que NÃO vai acontecer entre 2010 e 2015.

Importante: Ao contrário do indicado neste texto, de autoria anônima mas em sua maior parte acurado e equilibrado, a nebulosa que vemos difundindo a luz das Plêiades não faz parte do sistema. Mais informações sobre as Plêiades podem ser conferidas aqui.

Confira também:

- Is the earth about to enter the Photon Belt, causing the end of life as we know it? - The Straight Dope- The Photon Belt

http://www.ceticismoaberto.com/referencias/cintfotons.htm

3 comentários:

vbjoao2 disse...

Cláudia,

Parabéns pelo seu espaço. Não tive tempo de visitá-la antes, mas estou muito gratificado pela visita de hoje, que me trouxe ótimas informações.

Continue assim, trazendo informações abalizadas e corretas, pois já existe muita desinformação a respeito da querida Doutrina.

Muita Paz e sucesso.

Abraços

João

Claudy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucilena Silva disse...

Foi muito bom encontrar um site serio e que pesquisa a respeito do assunto ao inves de apenas copiar informações de outros sites. Obrigada pelo esclarecimento quase acreditei na história do Cinturão de Fótons... Um abraço a todos!!

Leia também:

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